Guardiola é o maior treinador da história do City e responsável por construir uma das maiores dinastias que o futebol inglês já conheceu – mas tudo tem um fim, e a sua saída marca o início de uma nova era para os Cityzens.
Enzo Maresca foi nomeado para o seu lugar e trará as suas próprias ideias ao Etihad Stadium, mas uma das questões mais urgentes é a escolha de um novo capitão, tendo em conta que vários jogadores experientes também estão de saída.
John Stones deixou o clube após 10 anos e 295 jogos em Manchester, tal como o capitão Bernardo Silva, que esteve nove anos no clube e participou em 460 partidas.
O pilar defensivo Nathan Aké também saiu mais cedo nesta janela, após 177 jogos ao longo de seis épocas.
É praticamente impossível substituir de imediato tanta experiência a sair de uma só vez – e isto sem contar com a possível venda do vencedor da Bola de Ouro Rodri – mas Maresca terá de olhar para os jogadores que herdou para escolher o próximo capitão do clube.
Como funciona o City na escolha do capitão?
Apesar de o Manchester City ter um capitão tradicional que enverga a braçadeira em campo, o método de escolha do líder era algo pouco convencional.
Guardiola permitia que os jogadores escolhessem quem consideravam ser o mais indicado para o papel – com Bernardo Silva, Kevin De Bruyne, Kyle Walker, Ilkay Gundogan, Fernandinho e David Silva a assumirem a braçadeira durante o mandato do espanhol (Vincent Kompany era o capitão antes da chegada de Guardiola e manteve o cargo até sair em 2019).
No verão passado, também foi escolhido um grupo de liderança para orientar o clube ao longo da época. Bernardo Silva, Rodri, Erling Haaland e Rúben Dias foram os nomes escolhidos por Guardiola.
Deste grupo, Bernardo Silva já saiu e cresce a especulação de que Rodri poderá seguir o mesmo caminho; o Barcelona está a tentar contratá-lo e, segundo se diz, prepara uma segunda proposta mais próxima da avaliação do City para o médio.
Isto deixaria pelo menos duas vagas para Maresca preencher antes do início da época e, segundo um artigo do The Athletic, o treinador pretende acrescentar uma presença inglesa ao grupo de liderança, além de escolher o seu próprio capitão.
Quem está na corrida para a braçadeira?
Haaland e Rúben Dias continuam no clube e, tendo ambos integrado o grupo de liderança na época passada, parecem ser boas opções para assumir a braçadeira de capitão.
O português está no City desde 2020 e conquistou 11 troféus nos últimos seis anos, somando 255 jogos pelo clube.
O defesa seria uma escolha acertada para receber a braçadeira e pode ajudar a guiar um Manchester City renovado de volta à luta pela Premier League, já que tem experiência e já venceu a competição quatro épocas seguidas, de 2021 a 2024.
Importa ainda referir que Rúben Dias foi nomeado capitão nos dois jogos de pré-época em que foi titular até agora.

Haaland é igualmente uma escolha sólida, com o seu registo goleador a bater recordes e a ajudar o City a conquistar vários troféus desde que chegou a Manchester.
Além disso, tem praticamente lugar garantido na maioria dos jogos quando está em condições, o que já não se aplica a Rúben Dias, que teve problemas físicos e acabou por perder o lugar no onze inicial na época passada.
Existe também, com razão ou não, uma questão de imagem ao nomear Haaland como capitão – o avançado é um dos futebolistas mais reconhecidos do mundo e ganhou ainda mais notoriedade após um Mundial de sucesso com a Noruega.
Fora estes dois, o alegado interesse em acrescentar um inglês ao grupo de liderança é interessante.

Marc Guehi e Phil Foden são os dois principais jogadores ingleses do clube que também têm a experiência necessária para liderar.
O primeiro foi capitão do Crystal Palace antes de chegar ao City e já envergou a braçadeira da seleção inglesa, o que mostra o respeito que tem nos bastidores.
Foden, por sua vez, é formado na academia e tem sido presença constante no sucesso do clube desde que se afirmou na equipa principal, mesmo que o seu rendimento tenha baixado nos últimos dois anos.
Com Maresca, todos têm uma nova oportunidade e o jogador de 26 anos deverá desempenhar um papel importante na próxima época, procurando voltar ao seu melhor nível.
“Obviamente estou no clube há muito tempo, sou um dos últimos jogadores a estar aqui há tanto tempo. Por isso, acho que tenho de ser, esta época, um dos líderes, um dos capitães ou estar por perto, sem dúvida", disse Foden após renovar contrato.
O inglês foi capitão no primeiro jogo de pré-época do City este verão.
Fora deste quarteto, é difícil perceber a quem mais Maresca poderá recorrer na procura do novo capitão.
Gianluigi Donnarumma parece uma opção fiável, tendo jogado futebol ao mais alto nível durante quase uma década, enquanto, se olharmos apenas à experiência, Mateo Kovacic é o jogador mais veterano que resta no plantel.
Se houvesse uma reviravolta no futuro de Rodri e ele decidisse comprometer-se com o clube, seria certamente a melhor opção entre os disponíveis.
O Manchester City está a atravessar um verão de mudanças e Maresca enfrenta uma das suas primeiras grandes decisões como novo treinador do clube.
