No entanto, em 2024, o magnata norte-americano tinha sido erguido a herói pelos adeptos: o clube do Rio, que tinha adquirido dois anos antes, acabara de alcançar um fabuloso feito, conquistando na mesma época o título de campeão do Brasil e a Copa Libertadores.
Mas a situação financeira deteriorou-se, com o clube a registar uma dívida de 2,7 mil milhões de reais (cerca de 460 milhões de euros), segundo relatórios oficiais.
John Textor, de 60 anos, que liderava um conglomerado que incluía nomeadamente o Lyon, mas também o Crystal Palace, vendido no ano passado quando começaram os problemas financeiros, pretende manter-se até ao fim no Botafogo, mesmo tendo sido afastado da direção por um tribunal arbitral no mês passado.
E na quinta-feira, novo aviso: foi publicamente desautorizado pela primeira vez pela SAD Botafogo, sociedade anónima que gere o clube.

Num comunicado sucinto, a SAD acusa-o de não se ter "preocupado absolutamente com a estabilidade financeira e institucional" do clube, mergulhando-o numa situação "extremamente frágil".
Fernanda Gondim, jornalista desportiva que acompanha o Botafogo diariamente, disse à AFP que os problemas de tesouraria são tão "críticos" que foi necessário "recorrer a um empréstimo para pagar os salários de março".
As manobras de Textor
O afastamento de John Textor da direção do Botafogo teve origem num litígio com o conglomerado Eagle Football Holdings Bidco.
Este grupo, com o qual o norte-americano controlava o clube brasileiro, o Crystal Palace, o Lyon e a equipa belga do Molenbeek, foi colocado sob administração judicial no final de março em Inglaterra.
Para manter pelo menos o controlo do Botafogo, John Textor garantiu ter chegado a um acordo com o fundo de investimentos Ares, principal credor da Eagle Bidco, para um "reforço de capital", sem adiantar mais pormenores.
Para Fernanda Gondim, parece "muito pouco provável" que consiga recuperar o controlo do clube do Rio, com os sócios "a quererem vê-lo participar o mínimo possível".

Novos pretendentes
O Botafogo nomeou esta semana como novo diretor-geral Eduardo Iglesias, de 31 anos. Este economista, que trabalhou com John Textor no clube e na Eagle Bidco, desentendeu-se com o norte-americano nos últimos meses.
O clube recebeu uma proposta do fundo de investimentos norte-americano GDA Luma, que pretende tornar-se o acionista maioritário, indicou à AFP uma fonte próxima das negociações que pediu anonimato.
Este fundo, especializado em ativos de risco, investiu no Cirque du Soleil quando este estava à beira da falência. O Botafogo poderá, aliás, vir a ser colocado também em processo de recuperação judicial.
É um procedimento "menos traumático do que parece", explica a mesma fonte anónima: "Permite reestruturar radicalmente a dívida", tendo sempre como "prioridade" a sobrevivência do clube.
E dentro de campo?
Atualmente proibido de contratar jogadores, o clube conseguiu em abril, junto da justiça brasileira, a condenação do Lyon ao pagamento de 20,8 milhões de euros por dívidas em atraso.
Longe do nível apresentado em 2024, quando atingiu o topo do futebol sul-americano, o Botafogo encontra-se atualmente a meio da tabela na Série A do Brasil.
"Conseguimos manter-nos afastados" dos problemas extra-desportivos, afirmou ainda no mês passado o treinador da equipa, o português Franclim Carvalho.
No entanto, os problemas financeiros afetaram claramente a qualidade do plantel: o clube não conseguiu segurar os seus jogadores mais talentosos da época 2024, como Thiago Almada, Luiz Henrique ou mais recentemente Jefferson Savarino.
