João Almeida elogia Afonso Eulálio: "Foi bom para Portugal ter alguém a tentar meter o país em destaque"

João Almeida em ação
João Almeida em açãoAFP

A exibição na Volta a Itália de Afonso Eulálio não surpreendeu João Almeida, que considera que quantos mais ciclistas portugueses estiveram no foco mediático melhor, elogiando a capacidade de agarrar as oportunidades do seu compatriota.

Foi um Giro fixe de se ver”, resumiu à agência Lusa o terceiro classificado da edição de 2023 da ‘corsa rosa’, admitindo que, caso estivesse presente, poderia ter dado “mais emoção” à luta pela geral, confortavelmente vencida por Jonas Vingegaard.

Apesar de ter falhado a 109.ª Volta a Itália, na qual era o grande favorito a contrariar o domínio do dinamarquês da Visma-Lease a Bike, João Almeida foi acompanhando a prova, nomeadamente “as etapas mais interessantes”, e pôde observar como Afonso Eulálio lhe seguia os passos.

Seis anos depois de ter liderado o Giro durante 15 dias, dando-se a conhecer ao mundo, o corredor da UAE Emirates viu o figueirense de 24 anos tornar-se no segundo ciclista nacional que mais tempo vestiu a ‘maglia rosa’ (nove etapas), imitando-o também na conquista da camisola da juventude que levou para casa em 2023.

Foi bom para Portugal ter alguém para acompanhar e tentar meter também o país em destaque. Acho que ele usufruiu muito bem da oportunidade que teve. Aquela fuga (na quinta etapa) com uma vantagem gigante, de sete ou oito minutos, foi quase uma garantia para um resultado na geral. E ele soube aproveitar isso. E depois, a camisola branca também foi muito positivo”, destacou.

O segundo melhor voltista português de sempre – é superado apenas pelo gigante Joaquim Agostinho – garantiu à Lusa não ter ficado surpreendido com a prestação de Eulálio, pois sabe que o corredor da Bahrain Victorious “tem valor” e “é muito bom”.

Curiosamente, também o figueirense o tinha elogiado na manhã de quinta-feira, numa videoconferência em que rejeitou comparações com Almeida por este ser “um dos melhores ciclistas de sempre, não só de Portugal”.

“Agradeço-lhe pelas palavras e pelo gesto. É tudo uma questão também de evolução, e de irmos passo a passo evoluindo. E certamente ele continuará a evoluir”, afirmou Almeida, referindo-se ao sexto classificado do 109.º Giro.

Questionado sobre se temeu perder o seu recorde luso de dias vestido de rosa, o vice-campeão da Vuelta2025 e quarto classificado do Tour2024 assegurou que não é algo que o preocupe.

Acho que se ele batesse o meu recorde, ia disputar a corrida, o pódio. E, neste momento, acho que seria algo bastante difícil de acontecer. Se o meu recorde for batido é bom sinal, é sinal que o país continua a ter bons corredores e continua a estar no mapa. Ficaria feliz”, pontuou.

Almeida tem carregado o peso da representação do ciclismo português lá fora praticamente sozinho e só vê com bons olhos o facto de haver um novo nome a despontar.

Eu não sou alguém que queira estar no foco dos media, dos jornais, e ser o único que tem sucesso. Acho que é positivo, quanto mais melhor”, defendeu.