Brasileirão: Tabu entre Abel Ferreira e Artur Jorge ganha novo capítulo

Abel Ferreira enfrenta Artur Jorge no Brasileirão
Abel Ferreira enfrenta Artur Jorge no BrasileirãoWagner Meier/Getty Images

Final antecipada do Brasileirão de 2024. Os oitavos de final da Libertadores do mesmo ano. Duelos em que a vitória caiu sempre para o lado alvinegro, e não para o alviverde. Se Abel Ferreira continua do mesmo lado, a equipa orientada por Artur Jorge, que antes era o Botafogo, veste agora de azul. Mas o tabu entre os dois treinadores portugueses mantém-se intacto. Em quatro jogos entre ambos no Brasil, todos disputados em 2024, Abel Ferreira — praticamente um desconhecido quando chegou ao país, em 2020 — nunca venceu.

Acompanhe as incidências do encontro

O agora treinador do Cruzeiro é o técnico que Abel mais enfrentou no futebol brasileiro sem nunca ter vencido. Os quatro confrontos contra o Palmeiras, ainda com Artur Jorge no Botafogo, têm um resultado agregado de 8-4, somando Brasileirão e Libertadores.

Dessa lista faz parte a final antecipada do Campeonato Brasileiro de 2024, quando as duas equipas se encontraram em São Paulo, na 36.ª jornada. Palmeiras e Botafogo chegaram empatados, com 70 pontos. A equipa da Estrela Solitária inaugurou o marcador na sequência de um canto, por intermédio de Gregore, ainda na primeira parte.

A meio da etapa complementar, a expulsão de Marcos Rocha, lateral do Palmeiras à época, desequilibrou o encontro. Jefferson Savarino marcou pouco depois e Adryelson ampliou a vantagem. O Palmeiras reduziu apenas perto do fim, quando já não havia tempo para mais.

Últimos confrontos
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O Botafogo acabaria por se sagrar campeão apenas na última jornada, ao vencer o São Paulo, no Rio de Janeiro. O Palmeiras nem chegou a fazer a sua parte: perdeu em casa frente ao Fluminense.

Nas categorias inferiores, ainda do outro lado do Atlântico, Abel (47 anos) e Artur Jorge (54) enfrentaram-se duas vezes quando dirigiam, respetivamente, as equipas de formação de Sporting e SC Braga. Nas duas partidas, disputadas no primeiro semestre de 2012, também não houve vitórias para os comandados do atual técnico do Palmeiras.

Escola portuguesa, com certeza

Apesar de não terem sido formados no mesmo clube — Abel Ferreira passou pelo SC Braga já numa fase mais madura, enquanto Artur Jorge é efetivamente um produto dos Guerreiros do Minho —, o que se verá no relvado sintético da Arena Barueri (já que o estádio palmeirense, que deixou de se chamar Allianz Parque, receberá concertos este fim de semana) são algumas características semelhantes entre ambos. Uma delas é a forte preocupação defensiva.

Enquanto Artur Jorge ainda trabalha para consolidar o seu modelo de jogo, do lado esmeraldino as transições defensivas são um dos pontos fortes da equipa há vários anos. Há, contudo, uma diferença entre ambos: o treinador do Cruzeiro dá mais liberdade aos seus jogadores mais talentosos.

Momento do Cruzeiro
Momento do CruzeiroFlashscore

Desde que chegou à Toca da Raposa, o técnico português natural de Braga (Abel Ferreira nasceu em Penafiel) comandou a equipa em 13 jogos, entre Série A, Libertadores e Taça do Brasil. E não sofreu golos em sete deles. Nesse mesmo período — em que o Cruzeiro passou do último lugar para a 11.ª posição do Brasileirão —, somou oito vitórias, dois empates e três derrotas, o que corresponde a um aproveitamento de 67%.

Invencível em casa

Do outro lado, apesar dos deslizes nas últimas duas jornadas da Série A — empate em casa frente ao Santos FC e fora diante do Clube do Remo, ambos por 1-1 —, o Palmeiras não perde há 16 jogos. São 10 partidas consecutivas sem derrotas no Brasileirão, a maior série atual da competição, além dos compromissos da Libertadores e da Taça do Brasil.

Momento dos dois conjuntos
Momento dos dois conjuntosFlashscore

O Palmeiras é, neste momento, um dos três melhores visitados da competição. Athletico Paranaense e Fluminense também somaram 19 pontos em casa, mas o Verdão tem menos um jogo (sete) em relação aos outros dois. Além disso, o Palmeiras — ao lado do Flamengo — ainda não perdeu em casa esta temporada. Soma seis vitórias e um empate, precisamente no clássico frente ao Peixe.

De um lado, um treinador que conquistou títulos históricos pelo Botafogo, saiu do país e agora regressa. Do outro, um técnico de convicções firmes, que se moldou no PAOK FC e chegou ao Brasil para arriscar — orgulhando-se de nunca ter sido despedido de uma equipa que treinou. É mais um capítulo da história dos treinadores estrangeiros no Brasil, que tanto transformaram, para melhor, o futebol daquele lado do Atlântico ao longo da última década.

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