Tendo regressado, no fim de contas, desiludido, Spence precisa agora de deixar essa desilusão para trás e concentrar-se no trabalho que tem pela frente.
Tudo mudou no Tottenham
Uma exigente época 2026/27 aguarda, e o jogador de 26 anos tem uma missão a cumprir. A questão é onde o irá fazer, pois na sua ausência, tudo mudou no Tottenham Hotspur sob o comando de Roberto De Zerbi.
O italiano renovou o plantel, trazendo Sandro Tonali, Mateus Fernandes, Jan Paul van Hecke, Marcos Senesi, Andrew Robertson e Martin Dubravka, enquanto João Palhinha, Randal Kolo Muani, Manor Solomon, Yves Bissouma, Radu Dragusin, Alfie Devine, Alejo Veliz, Will Lankshear e Luka Vuskovic saíram.
Com dúvidas sobre o futuro de Richarlison e Lucas Bergvall, podem ainda acontecer mais saídas, e Spence pode estar prestes a juntar-se a esse êxodo.
Três jogadores à frente de Spence na hierarquia
As notícias parecem indicar que, como Destiny Udogie e Pedro Porro deverão ser os laterais titulares do Tottenham, com Robertson como opção seguinte, Spence procura a sua sorte noutro lado.
Pensa-se que os londrinos do norte estarão dispostos a aceitar um valor na ordem dos 30 milhões de euros do Inter, e o próprio jogador não rejeitou, para já, o interesse dos nerazzurri.
Com Denzel Dumfries a transferir-se do Inter para o Real Madrid, Spence encaixaria diretamente no onze inicial do Inter, mas o que é que os gigantes da Serie A estariam a receber pelo seu investimento?
Salvo lesões, podem contar com a fiabilidade do jogador. As 43 presenças em todas as competições pelo Tottenham na época 2025/26 ficaram apenas uma atrás de Palhinha e de Micky van de Ven, e duas atrás de Pedro Porro, que terminou a temporada com o maior número de jogos pelos lilywhites (46).
Excelentes números
No que toca às capacidades defensivas, entre os jogadores que realizaram pelo menos 50 desarmes ao longo da época, ninguém igualou a taxa de sucesso de 64,91% de Spence, tendo o lateral vencido 37 dos 57 desarmes que tentou.
Porro foi o único jogador dos Spurs a superar os 16 cruzamentos bloqueados por Spence, enquanto as 150 recuperações de posse do inglês também são um registo notável em comparação com o esforço dos seus colegas de equipa.

Disputar 365 duelos individuais no chão demonstra vontade de participar em todos os aspetos do jogo, sendo que apenas Richarlison e Palhinha (413 e 406, respetivamente) participaram em mais ao longo da temporada.
Um dos apenas nove jogadores a tentar mais de 1.000 passes em 25/26, a taxa de acerto de Spence, de 81,59%, também foi de topo, embora certamente precise de trabalhar o seu poder ofensivo caso acabe mesmo por rumar a San Siro.
É preciso melhorar no capítulo ofensivo
Apesar de os golos não serem propriamente o seu ponto forte, o Inter gosta que os laterais subam e desçam o relvado e apoiem o ataque, algo que Spence fez com grande qualidade pela Inglaterra, mas que esteve totalmente ausente nas exibições pelo clube na última época.
Sem golos, sem contra-ataques, sem oportunidades criadas e apenas 16 remates, não se pode falar do estilo ofensivo que o Inter procura.
Com vontade de mostrar serviço, o jogador deverá pelo menos voltar a estar motivado, procurando deixar a sua marca em Itália. Se nada mais, o esforço e a exuberância de Spence são um exemplo a seguir por muitos, e isso é uma excelente base de trabalho.

Hora de fechar o negócio
Ter um certo conjunto de qualidades é importante, mas se não se tiver a atitude e aplicação certas, rapidamente se é descoberto. Cristian Chivu pode trabalhar os aspetos do jogo natural de Spence que precisam de ser melhorados, aliado à paixão do jogador por aprender e à capacidade de dar tudo em cada treino e jogo.
Com apenas uma semana e meia até ao início tanto da Serie A como da Premier League, é do interesse de todos que a transferência fique rapidamente resolvida.
Spence espera também que a mudança lhe seja favorável ao ponto de reforçar as credenciais na seleção inglesa, mantendo-se como parte integrante do grupo internacional sob o comando de Tuchel.
