Dorival regressa ao São Paulo para bater marcas históricas

Dorival é o treinador mais velho a chegar ao São Paulo
Dorival é o treinador mais velho a chegar ao São PauloMarina Uezima/Brazil Photo Press via AFP

Dorival Júnior está de volta ao Morumbi quase 30 meses depois — e após quatro técnicos no período, sem contar o sempre interino Milton Cruz. O treinador tenta escapar da pecha de “bombeiro”, embora ela tenha rendido ao clube o único título nacional nos últimos 17 anos: a Taça do Brasil de 2023, conquistada com vitórias sobre Palmeiras, Corinthians e Flamengo.

Quando o histórico considera apenas os números do Brasileirão, Dorival Júnior aparece como um técnico de desempenho mediano. Os índices são muito parecidos tanto na passagem de 2017 quanto na de 2023.

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Na primeira experiência, há nove anos, a missão também se assemelhava à atual: evitar a despromoção para a Série B, algo que jamais aconteceu com o São Paulo - marca da qual a torcida do Flamengo também gosta de se orgulhar.

Depois de iniciar a temporada com Rogério Ceni no comando, o São Paulo foi eliminado no Paulista, na Taça do Brasil e na Sul-Americana. Mesmo com nomes fortes na Direção, como Raí, as derrotas continuaram.

A meio do ano, Dorival chegou para atuar como bombeiro. Dentro de campo, Diego Lugano na defesa e Hernanes no meio-campo foram peças-chave. O alívio veio apenas duas jornadas antes do fim, com um empate sem golos em um Morumbi lotado.

O aproveitamento do treinador fechou em 50%, trabalhando exclusivamente com o Brasileiro durante todo o segundo semestre.

Taça do Brasil salvadora

Em 2023, os números no Brasileirão praticamente repetiram-se. Dorival comandou o São Paulo em 37 partidas pela competição. Foram 14 vitórias, 11 empates e 12 derrotas, com aproveitamento de 48% e a 11.ª posição na tabela.

Nas competições internacionais, o roteiro também terminou em frustração. Mais uma vez pela Sul-Americana, o São Paulo caiu diante da LDU nos penáltis, no Morumbi. Foi a partida em que James Rodríguez isolou a cobrança.

Ao mesmo tempo, a equipa começou a crescer na Taça do Brasil, apesar do início irregular. Passou pelo Ituano, vencendo por 1-0 no interior. Depois, perdeu com o Sport por 3-1 no Morumbi e só avançou nos penáltis porque tinha feito um bom jogo na Ilha do Retiro, no Recife, e vencido por 2-0.

Na sequência, eliminou o Palmeiras no Allianz Parque, o Corinthians no Morumbi e venceu o Flamengo no Maracanã, no primeiro jogo da final. Na segunda mão, em casa e sob enorme tensão, segurou o empate (1-1) que garantiu o título.

Após o título, e uma campanha discreta no Brasileiro, Dorival deixou o time para assumir a seleção brasileira. “Sou de um tempo em que uma chamada da Seleção era servir o país", disse Dorival, agora, na sua reapresentação no São Paulo.

Pressão desde a estreia

Em 2026, a estreia de Dorival será novamente em uma noite de taça. Mais uma vez pela Sul-Americana. A ausência de vitória diante do Millonarios, da Colômbia, no MorumBis, esta terça, já aumentará a pressão sobre a equipa.

No Campeonato Brasileiro, apesar de o São Paulo ainda figurar no G4, a missão inicial do treinador é estabilizar a equipa, que vem de duas derrotas consecutivas, antes de pensar em objetivos maiores.

A estreia nos pontos corridos será no sábado (23), contra o Botafogo, também no MorumBis. Hoje, a diferença entre o Tricolor Paulista (4.º) e o Corinthians (17.º), ex-clube de Dorival, é de 6 pontos.

Dorival Júnior, aos 64 anos e 20 dias, é o técnico com mais idade a chegar ao Morumbi. Se ficar até novembro, vai ser também o treinador mais velho a dirigir o clube, que vai completar 100 anos em 2030.

Telê Santana, considerado o maior treinador da história do São Paulo, chegou a dirigir a equipa com 64 anos e 185 dias na década de 1990. Com 92 jogos na área técnica, Dorival pode chegar também às 100 partidas pelo São Paulo no segundo semestre, marca alcançada até hoje por 13 treinadores:

• Vicente Feola: 555 jogos

• Muricy Ramalho: 474 jogos

• José Poy: 422 jogos

• Telê Santana: 410 jogos

• Cilinho: 249 jogos

• Joreca: 172 jogos

• Rubens Minelli: 166 jogos

• Carlos Alberto Silva: 154 jogos

• Rogério Ceni: 143 jogos

• Osvaldo Brandão: 142 jogos

• Paulo César Carpegiani: 114 jogos

• Jim López: 111 jogos

• Nelsinho Baptista: 108 jogos

Outra marca já está batida. Agora, apenas quatro pessoas treinaram o São Paulo em pelo menos três passagens diferentes. Além de Dorival, a lista tem Vicente Feola (7 vezes, entre 1937 e 1960), José Poy (4 vezes entre 1964 e 1983) e Muricy Ramalho (4 vezes, entre 1996 e 2015).

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