"É uma vergonha para o futebol. O futebol é um desporto tão grandioso e não podemos ter histórias destas", disse Karem Fagega, um estudante de 21 anos da cidade do noroeste de Inglaterra, abanando a cabeça, incrédulo, perante a queda de "uma equipa tão boa".
Uma comissão independente concluiu que o clube apoiado por Abu Dhabi celebrou contratos "fictícios" com vários parceiros comerciais para inflacionar artificialmente as suas receitas e reduzir custos em mais de 900 milhões de libras entre 2009 e 2018.
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Nesse período, o City conquistou o título da Premier League por três vezes, além de uma Taça de Inglaterra e três Taças da Liga.
"Eles têm dinheiro para fazer tudo bem, mas decidiram fazer tudo mal. Por isso, fiquei de certa forma chocado quando soube do caso", disse Sabrina Lodi, uma gestora de contas de 33 anos, depois de a notícia ter sido divulgada na terça-feira.
Disse, no entanto, que, na sua opinião, o Manchester City "não é o único a fazer isso em todo o mundo", mas apenas "o que foi apanhado".
Para Connor Emery, um funcionário do comércio de 25 anos que apoia o rival do City na Premier League, o Liverpool, o veredicto "arrasador" foi uma surpresa.
"Sinceramente, não consigo acreditar. Nunca pensei que o clube pudesse ter problemas por alguma coisa", disse, admitindo que esperava que o escândalo fosse "varrido para debaixo do tapete".
Questionadas sobre as possíveis consequências para o clube, algumas pessoas disseram querer a despromoção, mas esperavam que o clube conseguisse evitá-la.
A ministra britânica do Desporto, Lisa Nandy, avisou que "a sanção máxima é mesmo muito grave" e que um clube "pode ser expulso da Premier League".
"Pessoalmente, acho que devia haver uma despromoção", disse Corey, um estudante de 18 anos adepto do outro clube de Manchester, o United, mas o resultado "depende do que a Premier League tiver previsto".
"Eu gostaria de ver uma despromoção, provavelmente com uma dedução de pontos que os fizesse descer de divisão", disse Emery.
Mas mostrou-se cético quanto à possibilidade de isso acontecer e acrescentou, encolhendo os ombros: "Provavelmente vai ser uma multa, sejamos realistas".
Nas primeiras reações de pessoas próximas do clube, o antigo defesa do City, Micah Richards, disse no podcast The Rest is Football estar "absolutamente devastado" pelas revelações sobre o clube onde começou a jogar aos 14 anos.
"Sinto-me triste. Sinto-me zangado. Sinto-me um pouco confuso", acrescentou, referindo a falta de informação e as versões contraditórias depois de o diretor executivo do clube, Ferran Soriano, ter classificado o veredicto como uma "teoria da conspiração da Premier League" e insistido que o clube "seria ilibado".
O antigo capitão do Manchester United, Roy Keane, disse que, se fosse jogador do City, deitaria fora todas as medalhas.
"Eles sabiam que iam magoar muitas pessoas, mas fizeram-no na mesma e, se eu fosse jogador, colocaria essas medalhas no lixo sem hesitar", disse à televisão ITV.
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O escândalo Manchester City
O Manchester City foi considerado culpado, a 29 de setembro, de todas acusações de incumprimento dos regulamentos financeiros da liga inglesa e da UEFA, durante o período de nove anos, entre 2009 e 2018, de acordo com a decisão da comissão independente responsável pelo caso.
E agora, o que pode acontecer na Premier League? E que recordes de deduções de pontos pode o City bater em Inglaterra? Caso sejam retirados os pontos, quem será campeão?
