"Fizemos muitas perguntas críticas, mas, do meu ponto de vista, não houve respostas satisfatórias", afirmou Bernd Neuendorf, presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), que também é membro do Conselho da FIFA.
Neuendorf falava depois de o Conselho se ter reunido à porta fechada na sede do organismo, em Zurique, onde a proposta FIFA Forward Enterprise (FFE), de Infantino, era um dos principais temas da agenda.
Infantino tem estado sob forte pressão desde o anúncio, no final de julho, de que pretendia abrir as principais competições da FIFA, como o Mundial, a investidores privados.
O plano acabou por ser abandonado perante as críticas generalizadas, numa rebelião liderada pelo organismo europeu UEFA, pela Confederação Asiática de Futebol (AFC) e pela CONCACAF, que dirige o futebol na América do Norte e Central e nas Caraíbas.
"Creio que tivemos a oportunidade de dizer o que sentíamos e falámos muito sobre os problemas", afirmou aos jornalistas Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol, que também é vice-presidente da FIFA, antes de acrescentar que Infantino tinha pedido desculpa.
"Creio que é justo dizer que o Gianni pediu desculpa no início pelo que tinha acontecido e fê-lo com algum remorso. Depois, não houve limites para aquilo que sentimos relativamente ao sucedido", acrescentou.
Hewitt e Neuendorf são dois dos 36 membros do Conselho da FIFA, juntamente com Infantino.
Infantino lidera a FIFA desde 2016 e vai recandidatar-se em março, apesar dos apelos para que abandone o cargo na sequência do plano da FFE.
Por enquanto, nenhum candidato de peso se apresentou para concorrer contra ele.
"Foi-nos pedido que apresentássemos as nossas perguntas" relativamente ao plano, que não foi submetido ao Conselho da FIFA antes do anúncio de julho, afirmou Hewitt.
"Uma das coisas dececionantes foi não termos obtido respostas. Não tivemos respostas a nada do que tínhamos solicitado especificamente, por exemplo, receber os documentos da FFE. Por isso, perguntámos porquê e por que não", acrescentou.
Luís Figo entre os nomes para a sucessão
Arsene Wenger foi esta quarta-feira apontado como possível adversário a Gianni Infantino na corrida à presidência da FIFA, tal como o Flashscore noticiou.
Além do antigo treinador francês, a Sky Sports acrescentou o nome do português Luís Figo, antigo jogador de Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão, além de Michelle Kang, proprietária do Lyon e do London City Lionesses.
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"Nada mudou"
Muitas das principais federações nacionais europeias retiraram o seu apoio a Infantino nas próximas eleições devido à polémica provocada pela FFE e por outras controvérsias, incluindo a sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre as principais estiveram a decisão de Infantino de criar um Prémio da Paz da FIFA e entregá-lo a Trump durante o sorteio do Mundial, em dezembro passado, e a decisão de suspender o castigo do avançado dos Estados Unidos, Folarin Balogun, na sequência de um cartão vermelho durante o Mundial, depois de Trump ter intervindo diretamente ao telefonar a Infantino.
"Falo por mim enquanto membro do Conselho: da minha posição, nada mudou", acrescentou Hewitt.
"Não tenho nenhuma informação nova que me faça sentir de forma diferente em relação ao que sentia quando entrei, além do facto de termos um presidente da FIFA que lamenta o que aconteceu e, em segundo lugar, de termos novamente a promessa de que receberemos a informação que solicitámos", acrescentou.
Esperava-se que a FIFA apresentasse, na reunião do Conselho, um plano para criar um fundo de desenvolvimento de 6,35 mil milhões de dólares para os próximos quatro anos.
Para financiar o fundo de desenvolvimento, que permitiria distribuir dinheiro pelas 211 federações da FIFA, bem como pelas confederações regionais, o organismo recorreria em parte às suas reservas financeiras após um Mundial de 2026 comercialmente bem-sucedido.
O plano permitiria o pagamento de 25 milhões de dólares (18,85 milhões de libras) a cada uma das 211 federações-membro.
Infantino poderá esperar que o plano mais recente reforce a sua posição antes das eleições.
O prazo para a apresentação de candidaturas termina a 18 de novembro.
