Recorde aqui as incidências do encontro
O Bernabéu é um juiz implacável, um mestre daqueles que não dá nem uma décima, um pai que não deixa prolongar a festa nem um minuto além do combinado. O Bernabéu acarinha o jogador madridista se este se esforçar e mostrar a sua qualidade ao mesmo tempo. Se alguma destas coisas falhar, não hesita em fazê-lo recordar. Por isso nem todos servem para triunfar no coliseu branco.

Nem um quarto de hora tinha passado do primeiro jogo da Liga em casa e os jogadores já tinham ouvido vários assobios. A culpa foi de Courtois ter tido de intervir por duas vezes para evitar um golo de Oyarzabal. É verdade que antes Mbappé já tinha mostrado a sua aceleração de F1 e Remiro a sua elasticidade. Mas a ocasião tão clara do campeão do mundo irritou, e muito, a bancada. Tal como as decisões do árbitro, mas isso já é outra história.
A verdade é que a equipa de Mourinho cumpria o plano: circulava bem a bola, é certo que por vezes com demasiada lentidão, mas serviu-lhe para, depois de Vini ter perdido um frente a frente com Remiro, Mbappé abrir o marcador após um passe interior de Valverde, um controlo orientado para ultrapassar Jon Martin e um remate de pé esquerdo ao ângulo.
Aí pareceram terminar os assobios, pois o trabalho mais difícil parecia feito. Mas o futebol tem sempre a sua própria lógica. Eram os melhores momentos do Real, sentia-se o segundo golo... e num passe longo para Ochieng, o cúmulo do azar. O jogador da Real Sociedad baralhou-se na área, pediu um café, ficou sem visão, rematou só para se livrar da bola, esta bateu em Konaté e foi parar exatamente onde apareceu Sucic sozinho. O croata rematou, a bola desviou em Carreras, enganou Courtois e fez o 1-1. Os assobios voltaram a ouvir-se quando chegou o intervalo.
Estreia de Cucurella
Com Cucurella já no onze devido ao amarelo de Carreras, o Madrid entrou com tudo, reativando a pressão alta. Numa recuperação, Mbappé podia ter desequilibrado, mas Remiro voltou a fazer uma defesa milagrosa para evitar o golo. Num novo lance de Kylian, Jon Martín tirou-lhe a bola no último instante. E noutra arrancada do francês, desta vez desde o seu próprio meio-campo, Cucurella não conseguiu encontrar a linha de passe para o servir ao segundo poste.
Era a vez da equipa de Matarazzo resistir a esse ímpeto inicial antes de tentar impor as suas ideias. Mas na frente faltava poder de fogo. Oyarzabal estava esgotado, Kubo parecia o seu primo desinspirado... e Mbappé fartou-se de desperdiçar. Fez uma tabela elétrica com Bellingham e finalizou com um remate rasteiro de pé direito para fazer o 2-1.
De novo em vantagem, desta vez não houve desleixo nem distrações. Pelo contrário. Lutou como se estivesse a perder e disso nasceu o terceiro golo. Konaté foi o primeiro a pressionar, mas na verdade foi Bellingham quem mereceu toda a glória. Sim, marcou Vinícius, mas podia ser qualquer um. Bellingham fez tudo: condução, drible, simulação, perda, recuperação e uma assistência no verdadeiro sentido da palavra.
O que dizia do Bernabéu, esforço e qualidade no momento certo. Uma ovação mais do que merecida para o inglês, que saiu para dar lugar a Brahim. Tal como Mbappé, que, assistido de forma magistral por Vini, assinou o seu primeiro hat-trick da época.
O marcador já não se alterou, embora Brahim ainda tenha marcado. Espí estava em fora de jogo. Antes, Valverde quase acertou em cheio na cara de Remiro. O 4-1 ficou como resultado final, ainda houve tempo para as estreias do já referido Espí e de Diomandé, que deixou alguns pormenores de qualidade, na sua estreia no tribunal do Bernabéu.

