Broos sugeriu que Mosimane poderá ser influenciado por empresários e proprietários de clubes, numa nova declaração polémica numa entrevista à imprensa belga.
“África do Sul continua sem treinador,” afirmou Broos ao Het Nieuwsblad. “O candidato é Pitso Mosimane, um treinador sul-africano de sucesso. Mas sabem que, se ele entrar, vão recuar cinco anos no tempo. Proprietários de clubes e empresários a ligar aos treinadores para influenciar a convocatória. Mandei todos embora. Se algum ligava, respondia de forma direta: ‘Não falo com empresários’.”
Broos admite que foi difícil abandonar o cargo nos Bafana, tendo criado um verdadeiro carinho pelo país e pelas pessoas com quem trabalhou durante os seus cinco anos no país.
“Subestimei a situação. Quanto mais se aproximava o fim, mais pessoas me pediam para não sair. Há pessoas que agora perderam o emprego porque já não continuo. O meu motorista, por exemplo, as pessoas conduzem como cowboys na África do Sul. O meu treinador adjunto, Helman Mkhalele, também. Ele não quis ficar sem mim. A minha mulher conhece o Helman e também teve pena dele. ‘Se puderes ficar mais um ano, noutra função, com o Helman como treinador, então fica.’
“O presidente da federação (Danny Jordaan) chegou a dizer: ‘Percebemos que sentes falta da tua família. Diz apenas quando queres vir.’ Só uma semana antes do jogo é que considerei regressar à África do Sul. Isso significaria que poderia ficar na Bélgica de novembro até meados de março. Mas não consegui sugerir isso. Fiquei envergonhado por propor tal coisa. Durante essa semana, enquanto estava lá a tratar de tudo, mudei de ideias pelo menos 10 vezes. Até que disse a mim próprio: ‘É terrível para essas pessoas, mas tem de terminar em algum momento.’ Houve um longo silêncio quando comuniquei a minha decisão ao presidente. Tive de engolir em seco algumas vezes nessas últimas semanas, sim. Nunca tinha sentido tanta gratidão. Especialmente depois de terminarmos em 3.º lugar na Taça das Nações Africanas, e agora também por termos chegado pela primeira vez à fase a eliminar. Do meu apartamento ao centro comercial eram 300 metros. Sempre que saía, havia 10 a 15 pessoas a pedir selfies, carros paravam e as pessoas baixavam os vidros. Uma vez, um carro bloqueou a rua toda: dois polícias queriam uma fotografia,” acrescentou.
Broos previu, no entanto, que poderá vir a sentir-se aborrecido com a reforma.
“Agora não tenho preocupações, nem chamadas telefónicas. Levantar-me e ver o que o dia traz. Para já, está tudo bem assim. Conheço-me. Daqui a uns meses, esta situação vai tornar-se um problema. Não porque queira voltar a treinar, atenção. Esse capítulo está definitivamente encerrado, independentemente de quem ligue. Há 14 dias recebi uma chamada a convidar-me para assumir a Costa do Marfim. Se me tivessem feito esse convite há 10 anos, já lá estaria. Não me incomoda estar sozinho de vez em quando. Mas não sete dias por semana, durante semanas seguidas, como aconteceu nos últimos cinco anos com a África do Sul. Mas também porque, nos últimos dois anos, tive de me obrigar a fazer certas coisas: preparar treinos, estudar adversários. Quando se começa a sentir isso, mais vale fechar o livro. Um dia já não se tem vontade de fazer o trabalho como deve ser. Também não quero isso. Por isso decidi no ano passado que o Mundial seria o momento ideal para parar.”
