“É uma honra para mim poder usar esse número que foi de Clodoaldo, Renato, Elano, todos referências para mim. Fico muito feliz de poder representar. Sempre gostei desde a época da formação. Feliz de poder estar com esse número agora”, disse Bontempo em julho, quando trocou a camisola 49 pelo mítico número 8.
A mudança de número surgiu no meio de uma sequência de boas notícias. Bontempo chegou à seleção brasileira em setembro, recebeu elogios de Cuca e ganhou ainda mais espaço em campo, especialmente depois da chegada de Philippe Coutinho.
Agora, com a convocatória para a Data FIFA de novembro (jogos contra Japão e Singapura), uma constatação que pode mudar o meio-campo do Brasil. E ganhou até elogios de Carlo Ancelotti.

O futuro do jovem de 21 anos na Vila Belmiro pode até ser curto e a oportunidade de jogar ao lado do ídolo Neymar, marcada também pelas suspensões do camisola 10, pode ser efêmera. Mas os números ajudam a explicar como o médio encaixou na equipa e como poderá ajudar o Brasil.
Precisão nos passes
Bontempo tem papel central na articulação do meio-campo santista. É o líder da equipa em passes que chegam ao último terço, com 378, e em passes certos nessa região, com 306. O aproveitamento de 81% mostra a sua capacidade de fazer a bola avançar sem comprometer a segurança da construção ofensiva.

A sua participação vai além da circulação da bola. Bontempo soma 86 passes para o último terço e 60 passes para a área, além de ter criado 39 ocasiões de golo, incluindo as assistências. Os números mostram como ele ajuda a conectar o meio-campo ao ataque e a encontrar espaços nas defesas adversárias.
A eficiência aparece também na distribuição geral. O médio acertou 824 dos 943 passes tentados, com aproveitamento de 87,4%. No campo adversário, completou 540 de 632, ou 85,4%.
Manter essa precisão em zonas mais adiantadas, onde há menos espaço e maior pressão dos marcadores, é parte importante da sua contribuição para o jogo santista.

Com três assistências e participação na criação de cinco ocasiões flagrantes, Bontempo também se destaca na produção ofensiva. Mais do que apoiar os companheiros, atua como elo entre os setores, dando continuidade às jogadas e ajudando a colocar os avançados em condições de finalizar.
É uma contribuição que dá ritmo ao meio-campo e fluidez ao ataque do Santos. Será que também dará ritmo ao Brasil, que tanto sofreu sem um meio-campo mais equilibrado no Mundial?
