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Integrante do City Football Group, conglomerado que também controla o Manchester City, de Inglaterra, e o Bahia, no Brasil, o emblema uruguaio alcançou pela primeira vez uma meia-final continental e tenta transformar a evolução recente numa campanha histórica.
A história do clube começou longe dos grandes palcos. O Flashscore conta-lhe esta saga.
De "apenas" Torque a irmão do City
Fundado em 2007 como Club Atlético Torque, o conjunto adotou o nome inspirado no conceito mecânico de torque, ou seja, remete, sim, à ideia do fenómeno físico que impulsiona o motor de um carro, uma sugestão do engenheiro Marcelo Yaurreche em conversas com Raúl Aquino, fundador da agremiação desportiva.

O Torque iniciou a participação no futebol uruguaio na terceira divisão amadora e conquistou espaço gradualmente. Em 2012, alcançou a segunda divisão profissional, mas precisou de esperar até 2017 para dar um salto decisivo. Em abril daquele ano, foi adquirido pelo City Football Group, que passou a investir no desenvolvimento esportivo e na estrutura da instituição.
Sob a nova gestão e comandado pelo técnico uruguaio Paulo Pezzolano, conhecido do futebol brasileiro, o Torque conquistou o título da segunda divisão em 2017 e chegou pela primeira vez à elite uruguaia em 2018. O clube acabou rebaixado naquele mesmo ano, mas voltou à primeira divisão em 2019, após conquistar novamente a segunda divisão.

Alinhamento completo
Em janeiro de 2020, a instituição passou a se chamar Montevideo City Torque e adotou um novo escudo e uniformes alinhados à identidade visual dos demais integrantes do conglomerado. A transformação não ficou restrita à marca.
Em março de 2021, o clube inaugurou a City Football Academy Montevideo, um complexo desportivo de aproximadamente 95 mil metros quadrados, com cinco campos de futebol, academia, instalações médicas e espaços administrativos.
A estrutura recebe as equipas masculina e feminina, as categorias de base e projetos comunitários. O investimento também fortaleceu o papel do Torque como ponto estratégico para a observação e o desenvolvimento de talentos sul-americanos dentro da rede internacional do Grupo City.
Nem tudo são flores
O crescimento desportivo acompanhou essa transformação. Em 2021, o Montevideo City Torque disputou a Sul-Americana pela primeira vez e, na temporada seguinte, alcançou a fase preliminar da Libertadores.
O caminho, porém, não foi linear: o clube voltou a enfrentar dificuldades no campeonato nacional, sofreu nova despromoção em 2023, mas ainda chegou à decisão da Taça do Uruguai e foi derrotado pelo Defensor Sporting nas penalidades.
A equipa precisou de reconstruir a trajetória até retornar à elite, sem perder seu DNA formador. Em comparação com a magnitude dos investimentos realizados por seus "clubes-irmãos" dentro do Grupo City, o Torque destaca-se por uma política de contratações bem mais modesta. Até o momento, o clube investiu diretamente 11,7 milhões de euros na aquisição de jogadores. A contratação mais cara de sua história foi a de Santiago Rodríguez, em 2021, por 4,9 milhões de euros.

Quem são os donos do City Torque no papel?
O controlo maioritário do grupo pertence à Newton Investment and Development LLC, ligada ao xeque Mansour bin Zayed Al-Nahyan, integrante da família real dos Emirados Árabes Unidos. Já a Silver Lake, empresa norte-americana especializada em investimentos em tecnologia, detém uma participação minoritária de 17% nas ações.

O escândalo Manchester City
O Manchester City foi considerado culpado, a 29 de setembro, de todas acusações de incumprimento dos regulamentos financeiros da liga inglesa e da UEFA, durante o período de nove anos, entre 2009 e 2018, de acordo com a decisão da comissão independente responsável pelo caso.
E agora, o que pode acontecer na Premier League? E que recordes de deduções de pontos pode o City bater em Inglaterra? Caso sejam retirados os pontos, quem será campeão?
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Mais expressiva campanha continental
Em 2026, o Montevideo City Torque vive sua campanha internacional mais expressiva. Depois de avançar como líder na fase de grupos da Sul-Americana, superando o próprio Grêmio, o clube uruguaio eliminou o Tigre, da Argentina, e o Cienciano, do Peru, nos oitavos e quartos de final, respectivamente.
Contra os peruanos, protagonizou uma reviravolta marcante: após perder por 2-0, venceu por 3-0 em Montevidéu e garantiu ao bilhete para enfrentar o Atlético-MG.
Com Marcelo Méndez no comando, o City Torque aposta num modelo de jogo que segue princípios associados ao Grupo City. A equipa costuma atuar no 4-3-3, valoriza a saída de bola desde a defesa, procura pressionar o adversário e utiliza os corredores laterais para construir suas jogadas.

A proposta, entretanto, não impede ajustes conforme as características do rival ou as circunstâncias das partidas. A capacidade de manter a organização e reagir mesmo em situações adversas foi uma das marcas da campanha eliminatória, tornando o confronto com o Atlético-MG um teste importante para a equipe uruguaia.
O Celeste também vive um momento importante no cenário nacional. A equipa está na disputa pelo título do Clausura do Campeonato Uruguaio e segue nos oitavos de final da Taça Uruguaia. Além disso, mantém chances de conquistar o Campeonato Uruguaio, definido numa disputa entre os campeões do Apertura e do Clausura e o líder da tabela anual.

A ter em atenção
O principal nome ofensivo da equipa é Salomón Rodríguez artilheiro da Sul-Americana de 2026, com sete golos. O atacante uruguaio, ex-Godoy Cruz e Colo-Colo, ganhou protagonismo nas fases decisivas, com dois gols contra o Tigre e outros dois diante do Cienciano. Apresença na área e o faro de golo representam uma das principais preocupações para a defesa atleticana.
Diante de um adversário que combina uma história recente de crescimento, uma estrutura profissional e uma identidade de jogo definida, o Atlético-MG terá pela frente um clube que busca transformar o investimento e o planejamento em seu maior resultado continental.

