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Darmian lamenta saída do Inter: "Gostaria de ter ficado mais um ano"

Matteo Darmian
Matteo DarmianANDREA DIODATO / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Matteo Darmian garante que ainda não pensa pendurar as botas. Sem clube após deixar o Inter, o defesa italiano pretende continuar a jogar, de preferência na Serie A, e admite que as duas finais da Liga dos Campeões perdidas são os maiores arrependimentos da passagem por Milão.

Matteo Darmian não considera terminada a sua carreira como futebolista. Após a saída do Inter, o defesa nascido em 1989 encontra-se sem clube, mas continua a olhar para o relvado. Numa entrevista concedida ao La Gazzetta dello Sport, o ex-nerazzurro falou sobre o presente, a ligação ao clube e os arrependimentos deixados pelos últimos anos.

"Acontece que estou bem e quero continuar a jogar. Não tenho restrições, ouço e avalio as propostas que chegam, mas preferia ficar em Itália", conta o jogador.

A saída do Inter e a renovação que não aconteceu

Darmian teria gostado de prolongar a sua aventura de azul e preto. O clube, porém, optou por outro caminho. Uma decisão que o jogador aceita, embora não esconda a tristeza: "Digamos que teria gostado de fazer mais um ano de nerazzurro, admito. O clube, no entanto, fez outras escolhas e respeito-as, mas sinto-me ainda um jogador de Serie A, mesmo com a minha idade".

O balanço dos seus anos no Inter continua a ser muito positivo. Darmian sai após um ciclo repleto de conquistas, mas também com o peso de duas finais europeias perdidas no momento decisivo: "Três scudetti, três Taças de Itália, três Supertaças e duas Champions apenas tocadas, em Istambul e Munique: esses troféus que escaparam são os meus maiores arrependimentos. O Inter mudou-me a vida, tanto como homem como jogador". 

"Em Appiano encontrei um ambiente extraordinário, onde me senti bem desde o primeiro dia e pude dar o meu máximo. Isso permitiu-me escrever uma pequena parte de uma história incrível. Estaria a mentir se dissesse que não sinto falta: quando estiveste bem num lugar, é difícil partir... Mas estou tranquilo porque sei que dei tudo."

Conte, Inzaghi e Chivu no ciclo nerazzurro

Entre os momentos mais marcantes da entrevista está também a referência aos treinadores que teve no Inter. Darmian atribui a Conte o início do ciclo vitorioso, a Inzaghi a capacidade de o consolidar e a Chivu o mérito de ter entrado num grupo forte numa fase complicada: "Com o Conte foi mais fácil integrar-me porque já o conhecia da seleção. Transmitiu-me uma mentalidade vencedora e lançou as bases do ciclo. O Inzaghi deu continuidade, deixando-nos mais liberdade em campo: lamento não termos vencido ainda mais, mas fomos sempre competitivos". 

"O Chivu encontrou um grupo forte, mas num momento delicado do ponto de vista psicológico. Percebeu logo que, antes da tática, era preciso recuperar o equilíbrio mental", explica o defesa.

Darmian, Thuram, Bastoni e Acerbi
Darmian, Thuram, Bastoni e AcerbiMARCO LUZZANI / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Darmian reivindicou ainda a sua forma de estar no grupo: sem procurar protagonismo, mas tentando garantir fiabilidade, trabalho e disponibilidade: "Simplesmente o meu ser Matteo. E é assim que gostaria de ser recordado pelos adeptos, como um rapaz e um jogador simples. Nunca procurei dar nas vistas, mas tentei sempre ser um bom soldado e fazer da melhor forma possível aquilo que me era pedido."

O futuro: ainda em campo, talvez depois no banco

O Inter já lhe tinha apresentado uma possível via fora do relvado, no setor de formação. Darmian, porém, para já não se sente preparado para parar: quer continuar a jogar, embora no futuro a ideia de treinar continue presente: "O Inter tinha-me proposto um papel no setor de formação: foi uma honra, mas não era o momento. Gostava, no entanto, de um dia treinar, começando pelos jovens".

Para terminar, o ex-nerazzurro recordou também uma das figuras mais importantes da sua formação, Chicco Evani, que conheceu nos tempos do setor de formação do Milan: "Além do meu pai, o Chicco Evani. Nos Giovanissimi do Milan deixava-me muitas vezes de fora, mas em privado dizia-me sempre: 'Confia em mim e continua assim'. Na altura não percebia, mas ele tinha razão: foi ele que me ensinou a ter paciência. E outro treinador disse-me uma frase que ainda hoje guardo: 'Cada meta é um começo'. Por isso, agora quero começar de novo".