“Fiz uma paragem para descansar antes do Giro e estou a treinar mais ou menos há três, quatro semanas. O treino tem corrido bem, tenho-me sentido bem. Já recuperei finalmente, mas não sei exatamente o que tive. Nas análises, tinha bastantes valores alterados, mas nunca percebemos, de facto, a principal causa para essas alterações”, contou.
Melhor voltista português da atualidade, João Almeida renunciou à 109.ª Volta a Itália, onde seria o principal candidato a impedir o triunfo do dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), por não se sentir a 100%, uma opção que explicou de viva voz à agência Lusa.
“Logo após a Volta à Catalunha, tive de descansar para recuperar da corrida e, depois, comecei a treinar pouco a pouco. Não me sentia muito mal, mas não me sentia excelente. E, depois, há sempre aquela pressão de ter que treinar, porque tenho o Giro. Ainda fiz estágio em altitude, mas as minhas análises não melhoravam”, detalhou.
Após um “grande período em que nem treinava nem descansava”, uma situação que descreve como “chata”, o corredor da UAE Emirates percebeu que “não valia a pena fazer corrida nenhuma”, por isso abdicar do Giro “foi muito natural”.
“Sempre fui realista e sabia que não estava bem, portanto não havia grande coisa a fazer. Claro que depois tive que lidar com as questões também da equipa. (...) Não estava preparado, acho que nem para uma etapa. Não ia mesmo fazer grande coisa lá, mais valia dar oportunidade a outro colega para ter sucesso e tentar a ter bons resultados, que foi o que aconteceu”, avaliou.
Agora, o vice-campeão da Vuelta-2025 vai regressar à estrada no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, a nova designação do emblemático Critério do Dauphiné, que decorre entre domingo e 14 de junho, garantindo que vai enfrentar a prova “com expectativas diferentes e outros objetivos”.
“Não quero ir lá com o objetivo de fazer nenhum resultado, nem lutar pela corrida. Vou lá tentar ajudar os meus colegas o melhor que conseguir, ver como é que me sinto, e tentar treinar na corrida. Sabemos que é difícil, porque é uma corrida muito exigente, tem muitas subidas mesmo, é um percurso muito duro”, realçou.
A presença de Almeida na 113.ª Volta a França, agendada entre 04 e 26 de julho, não está, contudo, dependente da sua prestação no Dauphiné.
“Essa possibilidade só dependia da minha evolução e de como é que eu ia reagir ao longo do tempo. Pessoalmente, sinto que não estaria preparado para fazer uma Volta à França. Há muitas arestas para limar para estar no nível de um Tour, é uma corrida muito exigente”, confessou à Lusa.
Quarto classificado na edição de 2024 da Grande Boucle, o luso de 27 anos defende que “independentemente de ir para fazer um resultado ou para trabalhar”, o Tour é uma corrida em que os ciclistas têm de estar na “melhor forma, porque senão não é possível fazer grande coisa”.
“E, claramente, acho que não vou conseguir estar nesse nível. Acho que a melhor possibilidade para isso seria continuar a treinar e não competir no Dauphiné”, concedeu.
Assim, o corredor da UAE Emirates, de 27 anos, prefere apontar à Volta a Espanha, na qual “sem dúvida” participará.
“O meu calendário da segunda parte da época, para já, pelo menos pelo que eu sei, vai-se manter todo igual. Que será (Clássica) de San Sebastián, Volta a Burgos e a Volta a Espanha. Não sei se farei alguma corrida extra sem ser essas. Depois, obviamente que farei também o Mundial”, enumerou.
Para estes objetivos, Almeida considera que precisa de “um longo período de treino” para se preparar a 100%, de modo a encarar as corridas que tem pela frente com confiança.
“E para ganhar, que é o que tenho habituado a malta (ri-se). Obviamente que eu sei que os adversários são muito fortes, mas, pessoalmente, um top 3 e um top 5 já não é um resultado em que saia da corrida satisfeito e motivado”, admitiu.
