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Em conversa exclusiva com o Flashscore, Túlio recordou as dificuldades que enfrentou no início da carreira e falou sobre a rápida ascensão da quarta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Recém-chegado ao clube de Santa Catarina, o jovem avançado atravessa um bom momento na elite brasileira e não esconde a ambição de, no futuro, disputar a Liga dos Campeões.
Dos salgados na rua aos golos no Brasileirão
“Estava num clube e recebia apenas um salário mínimo. A minha filha tinha um ano e eu precisava de sustentar a casa. Como o salário não chegava e costumava atrasar-se, falei com a minha mulher e chegámos a um acordo: ela ajudou-me a pagar o cartão e usámos o limite para abrir a lanchonete”, contou o jogador.

Natural de Pernambuco, Túlio iniciou o percurso na formação do Retrô e chegou também a representar o Santa Cruz. Na altura em que mantinha a lanchonete, o maior desafio, conta, era conciliar a rotina de futebolista com o trabalho no negócio familiar:
“Levantava-me cedo para montar a banca e saía para comprar os ingredientes. Enquanto a minha mulher começava a preparar tudo, eu ia treinar. Assim que o treino terminava, voltava para vender com ela. Acordava às 5:30 e, em muitos dias, só ia dormir às duas da manhã. Não era a rotina ideal para um atleta, mas era o que precisava de fazer naquele momento”, acrescentou.
Da Serie D para a Serie A
Antes de vestir a camisola da Chapecoense, Túlio representava o Decisão, na quarta divisão do futebol brasileiro. Com nove participações em golos (oito golos e uma assistência), o ponta de lança de 1,87 metros destacou-se e despertou o interesse do emblema de Santa Catarina.
“Na Série A, o jogo é bastante técnico e estudado. As equipas dão-nos uma falsa sensação de controlo para depois surpreenderem e marcarem. Nas divisões inferiores, os jogos são mais físicos, com mais contacto e força”, explicou o avançado.

Segundo os dados da Opta, Túlio tem demonstrado uma boa adaptação à elite do futebol brasileiro. Com presença frequente na área e um volume de remates acima da média, 2,8 por jogo, o avançado tem-se destacado também pela eficácia no último terço.
“Esta boa adaptação deve-se a todo o grupo. Graças a Deus tenho marcado golos, mas preciso de todos aqui. Desde que cheguei, recebi muito apoio, porque todos sabiam que estava um pouco nervoso por vir da Série D”, afirmou o jogador.
Estratégia de avançado

Uma das estratégias adotadas pelo novo ponta de lança da Chapecoense passa por explorar as zonas menos povoadas do terreno, de forma a surgir como elemento surpresa. A fórmula, que tem dado resultados, foi aperfeiçoada por Túlio nas divisões inferiores.
“O segredo tem sido procurar o espaço vazio. Contra o Bahia, por exemplo, quando o Giovanni Augusto dominou a bola e entrou na área, a primeira coisa que fiz foi colocar-me nas costas do David Duarte, que é muito forte fisicamente, para atacar aquele espaço. Foi assim que consegui marcar”, explicou o avançado.

A magia da Arena Condá e o sonho da Champions
Ao estrear-se a marcar na Arena Condá, Túlio destacou a emoção de atuar num estádio marcado por tantas histórias e emoções nos últimos anos:
“Senti que a Chapecoense é um clube muito familiar. Todos têm dado um apoio enorme a mim e à minha família. O pessoal do clube tem acolhido muito bem a minha mulher quando jogamos fora de casa. No final da partida, ouvir os adeptos a gritarem o meu nome foi algo muito emocionante”, afirmou o avançado.
Questionado sobre o maior objetivo da carreira, Túlio revelou o sonho de disputar a Liga dos Campeões, embora tenha sublinhado que a prioridade passa por ajudar a Chapecoense a ultrapassar o momento delicado no campeonato.
“Levo comigo uma frase que diz: ‘se é para sonhar, exagera’. Sonhar não custa nada, por isso prefiro sonhar alto. Quero jogar na Liga dos Campeões e sei que é possível, porque hoje estou a viver aquilo que, há pouco tempo, parecia distante: jogar na Serie A. Quero trabalhar muito para me manter na elite e o meu primeiro objetivo é tirar a Chapecoense desta situação”, concluiu o avançado.
