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Presidente da LaLiga diz que a "punição ao Manchester City deverá ser severa"

Presidente da LaLiga, Javier Tebas
Presidente da LaLiga, Javier TebasArchivo ABC - Ignacio Gil / Album / Profimedia

O presidente da LaLiga, Javier Tebas, afirmou na terça-feira que o Manchester City deverá enfrentar as punições mais severas disponíveis depois de terem sido detetadas infrações prolongadas às regras financeiras, defendendo que o caso deverá servir de aviso aos clubes de toda a Europa.

Na segunda-feira, uma fonte ligada ao futebol confirmou notícias divulgadas pelos meios de comunicação social de que um painel independente tinha considerado o City culpado de todas menos uma das 115 alegadas infrações às regras financeiras da Premier League.

O City, que sempre negou qualquer irregularidade, poderá enfrentar sanções que vão desde multas e perda de pontos até à despromoção.

"Há muitos anos que manifesto preocupação com o Manchester City. Fi-lo em 2017, na Soccerex. Disse-o na altura; nem o City nem a Premier League gostaram do que disse", afirmou Tebas.

Falando aos jornalistas entre sessões da Cimeira de Alto Rendimento e Saúde, coorganizada em Londres pela federação mundial de jogadores FIFPRO e pela Cleveland Clinic, Tebas afirmou que o caso tinha implicações muito para além do futebol inglês.

"Agora ficou demonstrado que existia incumprimento contínuo desde 2009", afirmou.

"Estamos a tentar tornar o futebol sustentável e limpo em todas as competições. Como muitos clubes estão a dizer, houve títulos que foram perdidos para outros clubes, embora não devessem ter sido. O que aconteceu é muito importante e esperamos que marque um ponto de viragem, não apenas para a Premier League".

"O caso do Manchester City tem implicações em toda a Europa, particularmente no que diz respeito à dopagem financeira. Deverá haver uma punição que sirva de exemplo".

Tebas afirmou que o período durante o qual as regras terão sido quebradas justificava uma resposta dura.

"Quebrá-las durante mais de 10 anos... é muito grave", afirmou. "A punição deverá, por isso, ser severa, não apenas para servir de exemplo, mas porque as regras foram quebradas".

Segundo notícias divulgadas pelos meios de comunicação social britânicos, os clubes da Premier League estão a procurar aconselhamento jurídico sobre possíveis indemnizações.

Perguntaram a Tebas se equipas de outras ligas europeias poderiam seguir o mesmo caminho.

"Podem fazê-lo, mas não especificamente por causa do City", respondeu Tebas.

Calendário do City
Calendário do CityFlashscore

A UEFA, entidade que tutela o futebol europeu, baniu o City da Liga dos Campeões por dois anos, em 2020, depois de ter concluído que o clube tinha sobrestimado as receitas de patrocínio entre 2012 e 2016.

O City, contudo, recorreu com sucesso para o Tribunal Arbitral do Desporto (CAS), que anulou a proibição.

"Na minha opinião, as decisões do Tribunal Arbitral do Desporto deveriam ser revistas", afirmou Tebas. "Anulou a sanção imposta pela UEFA, e essa decisão foi muito questionável. Agora ficou demonstrado que a UEFA tinha razão relativamente às sanções contra o Manchester City".

Maheta Molango, diretor executivo da Professional Footballers' Association, em Inglaterra, afirmou que a natureza prolongada do caso tinha abalado a confiança no sistema regulador do futebol.

"A nossa preocupação é o impacto no ecossistema mais abrangente, bem como a confiança nas regras e nas instituições", afirmou Molango.

"Se há uma lição a retirar, é a de que precisamos de ter regras, essas regras precisam de ser cumpridas e tem de haver uma consequência. Mas essa consequência tem de ser imediata".

Molango lamentou o facto de os jogadores serem apanhados no meio da incerteza.

"O caso do City é um caso que está a ser analisado. Todos esperávamos que tivesse sido concluído ontem ou anteontem, mas não foi isso que aconteceu", afirmou. "Há seres humanos por trás de todas essas histórias e pessoas que tentam alcançar determinados objetivos nas suas carreiras".

"O que devemos a todos nesta indústria é certeza, seja qual for o significado concreto dessa certeza. Trata-se de saber quais são as regras e garantir que as cumprimos".

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