Revolução no futebol? Presidente do Nápoles quer encurtar os jogos, abolir os cartões e acabar com os simuladores

Aurelio De Laurentiis, presidente do Nápoles
Aurelio De Laurentiis, presidente do NápolesJOSE BRETON / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Para a geração mais jovem, é cada vez mais difícil manter a concentração. Num mundo repleto de distrações, o proprietário e presidente do Nápoles, Aurelio De Laurentiis (76 anos), nota diferenças geracionais que, no futuro, podem ser devastadoras para o futebol. Numa recente entrevista ao "The Athletic", sugeriu mudanças nas regras que, à primeira vista, podem parecer surpreendentes, mas que poderiam revitalizar o desporto mais popular do mundo e ajudar a erradicar práticas indesejadas.

De Laurentiis lidera o Nápoles desde 2004, tendo ajudado o clube, então falido, a regressar ao topo, acumulando mais de duas décadas de experiência valiosa. Atualmente, mostra-se preocupado com a popularidade do desporto entre os adeptos mais jovens.

"O futebol vai perder a geração mais nova. Os jogos são demasiado longos. Isso é absurdo! Acham que o meu neto de seis anos, que sabe tudo sobre futebol porque joga na PlayStation... Que ele vai afastar-se e, ao fim de 15 minutos, conseguem atraí-lo de novo? Nunca! Vai para o quarto e começa a jogar FIFA", afirmou o presidente dos Partenopei em entrevista ao The Athletic.

No ritmo acelerado dos dias de hoje, em que não só os jovens se mantêm constantemente ocupados ou distraídos com várias tecnologias e redes sociais, De Laurentiis questiona a sustentabilidade do futebol tal como o conhecemos. Procurou inspiração, por exemplo, no basquetebol.

Uma experiência mais curta e intensa

O presidente do gigante italiano acredita que o futuro do jogo passa por encurtar a sua duração e aumentar o ritmo. Só assim poderá competir com o entretenimento digital, como o FIFA – agora EA FC.

Além disso, De Laurentiis quer erradicar as simulações exageradas: "Em primeiro lugar, encurtava cada parte de 45 para 25 minutos. Mas também não podes andar a rebolar no relvado a fingir que és ator! Não, vais para fora!"

"O que mais implementava – nunca usaria cartões vermelhos ou amarelos", continuou.

"Mais precisamente, não os utilizaria no sentido atual; os cartões coloridos passariam a implicar uma penalização semelhante ao banco de penalidades do hóquei. 'Tu, sai durante cinco minutos (por cartão amarelo). E tu, ficas fora durante 20 minutos por cartão vermelho!''", explicou.

O esboço destas alterações às regras, tal como proposto por De Laurentiis, poderia também ajudar a resolver outro problema – a sobrecarga dos jogadores. Jogos mais curtos, ainda que mais intensos, poderiam teoricamente reduzir a frequência de lesões, que aumentam com o número de partidas no calendário dos futebolistas profissionais.