Recorde aqui as incidências do encontro
O futebol é um jogo de sensações. O Benfica estava a dar a sensação de que seria o grande rival do FC Porto na luta pelo título e de que, apesar da derrota no Dragão, podia fazer um campeonato quase perfeito até ao final da época. As exibições da equipa de Marco Silva reforçaram essa ideia até ao encontro com a... equipa sensação.

Sem Paciência, sem problema
O Santa Clara entrou para esta partida sabendo que, em caso de vitória, terminaria a jornada no segundo lugar. Os açorianos provaram em campo que os resultados alcançados até então não têm sido obra do acaso nem dependem exclusivamente de Gonçalo Paciência, baixa de última hora devido a lesão, e aproveitaram as condições do relvado e o vento forte para dominar a primeira parte e chegar ao intervalo em vantagem, de forma surpreendente, mas justa.

Apesar da entrada afirmativa do Benfica, com Pavlidis a recuar para tentar servir Rafa, primeiro, e Sudakov, depois, o Santa Clara nunca passou por momentos verdadeiramente desconfortáveis nos 45 minutos iniciais. A equipa de Petit acabou por tomar conta do jogo, num estilo cada vez mais vincado e que vai fazendo estragos no campeonato.

Defensivamente, a equipa de Petit não estava a dar margem para erros, mas também não abdicava de tentar sair a jogar de forma apoiada, apesar das dificuldades provocadas pelo relvado. No ataque, acabou por criar as melhores situações do primeiro tempo. Fernando (11') e Lucas Soares (15') obrigaram Samuel Soares a aplicar-se, enquanto Lucas França chegou ao intervalo sem sequer sujar as luvas.
O domínio não era avassalador, mas o sentido do jogo era praticamente único e o Santa Clara acabou mesmo por chegar ao 1-0. Bah ainda evitou uma grande oportunidade de Brenner Lucas com um corte espetacular, mas Dahl cometeu uma grande penalidade na sequência do canto e Fernando (32', g.p.) aproveitou para inaugurar o marcador.
A reação do Benfica ao golo foi praticamente nula e Marco Silva, que lançou a equipa para a segunda parte sem Sudakov e Rafa, dava sinais de descontentamento. O livre de Tiago Ribeiro (45'+2), já em período de compensação, podia ter agravado o cenário para os encarnados, mas o remate saiu por cima da baliza de Samuel Soares.

Ventos de mudança
Na segunda parte, o vento soprou finalmente a favor do Benfica. As entradas de Lukebakio e Schjelderup ajudaram a mudar o rumo dos acontecimentos, mas foi sobretudo a irreverência de Prestianni a empurrar as águias para uma reviravolta que seria difícil de alcançar caso a equipa mantivesse o nível exibido na primeira parte.

Antes da agitação do argentino, Dahl mereceu elogios pelo corte decisivo que permitiu ao Benfica manter a desvantagem em apenas um golo. O lateral intercetou o passe de Brenner Lucas quando Vinícius Lopes já se preparava para bater Samuel Soares.
Esse lance acabaria por ajudar a definir o encontro. O resto ficou por conta dos pés de Prestianni, que deu seguimento à época afirmativa e deixou Pedro Ferreira pelo caminho antes de assistir Pavlidis (62'), que ganhou a frente a Emanuel Moreira e só teve de encostar na pequena área para bater Lucas França.
Seis minutos depois, o internacional argentino (68') voltou a fazer a diferença, desta vez junto ao flanco direito, onde apareceu para rematar à entrada da área e completar a reviravolta benfiquista.
Depois de fazer o mais difícil, o Benfica repetiu o que já tinha feito na segunda parte do encontro com o Omonia e controlou o resultado através da posse de bola. Após uma primeira parte de qualidade superlativa, o Santa Clara não teve argumentos para voltar a discutir o resultado e a equipa de Marco Silva acabou por garantir um triunfo importante, não só porque se mantém a cinco pontos do FC Porto, mas também porque deixa a quatro pontos o Sporting e... o Santa Clara.

Homem do jogo Flashscore: Prestianni (Benfica)

