Ir para o conteúdo principal

Associação de Adeptos saúda venda de bebidas alcoólicas na Supertaça

Martha Gens, presidente da Associação Portuguesa de Defesa do Adepto
Martha Gens, presidente da Associação Portuguesa de Defesa do AdeptoAPDA

A presidente da Associação Portuguesa de Defesa do Adepto (APDA), Martha Gens, saudou esta sexta-feira a venda de bebidas de baixo teor alcoólico na Supertaça Cândido de Oliveira, frisando que é medida “absolutamente secundária” para os adeptos de futebol.

Siga o FC Porto - Torreense no Flashscore

Em declarações à Agência Lusa, Martha Gens recordou que “não é uma proposta nova”, uma vez que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) “já tentou por diversas vezes levar esta medida avante”.

“Obviamente que saudamos, sendo que, para nós (…), não é uma medida prioritária. Era uma medida que poderia vir de uma estratégia consolidada por parte das entidades responsáveis pelo futebol, podia ser uma dessas medidas parte dessa estratégia, mas não é uma medida prioritária para nós”, salientou.

Leia mais - Governo autoriza venda e consumo de bebidas de baixo teor alcoólico

No entanto, para a dirigente, o facto de o Governo avançar com um projeto-piloto no jogo entre FC Porto e Torreense, da Supertaça Cândido de Oliveira, deve-se sobretudo ao enquadramento do Mundial2030, que Portugal vai coorganizar com Espanha e Marrocos.

Sendo agora um projeto-piloto a antecipar uma pré-preparação para o Mundial-2030, parece que já tem pernas para andar”, afirmou.

Embora saúde o despacho governamental, a presidente da APDA reforçou que a medida “não é prioritária” para os adeptos.

É uma medida que para nós é absolutamente secundária. Nós pugnamos, sim, pelo regresso das liberdades dos adeptos aos recintos desportivos. Essa, sim, é a nossa luta principal, que, até então, não tem sido muito acautelada. Pelos vistos, a prioridade são medidas cujo caráter parece-nos um pouco mais populista do que aquilo que nós pugnamos”, considerou.

Martha Gens rejeitou também que existam riscos acrescidos de segurança associados ao consumo de bebidas alcoólicas nos estádios.

Não há nada, no que diz respeito à segurança dos adeptos em recintos desportivos, que nos revele que o consumo de bebidas de baixo teor alcoólico leve a um aumento de preocupações a nível de segurança, antes pelo contrário”, observou, lembrando que esta prática “é consolidada em todos os demais países da região UEFA” e que Portugal permanece “praticamente sozinho” na proibição.

A presidente da APDA considerou, todavia, que o impacto da medida nas bancadas portuguesas será “muito pouco”, defendendo que o verdadeiro objetivo é económico.

É uma medida cujo intuito é claramente económico, porque se vai realizar um Mundial de futebol em breve no nosso país e não propriamente para conforto dos adeptos portugueses”, frisou.

Martha Gens referiu que o futebol português precisa de medidas “com cabeça, tronco e membros”.

O que nós gostaríamos, mesmo, é que ao invés de haver aqui uma espécie de subterfúgios e de medidas de caráter mais populista, é que fossem pensadas medidas com estratégia (…). Dão a entender que em Portugal as casas constroem-se pelo telhado, mas primeiro precisamos de bases para poder discutir aquilo que é supérfluo”, acrescentou.

O Governo autorizou a venda e consumo de bebidas de baixo teor alcoólico no jogo entre FC Porto e Torreeense, da Supertaça Cândido de Oliveira, no âmbito de um projeto-piloto, anunciou hoje a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

De acordo com o organismo liderado por Pedro Proença, este projeto-piloto, proposto pela FPF e validado pelo Governo, enquadra-se num teste de preparação para o Mundial-2030, com o objetivo de perceber a viabilidade de ser permitida a venda, distribuição e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios durante o evento.

A 48.ª edição da Supertaça entre o campeão nacional FC Porto e o Torreense, vencedor da Taça de Portugal, decorre no sábado, no Estádio Cidade de Coimbra, pelas 20:15, numa partida que será dirigida por André Narciso, da associação de Setúbal.