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Considerando os jogos como anfitrião e visitante, os números mostram que a aguerrida equipa do Boca Juniors vai além dos resultados em casa.
Apesar de apresentar um futebol mais eficiente do que vistoso, a formação dirigida por Rodolfo Arruabarrena vem de uma sequência de 17 jogos sem perder. São nove vitórias, incluindo a partida da segunda mão dos quartos de final contra o São Paulo, e oito empates.

Na Copa Sul-Americana, nas três eliminatórias realizadas, são três vitórias. O emblema de Buenos Aires não conseguiu ultrapassar a fase de grupos da Taça Libertadores. Além da vitória por 1-0 diante do São Paulo, na primeira mão dos quartos de final, passou pelo Recoleta (3-1) e pelo O'Higgins (1-0). Nada de goleadas, mas demonstrou sempre ser uma equipa segura.
O técnico El Vasco, apelido de Arruabarrena por causa de sua ascendência basca, terá de reconfigurar essa segurança defensiva do Boca para a partida da madrugada desta quarta.feira. O capitão Leandro Paredes está fora e a experiência do médio, presença frequente na seleção argentina, fará falta contra o Vasco.

Leonel Flores, uma estrela em ascensão
No ataque, entretanto, o jovem Leonel Flores, assim como ocorreu contra o São Paulo, continua em boa forma e pode ser decisivo para as pretensões boquenses. Aos 19 anos, no clube desde os sete, é considerado a grande joia dos azuis e dourados. Destro, atua pelas duas pontas e combina habilidade, velocidade e vigor. Desde que subiu para a equipa principal com Arruabarrena, soma quatro golos e três assistências em 18 partidas oficiais.
Nascido em Villa La Cava, uma das regiões mais humildes da Grande Buenos Aires, Flores foi convocado por Scaloni para a despedida de Messi, contra o Benin. Entrou em campo e jogou 12 minutos ao lado de um de seus ídolos de infância. Na última data FIFA, foi utilizado nos três jogos da Argentina. E, ainda por cima, atuou pelo Boca entre as partidas com a camisa albiceleste. Contra o Santa Fé, entrou aos 16 minutos do segundo tempo e marcou dois golos na vitória por 3 a 0. Uma semana quase perfeita para o atacante.

Boa parte dos números recentes do Boca deve-se ao próprio Arruabarrena, que conhece bem o clube. Antes de assumir o comando técnico, em 2014, o argentino construiu uma trajetória de quase uma década como jogador da equipe de Buenos Aires, onde chegou às categorias de base e se firmou como lateral-esquerdo.
Sob o comando de Carlos Bianchi, foi bicampeão argentino, com os títulos do Apertura de 1998 e do Clausura de 1999, e conquistou a Libertadores de 2000. Na decisão contra o Palmeiras, marcou os dois gols do Boca no empate por 2 a 2 na Bombonera, resultado que abriu caminho para a conquista nas grandes penalidaes, no Estádio Morumbis, em São Paulo.

Na primeira passagem como treinador, entre 2014 e 2016, Arruabarrena conquistou o Campeonato Argentino e a Copa Argentina de 2015, mas também viveu duas eliminações dolorosas diante do maior rival. Em novembro de 2014, o Boca caiu para o River Plate nas meias-finais da Copa Sul-Americana, após empate sem golos na Bombonera e derrota por 1-0 no Monumental.
Em maio de 2015, os rivais voltaram a medir forças, desta vez nas oitavas de final da Libertadores. Depois de perder por 1 a 0 no jogo de ida, o Boca foi eliminado no jogo de volta, interrompido após jogadores do River serem atingidos por gás de pimenta lançado na entrada do túnel. O episódio ficou marcado como um dos capítulos mais traumáticos da rivalidade. Agora, Arruabarrena quer ir além e conquistar o primeiro título internacional enquanto treinador.
