Com que vantagem Pogacar vai vencer em Paris?
A desistência de Jonas Vingegaard no domingo veio lembrar que nada está garantido na Grande Boucle. Mas, mesmo com a alta montanha nos Alpes ainda por disputar, é difícil imaginar como, salvo algum infortúnio, Tadej Pogacar não vencerá o seu quinto Tour de France. O domínio do esloveno, que tem uma vantagem de cinco minutos sobre Remco Evenepoel, pode até, em teoria, aproximar-se das marcas de Eddy Merckx em 1969 (17-54 sobre Roger Pingeon) ou de Bernard Hinault em 1981 (14-34 sobre Lucien Van Impe).
No final, o que mais o pode travar é a sua vontade de fazer tudo para ajudar o seu pupilo, o mexicano Isaac Del Toro, a vencer etapas e subir ao pódio. Isso já o terá privado de duas vitórias adicionais, em Montjuic e no planalto de Solaison, ficando assim com quatro triunfos, longe do recorde de oito vitórias de etapa numa edição.
Seixas pode chegar ao pódio?
Seja qual for o desfecho, o prodígio francês já realizou uma Volta excecional. O mais jovem ciclista a arrancar desde 1937, o lionês de 19 anos superou com distinção o desafio das duas primeiras semanas, algo inédito para si, estabelecendo-se no quarto lugar da classificação geral, a 6-23 de Pogacar e a 25 segundos do pódio. Poderá subir mais? Com a desistência de Vingegaard a abrir espaço, há à partida cinco ciclistas na luta por dois lugares: Evenepoel (2.º a 5-00), Del Toro (3.º a 5-58), Seixas (4.º a 6-23), Florian Lipowitz (5.º a 6-48) e Juan Ayuso (6.º a 7-28).
No domingo, o líder da Decathlon CMA CGM perdeu algum terreno para Evenepoel e Del Toro. Mas tanto o belga como o mexicano já mostraram sinais de quebra e não estão livres de uma falha nos Alpes, sobretudo na penúltima etapa, que será incrivelmente exigente. Seixas também não. A luta promete ser emocionante.
Evenepoel já decidiu o duelo com Lipowitz?
A estratégia de dois líderes da Red Bull Bora favorece o belga, que ganhou um minuto no domingo numa subida curta e deverá aumentar ainda mais a vantagem na terça-feira no contrarrelógio, uma especialidade em que Lipowitz é apenas mediano.
O alemão deverá sentir-se mais confortável na sucessão de longas subidas. Mas se o atraso para o seu colega de equipa for demasiado grande, poderá ter de assumir o papel de fiel escudeiro. Os responsáveis da Red Bull garantem que, para já, isso não está em cima da mesa. Lipowitz, de personalidade reservada, já afirmou, caso as circunstâncias o exijam, estar "pronto para ajudar" Evenepoel, um "macho alfa" segundo o antigo chefe do belga na Soudal Quick-Step, Patrick Lefevere.
Um francês vai vencer uma etapa?
Apenas por duas vezes na história centenária da prova nenhum francês venceu uma etapa, em 1926 e 1999. E este ano o risco é real, sobretudo por duas razões. Primeiro, porque vencer nunca foi tão difícil, com superestrelas a dominarem tudo, ainda para mais quando só restam etapas muito duras, exceto a 17.ª na quarta-feira entre Chambéry e Voiron e a última no domingo em Paris. Depois, porque três trepadores franceses estão no Top 10 com Seixas, Lenny Martinez (8.º) e Jordan Jegat (10.º). Um excelente agrupamento que, para já, os impede de terem liberdade para atacar.
A menos que surja um feito na montanha, como o de Valentin Paret-Peintre no ano passado no Ventoux, a missão será difícil, também porque Dorian Godon, que poderia ter ambicionado a vitória na quarta-feira, parece bastante combalido após uma queda aparatosa.
Quem vai conquistar as camisolas distintivas?
Além da classificação geral, Pogacar lidera também a classificação da montanha, à frente de Valentin Paret-Peintre, que faz tudo para somar pontos, mas que ainda não conseguiu acompanhar os melhores no final. A camisola verde está nos ombros sólidos de Mads Pedersen (417 pontos). O dinamarquês, no entanto, continua sob ameaça de Jasper Philipsen (386) e Biniam Girmay (361). O melhor sprinter desta Volta, Tim Merlier, vencedor de três etapas, abandonou no domingo.
Resta a camisola branca de melhor jovem, que deverá ser disputada entre Del Toro (22 anos), Seixas (19 anos) e Ayuso (23 anos), numa luta que se confunde com a do pódio, a grande atração desta terceira semana.
