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Antes mesmo de o Mundial começar, Omar Artan (34 anos) viu-se involuntariamente no centro das atenções mediáticas depois de ter sido impedido de entrar à chegada ao aeroporto internacional de Miami, quando fazia parte do painel de árbitros selecionados pela FIFA para o torneio.
"Foi um período muito difícil", reconhece numa entrevista publicada no site da UEFA: "Muitas pessoas demonstram-me simpatia, porque quando se trabalha durante muitos anos para concretizar um projeto e, no fim, não se consegue, é muito duro".
O Departamento de Estado norte-americano justificou então esta recusa explicando que o árbitro estava "ligado a pessoas suspeitas de pertencerem a organizações terroristas", o que "tornava o viajante inelegível para entrar" em solo americano.
Acusações rejeitadas pelo árbitro e que causaram indignação na Somália, onde Omar Artan foi recebido como herói no regresso.
"O que lhe aconteceu é lamentável, mas não controlamos tudo", limitou-se a dizer o presidente da FIFA Gianni Infantino.
Em resposta, a UEFA, a entidade que gere o futebol europeu, anunciou que Omar Artan iria dirigir a Supertaça Europeia, que opõe o vencedor da Liga dos Campeões (o PSG) ao da Liga Europa (Aston Villa).
"Tive sorte, mas trabalhei muito para chegar aqui e estou realmente orgulhoso disso", afirmou Omar Artan à UEFA.
Primeiro somali a arbitrar numa Taça das Nações Africanas em 2024, Omar Artan vai arbitrar o seu primeiro jogo na Europa. "Viver aventuras, criar memórias e aprender coisas novas é sempre maravilhoso", congratula-se o árbitro, que deixa um conselho: "nunca deixem de sonhar".
Para justificar a decisão de nomear Artan como árbitro da Supertaça, a UEFA destacou o protocolo assinado no final de abril com a Confederação Africana de Futebol (CAF), com o objetivo de incentivar a cooperação entre as duas confederações.
Mas trata-se também de um gesto político da UEFA, frequentemente crítica da FIFA, e que ganha ainda mais significado com o conflito que opõe há duas semanas a entidade europeia a Infantino, em torno do plano falhado de abrir a entidade mundial a investidores privados.
Um fracasso largamente atribuído à oposição liderada pela UEFA, que continua a ameaçar com um boicote aos torneios, incluindo os Mundiais, numa tentativa de forçar o presidente da FIFA a demitir-se.

