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O dérbi de Milão terá um convidado especial. Kakà regressará a San Siro para ser homenageado antes do jogo frente ao Inter e entrar oficialmente no Hall of Fame do Milan, recebendo um troféu criado pela Tiffany & Co., marca da qual é embaixador no Brasil.
Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o antigo Bola de Ouro falou sobre o presente do Milan, a luta pelo título e os jogadores em quem apostaria para o dérbi. Também recordou alguns momentos da sua carreira e deteve-se na relação com Gennaro Gattuso e no futuro da seleção brasileira.
Kakà aposta em Ramos e Modric: "Milan está em construção"
O brasileiro vê uma equipa muito diferente daquela das últimas épocas, sobretudo na distribuição das responsabilidades ofensivas. Kakà sublinhou a mudança face ao período em que a principal referência era Rafael Leão: "Está em construção. Durante sete anos, foi o Milan de Leão, um jogador enorme em quem se apostava muito. Agora é diferente, a equipa é um coletivo com rostos novos e dois mestres: Modric continua a ser o cérebro e depois há Rabiot. E Ramos é um goleador".
O antigo número 22 rossonero considera, ainda assim, necessário dar tempo ao novo grupo, sem abdicar das ambições: "Será preciso algum tempo para montar a equipa. O importante é apontar sempre para o topo, também na Liga Europa".

Quanto aos possíveis protagonistas do dérbi, Kakà destacou sobretudo os jogadores capazes de fazer a diferença na gestão da bola e nos últimos metros: "Modric e Rabiot são mestres, conseguem gerir o jogo e ditar o ritmo. Pulisic encanta-me pela sua inteligência de jogo. Gonçalo é um goleador. Quanto ao Inter, é uma equipa consistente, sólida, e os perigos são muitos".
O brasileiro também recordou a época anterior, que terminou sem a qualificação para a Liga dos Campeões: "Acredito que todos os adeptos esperavam a qualificação para a Liga dos Campeões. Foi uma quebra física, mental? Talvez um pouco de tudo. Quando a confiança começa a faltar, tudo muda. Agora, porém, é preciso lutar para regressar à mais bonita das competições europeias. A Liga dos Campeões é especial".
Kakà não exclui o Milan da luta pelo título
A vantagem dos nerazzurri na classificação não é suficiente para convencer Kakà de que o campeonato já tomou um rumo definido. O antigo fantasista reconhece os méritos da equipa de Cristian Chivu, mas considera que a luta pelo título continua em aberto: "É o clube que continua a fazer um bom trabalho depois da época passada. É a equipa a bater, mas nós, milanistas, podemos fazê-lo já neste dérbi".
Também houve palavras positivas para o treinador do Inter, que, segundo Kakà, encontrou as soluções certas depois de um início complicado: "O Chivu foi uma bela surpresa como treinador. No início, o Inter não jogava bem, mas depois corrigiu o rumo".

