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Mas até quando dura a "paciência" do Grupo City com os técnicos das suas equipas e quais são os critérios avaliados para manter um técnico pressionado no cargo?
Adeus, Rogério?
As eliminações precoces do Bahia — na Taça do Brasil e na Libertadores — geraram um cenário inédito para os adeptos tricolores em mais de 20 anos: um calendário vazio. Ao fim de 2026, o Esquadrão terá disputado somente 53 jogos, o menor número desde o ano da queda para a Série C, em 2005. Diante da marca negativa, o grito de “Fora, Ceni!” tem ficado cada vez mais forte nas bancadas.
Parte dos adeptos do Bahia pede uma troca no comando técnico após a partida contra o Botafogo. O objetivo seria dar a um novo treinador o período de pausa para o Mundial para conhecer o plantel e reestruturar a equipa para a segunda volta.

A maioria das demissões de técnicos em equipas administradas pelo Grupo City ocorreu justamente em finais de temporada ou durante pausas nos campeonatos locais, motivada por campanhas abaixo dos objetivos, eliminações ou longas sequências de maus resultados.
Como são as saídas de treinadores no Grupo City
Equipas da UEFA:
Manchester City
Com apenas dois treinadores em 13 anos, o Manchester City destaca-se como o principal pilar do grupo. A ideia de planeamento a longo prazo aplicada às demais equipas tem como espelho os Citizens, que mantiveram Pep Guardiola mesmo em momentos de forte turbulência, como a crise enfrentada pelo clube ao acumular nove derrotas em 12 partidas — o pior momento da carreira do técnico catalão.

No modelo de gestão do clube inglês, os dois últimos treinadores só deixaram o cargo no fim dos seus contratos. No caso de Guardiola, a saída ocorreu após a ativação de uma cláusula contratual que permitia antecipar o fim do vínculo, sem gerar prejuízos financeiros ou burocráticos para nenhuma das partes.
Girona
No emblema espanhol, a LaLiga 2 foi o divisor de águas nas relações entre o Grupo City e os técnicos desde a chegada da holding em 2017. A descida na temporada 2018/19 sob o comando de Eusebio Sacristán provocou a queda do treinador. Logo após a sua saída, Juan Carlos Unzué foi contratado e a má sequência nos 12 jogos disputados fez a direção mudar o comando novamente em apenas quatro meses.
Com quase cinco anos à frente da equipa, Míchel Sánchez foi a demissão mais recente do clube após sofrer mais uma descida à LaLiga 2.

Palermo, Troyes e Lommel
O único técnico do Palermo a ser demitido desde a chegada do grupo em 2022 foi Eugenio Corini, ídolo do clube. O acumular de insucessos na Série B do futebol italiano. Corini não conseguiu o apuramento para os play-offs de subida em 2022/23. Na temporada seguinte, após uma nova sequência de resultados negativos que ameaçou os planos de regresso à elite, acabou por ser dispensado pelo Grupo City após quase dois anos de trabalho.

Depois de alcançar apenas três vitórias em 14 jornadas, Bruno Irles (10 meses de trabalho) foi demitido do cargo de técnico do Troyes na temporada 2022/23 — mesmo tendo mantido a equipa na elite francesa no ano anterior, cumprindo o principal objetivo do clube na época. No Troyes desde 2020, o Grupo City passou a ter a permanência na Ligue 1 como prioridade.
A paciência do City Football Group foi testada ao limite na sequência, durante o trabalho de Patrick Kisnorbo, que ficou um ano no comando técnico e venceu somente três dos seus 40 jogos sob o comando da equipa francesa.
Já o seu substituto, David Guion, teve menos tolerância: acabou demitido após oito meses, devido ao mau desempenho na Ligue 2 em 2023/24, agravado por problemas internos com a direção.
CONCACAF e AFC
No New York City ocorreram apenas duas demissões desde 2013 — ano de início da gestão do grupo: Jason Kreis (1 ano e 11 meses no cargo) e Nick Cushing (2 anos e 5 meses no cargo) foram dispensados por não atingir os objetivos estratégicos pré-estabelecidos.
Já no Melbourne City, Rado Vidošić e Michael Valkanis figuram como os únicos demitidos da história do clube, que faz parte do conglomerado desde 2014. A eliminação precoce na A-League em 2017 fez Valkanis durar apenas quatro meses no cargo. Vidošić comandou o clube por um ano antes de ser dispensado pela má sequência de jogos e goleadas sofridas.
Desde 2014 a fazer parte do Grupo City, o Yokohama F. Marinos só demitiu um treinador nestes 12 anos: o australiano Harry Kewell, que resistiu menos de um ano no cargo. Para os padrões do clube japonês, a permanência no meio da tabela da J-League foi considerada inaceitável pelo grupo.

Em 2019, o Grupo City passou a administrar o Shenzhen Peng. Desde então o clube demitiu três técnicos. As quedas de Li Yi (1 ano e 5 meses de clube) e Wang Hongwei (1 ano e 3 meses de clube) foram motivadas pela estagnação no desempenho da equipa. Já Jesús Tato (2 meses e 8 dias de trabalho) caiu após uma sequência de derrotas que afundou o clube na zona de descida.
CONMEBOL
Com dois clubes na América do Sul — Montevideo City Torque e Bahia —, o Grupo City adota uma alta rotatividade de técnicos na equipa uruguaia, cenário que contrasta com o modelo aplicado no Brasil.
Desde o início da administração da holding no Uruguai, em 2017, o City Torque já demitiu quatro treinadores por mau desempenho:
- Román Cuello (9 meses de trabalho) - eliminação na Libertadores e mau desempenho no campeonato uruguaio
- Sebastián Eguren (4 meses de trabalho) - demitido após cinco derrotas consecutivas
- Ignacio Ithurralde (3 meses de trabalho) - 12 jogos sem vencer e entrada na zona de descida
- Leonardo Ramos (8 meses de trabalho) - Descida e instabilidade na equipa
O jogo da vida
Para o Bahia, um novo deslize diante do Botafogo antes da paralisação para o Mundial, significa atingir o seu pior jejum de triunfos desde o início da era City. Para Rogério Ceni, o confronto pode ser a gota de água num caldeirão de frustrações que já transborda nas bancadas tricolores.

