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Nada fazia prever, inicialmente, que a jogadora formada no Eclair Football Filles de Sa'a viria um dia a pisar os relvados da capital espanhola. A sua saída dos Camarões em 2023 deveu-se, em grande parte, a um acordo entre o seu clube de formação e o CD Getafe Femenino, impulsionado pela fundação de Andre Onana, guarda-redes internacional e presidente honorário do Eclair de Sa'a.
Esta parceria, entretanto renovada por mais quatro anos, transformou o Getafe numa verdadeira porta de entrada para o futebol feminino camaronês: a guarda-redes Cathy Biya, a defesa Eliane Manbolamo Bodolo – que regressará ao clube na próxima época – assim como Marie Victoire Ngono, Raissa Mbappe, Camilla Daha e Saturne Nkada já passaram ou continuam a fazer parte do plantel.
Para Toko Njoya, a experiência rapidamente deu frutos. Na sua primeira época completa na Segunda Federación, a terceira divisão espanhola, em 2023/2024, afirmou-se como titular habitual no meio-campo: 26 jogos, cinco golos. Estes números valeram-lhe a renovação de contrato em julho de 2024, após a conquista do título pelo Getafe garantir a subida do clube à Primera, a segunda divisão espanhola.
O grande salto para Madrid
Após duas épocas no Getafe, e 20 titularidades em 22 jogos na Primera, assinou um contrato de dois anos com a equipa de reservas do Real Madrid, que também compete na segunda divisão feminina espanhola. Nas redes sociais, a jogadora – que nunca deixa de agradecer a Deus por cada conquista – escreveu de forma breve, ao lado de uma fotografia sua com a camisola merengue: "Está feito. Agora Hala Madrid. A agradecer a Deus. O trabalho continua."
No Real Madrid B, "Toko", como é apelidada no clube, perdeu o estatuto de titular indiscutível e alinhou de início apenas em 13 dos 22 jogos disputados. Apenas ficou no banco uma vez. Ainda assim, conseguiu marcar dois golos, tornando o número 23 a sua imagem de marca.
Ausente da pré-época da equipa principal do Real Madrid devido à CAN, poderá ser promovida ao plantel sénior segundo o Africa Top Sport. Até ao momento, já figurou uma vez na ficha de jogo da Liga F, envergando a camisola número 49. O próprio Real Madrid ainda não fez qualquer comunicado oficial sobre a jogadora.
Uma afirmação que coincide com a ascensão das Leoas
O percurso europeu de Toko Njoya caminhou lado a lado com a sua estreia pelas Leoas Indomáveis. Convocada pela primeira vez para a seleção principal em abril de 2025 para um particular frente a Marrocos, foi logo titular escolhida pelo selecionador Jean-Baptiste Bisseck em Casablanca, ao lado de outra jovem promessa, Naomi Eto, capitã das sub-20 com quem jogou no Mundial sub-20 de 2024.
A sua afirmação foi rápida: voltou a ser chamada para a dupla jornada frente à Argélia na qualificação para a CAN Feminina.
No final de junho de 2026, o seu nome figurava entre as 26 jogadoras convocadas para a CAN Feminina. A lista destacou-se pela ausência de duas líderes de longa data, Ajara Nchout e Falonne Meffometou, num contexto de tensões internas relativas a prémios e à braçadeira de capitã, agora entregue a Colette Ndzana, antiga jogadora do Dijon.
Neste período de transição, Toko Njoya integra o grupo das jovens jogadoras – juntamente com Naomi Eto (PSG), Nina Ngueleu (Montpellier) e Monique Ngock (Fleury) – que se espera venham a assumir maior protagonismo na seleção dos Camarões.
Entre Madrid e Rabate, a equilibrar a experiência europeia de topo com responsabilidades crescentes na seleção, Achta Toko Njoya personifica na perfeição o caminho que o futebol feminino camaronês pretende tornar regra: um viveiro de talento local, a Guinness Super League, capaz de alimentar os maiores clubes da Europa.
