Recorde as incidências do encontro
Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense):
“Tem de ser considerada uma época positiva, num campeonato muito competitiva. Tivemos o privilégio de não falar da palavra manutenção, nem de ouvir falar nessa palavra nos corredores, nem no balneário. Isso é mérito de todos, incluindo daqueles que dão todas as condições aos atletas, mesmo não se vendo. É um projeto com o qual me identifico muito. Do topo à base da pirâmide, toda a gente aqui sabe qual é a sua função. (O campeonato) Podia ainda ser melhor. Sou um eterno inconformado, mas é uma época positiva para um ano de transição no clube.
Fomos muito mais sérios e competentes do que na semana passada. Não fomos tão intensos como gostaria, sobretudo com bola. A bola deveria ter andado mais depressa para criar mais problemas ao AFS. Cometemos um ou outro disparate que permitiu ao AFS criar perigo. É um resultado justo. Temos de esperar pelo resultado do Vitória para saber a nossa classificação, mas será sempre uma época positiva.
Este nunca vai ser um campeonato fácil. Até chegarmos ao patamar de podermos lutar pela Europa, vai levar tempo. Tudo isso começa com melhorias nas infraestruturas, com aperfeiçoamento de todos os departamentos que acompanham a equipa e com um plantel que represente, de forma consistente, a ideia do clube. Todos fazemos parte de uma ideia que está a ser alimentada. Vai levar tempo, mas é para lá que caminhamos. Sinto que, na transição de uma época para a outra, temos uma base que se aproxima da nossa ideia para o futuro, mas o campeonato será sempre difícil.
Agradeço a todo o grupo de trabalho pela forma como sempre acreditou numa equipa técnica acabada de chegar à Liga, o que poderia gerar alguma desconfiança, mas eles trabalharam sempre de forma afincada. Foram incansáveis”.
João Henriques (treinador do AFS):
“Foi um domínio consentido da nossa parte para explorar as transições e o espaço nas costas do Moreirense. Conhecíamos muito bem o seu jogo posicional. Sabíamos que iriam envolver muita gente no processo ofensivo e ficariam desequilibrados. O Moreirense teve mais bola. As melhores oportunidades foram para o AFS. Saímos com um sabor agridoce neste desfecho da época. Tivemos alguns empates nesta fase final em que criámos situações para fechar os jogos e ter mais pontos do que temos nesta altura.
É o sexto jogo consecutivo a pontuar. Isso deixa-nos tremendamente satisfeitos. Caímos de pé. Os jogadores saem do campeonato valorizados. Esta última fase, em média, daria um campeonato tranquilo para o AFS. Mas não é essa a realidade. A realidade nua e crua diz que o AFS é último classificado e desceu de divisão.
Conseguimos reverter uma dinâmica tremenda de derrota, a terminar uma primeira volta com três pontos, fruto de três empates, e passar para um ciclo em que raramente perdemos. Temos duas derrotas nos últimos 13 jogos. Isso reflete a evolução da equipa. Isso permitiu a valorização de ativos. Nesta altura, há a especulação de jogadores associados a grandes clubes. Isso é muito gratificante para a equipa técnica e para a estrutura. Potenciámos jogadores.
Tive noção de que este era um desafio diferente em relação ao que tinha tido até hoje na minha carreira. Estou mais treinador no final desta época. Trabalhei com homens de caráter. Depois de estarem no fundo do poço, sem luz, conseguiram reerguer-se e formar uma equipa. Estou satisfeito com o período em que estive no clube. Estou feliz pela oportunidade de trabalhar novamente na Liga. Já tenho mais de 150 jogos no campeonato.
Terminou o campeonato. Vamos fazer o balanço do período em que estive aqui na próxima semana. Veremos o que é melhor para todas as partes (a continuidade ou não no AFS na próxima época)".
