Inspirada pelo jogador, a adepta do Atlético-MG Carolina Marques, de 22 anos, criou a Galeitura, um clube do livro que já conta com mais de 700 participantes, segundo a fundadora. No Instagram, a iniciativa ultrapassa os 80 mil seguidores. O projeto foi ainda além da leitura: em parceria com o Instituto Galo, o Atlético-MG está a promover uma campanha de doação de livros infantojuvenis em Belo Horizonte.
A crítica que esteve na origem de tudo foi publicada a 2 de setembro no Canal do Scarpinha. O canal de YouTube existe desde 2021, mas foi apenas em agosto que o médio decidiu transformá-lo num espaço dedicado às suas leituras. Até esta quarta-feira, dia 23, o vídeo sobre Tolstói soma 633 mil visualizações.
O impacto foi imediato. Além de chegar ao topo da lista de mais vendidos da Amazon, o livro disparou no Google Trends após a publicação do vídeo, e quem pesquisou pela obra também procurou pelo nome "Scarpa", segundo a CNN Brasil. Não por acaso, A Morte de Ivan Ilitch foi o livro escolhido para inaugurar a Galeitura.
A repercussão chegou à imprensa nacional e voltou a colocar em evidência um dado pouco animador: no Brasil, apenas 18% da população com 18 ou mais anos comprou pelo menos um livro em 2025, segundo o estudo Panorama do Consumo de Livros.
Leitor antes do YouTube
O gosto de Scarpa pela literatura não é propriamente uma novidade. Em 2021, ainda ao serviço do Palmeiras, já tinha viralizado nas redes sociais ao comentar alguns clássicos. No Atlético-MG, o hábito chegou também ao balneário. Scarpa ofereceu ao argentino Tomás Cuello um exemplar de A Morte de Ivan Ilitch e já mostrou nas redes sociais companheiros como Tomás Pérez e Victor Hugo de livro na mão.
"A coisa está a ficar séria", brincou o médio numa das publicações.
Pelas críticas do jogador já passaram também A Noite, de Elie Wiesel, e O Senhor das Moscas, de William Golding.

Efeito dominó e revés no Cruzeiro
A ideia não demorou a ultrapassar as fronteiras do Atlético-MG. Na segunda-feira, dia 21, adeptos do Corinthians lançaram a Fiel Leitura, acompanhada por um manifesto que destaca a influência dos jogadores e dos clubes na vida dos adeptos e desafia outras claques a seguirem o exemplo, "mesmo que não tenham um Scarpa nas suas equipas".
No Cruzeiro, porém, a experiência teve um desfecho bem diferente. O perfil Cruleitores foi criado também na segunda-feira, com o objetivo de aproximar futebol e literatura, mas acabou por durar menos de um dia. Poucas horas depois, começou a ser alvo de ataques nas redes sociais.
Adeptos de Atlético-MG e Cruzeiro acusaram o projeto de copiar a Galeitura, com algumas das críticas mais duras a surgirem da própria massa adepta celeste. Antes de apagar a conta, na manhã de terça-feira, dia 22, os responsáveis relataram ter recebido insultos e até mensagens como "morra logo".
Após o encerramento, outro perfil anunciou que daria continuidade à iniciativa e manifestou apoio às criadoras do Cruleitores. A própria Galeitura também saiu em defesa do projeto rival, com uma mensagem que resume o espírito do movimento: "Gente a ler gera gente a ler e é isso que importa!"
