As dúvidas em torno das atividades do treinador estão a dificultar a sua chegada à Azzurra: o novo líder do futebol italiano quer esclarecer a situação e, entretanto, a assinatura foi adiada.
Não se trata apenas da falta de entusiasmo pelo seu currículo pouco convincente e das expectativas defraudadas, tendo em conta os nomes que circularam anteriormente: nas últimas horas, a polémica intensificou-se sobretudo nas redes sociais, também porque vieram a público os recentes vínculos do treinador com uma agência de apostas russa.
Os vínculos com a Fonbet
Pirlo participou, juntamente com Materazzi, num evento promocional organizado em Moscovo pela Fonbet, principal operador de apostas desportivas do país: não foi uma iniciativa sua, mas sim consequência de um acordo com o United FC, a equipa do Dubai que treina desde 2025.
A sociedade asiática e o operador de apostas têm em comum o bilionário russo Sergey Lomakin, proprietário do clube e presente no capital da empresa de apostas, para a qual o treinador cedeu a sua imagem conforme estipulado em contrato.
Não é apenas o vínculo com uma marca de apostas que causa embaraço (em Itália, os inscritos não podem estar ligados a empresas de apostas), mas sim o facto de ser com uma empresa russa. Contudo, o círculo próximo do treinador garante que tudo isto deixará de ser um problema assim que terminar a ligação laboral com o United Fc, um passo necessário antes da assinatura com a Seleção.
Mas, em todo este processo, como sublinha a Calcio Finanza, há uma cláusula a pagar: a FIGC não pretende fazê-lo, pelo que será o próprio Pirlo a ter de assumir essa responsabilidade.
O certo é que, neste momento, o fecho da negociação parece estar em suspenso, com Malagò a querer esclarecer tudo antes de confiar a Pirlo o novo ciclo transalpino, enquanto Maldini se mantém fortemente convicto da sua escolha, puramente técnica e humana.
O caso dos filhos
Depois surgiu outro vínculo delicado, o dos filhos de Maldini e Pirlo: o do primeiro, Christian, trabalha com a GR Sports, estrutura liderada pelo agente Giuseppe Riso; o segundo, Nicolò Pirlo, colabora com a Gersh Sports, uma das principais agências internacionais de representação de futebolistas.
O regulamento da FIGC sobre agentes desportivos é claro e impõe evitar qualquer conflito de interesses, mesmo que ambos não estejam formalmente registados como agentes, mas atuem apenas como colaboradores.
É mais uma situação incómoda a gerir, que se soma às já referidas e que está claramente a complicar a operação.
E agora?
Parece difícil imaginar um recuo, sobretudo tendo em conta o estado avançado das negociações, mas é certo que, após o acordo falhado com Guardiola, seria mais um contratempo inesperado, que não favorece a credibilidade do novo ciclo.
Não faltam alternativas: Conte e Mancini, os dois principais candidatos até há poucas semanas, voltariam a estar entre as opções, enquanto pode ainda surgir algum nome inesperado.
