O suíço de 56 anos perdeu o apoio de muitas associações na candidatura à reeleição para um quarto e último mandato, desde que lançou e depois arquivou à pressa o plano para permitir investimento privado no Mundial.
Infantino, contudo, mantém crucialmente o apoio sólido em África e na América do Sul.
O seu plano FIFA Forward Enterprise (FFE), que veio a público em julho, pouco depois do Mundial de enorme sucesso, teria criado uma subsidiária comercial para gerir os maiores eventos da FIFA, como o Mundial.
Contudo, com dois dos seus mais ferozes críticos, Aleksander Ceferin e, alegadamente, Victor Montagliani, a optarem por se recandidatar à liderança da UEFA e da CONCACAF, respetivamente, a oposição a Infantino procura desesperadamente um candidato viável para o desafiar nas eleições de março.
Os candidatos têm de apresentar a candidatura até 18 de novembro.
Terrence Burns, que foi estratega de marketing de duas candidaturas bem-sucedidas à organização do Mundial, afirmou que Infantino esteve sempre em posição privilegiada.
"Tem todas as cartas na mão, como sempre teve. Qualquer potencial adversário, nesta fase, parece estar a agir por mera encenação ou por estratégia para fechar acordos", disse à AFP.
Michael Payne, antigo responsável pelo marketing do Comité Olímpico Internacional (COI), afirmou que "todos estão surpreendidos" por nenhum candidato sério ter surgido para desafiar Infantino.
"Se for reeleito, como parece cada vez mais provável, isso irá redefinir o significado da palavra Houdini", disse Payne à AFP.
Lise Klaveness, crítica de longa data de Infantino e presidente da Federação Norueguesa de Futebol (NFF), impressionou muitas pessoas, mas afastou a possibilidade de se candidatar.
Contudo, mesmo que Klaveness mudasse de ideias, enfrentaria um enorme desafio para se tornar a primeira mulher a liderar o futebol mundial e seguir o exemplo de Kirsty Coventry, que no ano passado se tornou a primeira mulher eleita presidente do Comité Olímpico Internacional (COI).
"Havia pessoas dentro da administração do COI a trabalhar para que Coventry fosse eleita, uma vez que o desejo do seu antecessor, Thomas Bach, era que ela fosse presidente. Lise enfrenta exatamente o oposto. Os funcionários da FIFA estariam a trabalhar para impedir a sua eleição", afirmou à AFP uma fonte próxima do mundo da governação do futebol, que pediu para não ser identificada.
Desafios legais
Infantino ainda não está a salvo, uma vez que a oposição apresentou ações judiciais nos EUA e queixas oficiais junto dos comités da FIFA.
Klaveness e a federação norueguesa destacaram três questões, tendo como elemento comum a amizade de Infantino com o Presidente dos EUA, Donald Trump. A empresa de capital de risco de Josh Kushner, irmão do genro de Trump, Jared, seria o principal investidor da FFE.
Contudo, a mesma fonte advertiu que "não há qualquer certeza de que as queixas sejam analisadas. Mesmo que decidissem considerá-las, demorariam o seu tempo".
"O receio no campo de Infantino é que os noruegueses possam recorrer para o TAS (Tribunal Arbitral do Desporto) se ficarem insatisfeitos com a decisão", indicou.
Burns, contudo, acredita que o maior risco para Infantino vem das ações judiciais intentadas pela UEFA nos tribunais norte-americanos, para obter acesso aos documentos relativos à FFE. A FIFA está a contestar vigorosamente o processo.
"Este ponto é um entrave. Se a FFE se resumisse a um processo equivocado e a uma estratégia de comunicação mal orientada, por que razão esconder os seus detalhes? Essa falta de transparência é uma pedra no sapato de Infantino que não irá desaparecer", afirmou Burns.
Payne acredita que a falta de apoio a Infantino por parte de grandes nações do futebol, como Espanha, França e Inglaterra, poderá ser prejudicial.
"Liderar uma federação desportiva global exige unidade - a FIFA estará à beira de uma guerra civil, e este é um território totalmente novo para um organismo dirigente do desporto", afirmou.
Burns, contudo, considera que a oposição acabará por fazer as pazes, ainda que relutantemente, com Infantino.
Segundo ele, os organismos dirigentes do futebol prefeririam evitar a divisão "a menos, claro, que existisse uma atividade criminosa avassaladora que a justificasse — e não existe".
O outro fator que poderia desequilibrar a balança seria a existência de um "benefício financeiro" para as federações resultante da saída de Infantino. Quanto a esse ponto, afirmou, "mais uma vez, não existe."
Burns acredita, na verdade, que o processo deverá "resultar numa concentração ainda maior de poder e influência nas mãos de Infantino quando tudo terminar."