O brasileiro não considera, contudo, os nerazzurri inalcançáveis e pede ao Milan maior consistência: "Mas não diria que a luta pelo título é uma corrida a solo, como pensam em Itália: vejo o jogo em aberto e o caminho para o título ainda mais aberto. O campeonato é longo. No entanto, o Milan tem de procurar ser consistente, tem de encontrar regularidade. Até agora, tinha estado melhor no campeonato do que na Europa. Haverá momentos de quebra das outras equipas e será preciso aproveitá-los".
Apesar da forte rivalidade entre os dois clubes, Kakà guarda também boas recordações dos adversários que defrontou ao longo da carreira. O Inter, explica, ajudou-o a crescer precisamente pelo nível dos jogos: "Uma relação de grande respeito. O Inter fez-me crescer imenso porque sempre encarei a competição como algo que me faz crescer".
À rivalidade desportiva juntavam-se também amizades importantes, sobretudo com os compatriotas: "Mas com os brasileiros do meu tempo, Maicon, Julio e os outros, havia amizade. E também com os argentinos: muitos outros eram e continuam a ser amigos, como Materazzi".
Do primeiro golo com Gattuso ao Hall of Fame
O dérbi tem um significado especial para Kakà, que marcou precisamente frente ao Inter o seu primeiro golo com a camisola do Milan. Uma recordação ligada a outro protagonista da história rossonera: "Golo de cabeça, após um cruzamento do Rino Gattuso. Foi também o meu primeiro golo com a camisola do Milan. Fantástico".
O antigo médio recordou depois a intensidade com que a rivalidade era vivida na cidade, citando também os duelos europeus: "A cidade vive este jogo de uma forma especial. Entre as recordações, naturalmente destacaria o dérbi da Liga dos Campeões nos quartos de final".
A propósito de Gattuso, Kakà afirmou estar particularmente feliz com o percurso do antigo companheiro, atualmente no comando técnico da Lazio: "O trabalho de treinador é difícil. Agora, o Rino está a fazer um trabalho verdadeiramente bom como treinador. Tem um caráter muito especial, é alguém que quer sempre ganhar e fico feliz por ele conseguir expressar-se da melhor forma. É um grande amigo, torço sempre pelos meus amigos e estou muito feliz".
Uma carreira como treinador, por outro lado, não parece fazer parte dos seus planos imediatos, embora não feche totalmente a porta: "Digamos que não, pelo menos para já. As tensões e o trabalho de treinador não são para mim. Mas podemos voltar a falar disso daqui a uns dois anos".
Entretanto, a sua relação com Milão continua muito forte. Kakà contou que gosta sobretudo de passear pelo centro e por Brera, onde aprecia parar para tomar um café e conversar com as pessoas. É precisamente esta ligação à cidade que torna ainda mais significativo o reconhecimento que receberá antes do dérbi.
De Ancelotti à Bola de Ouro
Durante a entrevista, Kakà comentou também as demissões de Paolo Maldini e Leonardo dos respetivos cargos na seleção italiana. O antigo jogador rossonero teria preferido ver os dois dirigentes prosseguir o seu trabalho: "Fiquei surpreendido com o pouco tempo que passou antes das suas demissões. À distância, é difícil julgar, mas acredito que teria sido bom para o futebol italiano ter pessoas tão competentes na liderança. Espero que a Itália recupere rapidamente o seu lugar".
Quanto ao Brasil, a opinião sobre o trabalho de Carlo Ancelotti é de confiança, apesar das dificuldades encontradas no Mundial: "No Mundial, não foi muito bem, mas é preciso algum tempo. A seleção é diferente de um clube, onde se está todos os dias a avaliar os jogadores. O Carlo só pôde trabalhar com o grupo durante um ano". O brasileiro olha sobretudo para o próximo ciclo, convencido de que o treinador italiano poderá beneficiar de uma preparação mais longa: "Por isso, tenho muita confiança".

Vencedor da Bola de Ouro em 2007, Kakà também deu a sua opinião sobre a atribuição do prémio a Harry Kane, escolhido à frente de Kylian Mbappé e Lamine Yamal: "Foi uma escolha justa. O Harry Kane esteve muito bem, foi protagonista no Bayern Munique e ganhou imenso. O Mbappé não conquistou muito com o Real Madrid, o Lamine alcançou títulos com o Barcelona, mas não foi tão determinante como se esperava. Terão o seu momento, mas parece-me uma escolha coerente tendo em conta o rendimento na época".
Por fim, houve palavras de apreço por Cesc Fàbregas, que continua a alcançar resultados importantes no comando do Como: "Sim, encontrei o Cesc no Mundial, conversámos um pouco e dei-lhe os parabéns, porque é muito bom o trabalho que está a fazer com o Como. Não nos podemos esquecer de que o futebol italiano é difícil e que os jogadores são muito importantes, mas ele está a gerir tudo da melhor forma".

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