Ao longo de mais de duas décadas de ligação à seleção principal, o percurso de Lionel Messi pela Albiceleste foi marcado por uma metamorfose, evoluindo de uma relação marcada por finais perdidas e críticas severas para um encerramento em apoteose como o maior ícone do futebol argentino contemporâneo. Depois das desilusões consecutivas no Mundial-2014 e nas edições da Copa América de 2015 e 2016 - que o levaram, à data, a anunciar uma breve pausa internacional -, o camisola 10 encontrou sob o comando de Lionel Scaloni o contexto ideal para a sua consagração, conquistando a Copa América em 2021 e o almejado Mundial-2022 no Catar.
A caminhada internacional do astro argentino prolongou-se até ao verão de 2026, quando liderou a Argentina no Campeonato do Mundo disputado na América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México). Messi disputou o torneio já na fase final da carreira, ao serviço do Inter Miami, assumindo um papel de liderança numa seleção em transição geracional, que procurava revalidar o título mundial alcançado quatro anos antes.
A mensagem de despedida agora tornada pública remete precisamente para o rescaldo dessa grande competição de 2026, revelando que a decisão de fechar o ciclo na seleção começou a ser desenhada logo após a partida decisiva do torneio. Entre a sensação de dever cumprido, o desgaste físico e a perda recente do pai, o capitão argentino optou por dar o passo definitivo, encerrando um ciclo histórico de 20 anos com a camisola da Albiceleste.
Aos 39 anos, La Pulga despede-se da seleção como recordista de internacionalizações (207), golos (125) e assistências (66). No palmarés conta com uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos-2008, um Campeonato do Mundo (2022), uma Finalíssima (Supertaça intercontinental, 2022) e duas Copas Américas (2021 e 2024). Nas seleções jovens, conquistou também um Mundial sub-20, em 2006.

O comunicado de Lionel Messi:
Depois de todo este tempo que passou desde a final, e a pensar muito no assunto, quero comunicar a todos que me retiro da Seleção…
Foi uma decisão que doeu e dói na alma, mas entendo que é o momento certo. Juro-vos que deixei sempre tudo — não apenas nos últimos anos em que se ganhou tudo, mas também antes —, sempre lutei e dei a vida por esta camisola, para vos dar alegrias e fazer com que se sentissem orgulhosos de ser argentinos através do futebol.
Falta pouco, as etapas vão-se fechando e esta é uma que me dói muito. Amo, amei e amarei sempre estar na Seleção. Esvaziei-me, já não tenho mais nada para dar e, além disso, vêm aí jovens cheios de talento que merecem ter o seu espaço.
Obrigado por todo o carinho ao longo destes 20 anos. Vou ter muitas saudades de vos ouvir a partir de dentro do relvado. Agora serei apenas mais um de vocês, a apoiar e a torcer sempre de fora (nas boas e nas más fases, e ainda mais nas más).
Obrigado à minha família por estar sempre presente, por me acompanhar nesta viagem tão bonita como difícil. Obrigado a cada um dos treinadores, companheiros e dirigentes com quem partilhei este caminho. Levo comigo recordações e momentos inesquecíveis.
Parto com a tranquilidade e o orgulho de ter presenteado todos vocês, juntamente com os meus companheiros, com momentos de sonho. Foi uma loucura ter vivido isto ao vosso lado. Amo-vos!
Obrigado a Deus por me ter feito argentino.
¡Vamos Argentina!
Escrevi estas palavras no dia 21 de julho, dois dias depois da final. Hoje, depois do que aconteceu com o meu pai, estou ainda mais convicto do que antes.
