Papel de presidente: "É mais stressante, sem dúvida. Como treinador, tens mais coisas sob controlo: a equipa, a preparação, a tática... O papel de presidente é colocar as pessoas nos lugares certos em diferentes áreas, a começar por todas as modalidades desportivas (futebol, basquetebol, andebol, voleibol, atletismo...) e continuar com tudo o que se relaciona ao grupo FC Porto: finanças, marketing, logística... Tem sido um grande desafio."
Primeira época como presidente: "Tivemos um primeiro ano difícil, de transformação, onde a maior parte do nosso foco estava nos aspetos financeiros da instituição. Agora encontramos foco e estabilidade no lado desportivo. Contratámos Francesco Farioli, que foi um grande acerto. Estamos na liderança do campeonato, nas meias-finais da Taça de Portugal e nos quartos de final da Liga Europa. É por isso que renovámos contrato com Farioli. Temos muita confiança no seu trabalho daqui para frente. Nas camadas jovens, as coisas estão um pouco mais estáveis», analisou, explicando porque decidiu abandonar a carreira de treinador."
Carreira de treinador: "Sempre quis ter uma carreira a curto prazo e treinei durante 13 anos. Nos últimos dois anos estive a preparar-me para as eleições do FC Porto. Foi realmente emocionante. O clube ganhou títulos com Pinto da Costa, o presidente com mais êxito na Europa, mas era altura de mudar, por isso decidi apresentar a minha candidatura. Correu bem, porque os sócios do FC Porto queriam essa mudança. Procuraram estabilidade, sobretudo financeira."
José Mourinho: "O FC Porto e os adeptos tiveram a oportunidade de homenagear José Mourinho quando saiu do Fenerbahçe, antes de assinar com o Benfica, nosso grande rival. Creio que isso foi importante. Agora é treinador do Benfica e de vez em quando trocamos mensagens, respeitando os nossos respetivos clubes, porque lutamos pelo mesmo objetivo: ganhar a Liga."
Mercado do FC Porto: "Samu foi uma contratação excecional, Gabril Veiga sentimos que tinha de vir e o Borja Sainz representa o espírito do FC Porto. Teve uma explosão no Norwich e captou a atenção dos nossos olheiros. Passou por um momento difícil com a morta da mãe, mas já voltou à melhor forma."
Contratação de Thiago Silva: "Era uma oportunidade extraordinária. Foi colocado em cima da mesa pelos agentes e foi tudo muito rápido. Fechámos a contratação imediatamente, porque nem acreditávamos na oportunidade que nos tinham apresentado. Para nós era genial ter um jogador, um líder, e trazê-lo de volta 20 anos depois. Ainda que muitos não saibam, a carreira dele na Europa começou no FC Porto. Sofreu muito quando foi diagnosticado com tuberculose, assim que penso que é uma grande forma de encerrar uma história realmente mágica."
Triplete como treinador e agora como presidente? "É um sonho. Jogamos contra o Nottingham Forest, que é uma equipa bem organizada, com muito talento. Além disso, o treinador é Vítor Pereira, que conhecemos muito bem. Foi meu adjunto, treinador do FC Porto, ganhou dois campeonatos... Vai ser um jogo muito difícil, mas esperamos manter todos os nossos sonhos vivos. Em qualquer caso, está a ser uma época fantástica. Farioli trouxe muita energia à equipa e somos otimistas quanto ao futuro. Oxalá seja uma época de sucesso, é com isso que sonhamos neste sprint final."
Diferença de orçamentos para a Premier League: "São desafios difíceis, porque essa brecha está a crescer cada vez mais. É algo que nos preocupa, em particular a UEFA. O FC Porto participou como membro do Comité das Competições. Há sempre surpresas, vários clubes portugueses continuam na Europa, mas isso é cada vez mais difícil. Temos coisas a favor. Continuamos a exportar muito trabalho das academias, o que nos traz estabilidade e competitividade. É difícil, porque a Premier League segue na vanguarda financeira e a LaLiga está muito bem estruturada. É certo que França e Itália estão a atravessar alguns problemas com direitos televisivos, que é algo que preocupa a UEFA."
