Mais do que um sonho? O que sabemos da possibilidade de Pep Guardiola ser selecionador de Itália

Pep Guardiola
Pep GuardiolaREUTERS/Scott Heppell

A sugestão do treinador catalão no banco da Azzurra reacendeu-se após as palavras de Bonucci nos Laureus World Sports Awards, em Madrid, que defendeu a sua candidatura quase como uma provocação. Em Inglaterra e Espanha, porém, os rumores são tratados com frieza, quando não com ironia.

O nome é de fazer sonhar os italianos. E a realidade? Após a terceira eliminação consecutiva nas eliminatórias para o Campeonato do Mundo, a seleção italiana encontra-se sem treinador, sem presidente e sem um rumo definido. Gattuso demitiu-se, Gravina e Buffon abandonaram os respectivos cargos. O novo presidente da FIGC será eleito a 22 de junho e os amigáveis de junho, contra a Grécia e o Luxemburgo, serão dirigidos interinamente pelo treinador dos sub-21, Silvio Baldini.

Eis então que, quase como um "Prozac desportivo", uma notícia como a de Pep Guardiola como possível selecionador de Itália chega para levantar um pouco o ânimo dos azzurri e permitir-lhes voltar a sonhar.

As "pistas"

Lançada quase mais como uma "proposta indecente" por frustração do que como um objetivo concreto após a eliminação frente à Bósnia, a esperança da chegada do treinador catalão reacendeu-se depois das palavras de Leonardo Bonucci, o único grande sobrevivente no seio da equipa federativa, que nos Laureus World Sports Awards, em Madrid, quando questionado sobre os assuntos italianos, atirou a granada.

Se há um desejo real de começar do zero, eu começaria com a possibilidade de ter Pep Guardiola", disse o ex-defesa, que continuou: "Trazê-lo significaria uma mudança radical em relação a tudo o que aconteceu. É muito difícil, mas sonhar não custa nada".

Leonardo Bonucci nos Laureus
Leonardo Bonucci nos LaureusPATRICIA J. GARCINUNO / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Com a despedida do Manchester City, onde provavelmente seria substituído por Enzo Maresca, a Itália poderia representar um desafio fascinante para ele, e em 2018, no Festival dello Sport em Trento, respondeu com um "por que não?" quando questionado sobre um futuro na Itália como treinador, uma nação que ele conhece bem e na qual, como jogador, já jogou no Brescia e na Roma. Foi, no entanto, uma resposta de cortesia, porque alguns anos mais tarde deixou claro: "Tudo o que acontece de bom em Itália deixa-me feliz, mas acho que vou para Itália de férias e não para treinar". Palavras que, no entanto, podem ter um peso diferente hoje, no contexto em que o ciclo no City parece ter chegado ao fim.

Os obstáculos objetivos

Os obstáculos, porém, também objetivos, são concretos e numerosos. Para além do contrato que ainda liga Guardiola ao Manchester City até junho de 2027, e com os Citizens a três pontos do Arsenal na Premier League, há o nó económico com o treinador catalão que ganha cerca de 25 milhões brutos por ano, um valor inatingível para qualquer federação.

A este respeito, especula-se sobre um patrocinador para ajudar a complementar o salário, um pouco à semelhança do que aconteceu com Antonio Conte em 2014, quando a Puma cobriu parte do salário. O treinador estrangeiro seria, em todo o caso, uma novidade absoluta na história da seleção italiana. Uma escolha que, por exemplo, Rivera nunca gostou, quase como um tabu cultural: "O selecionador tem de ser italiano."

Pep Guardiola
Pep GuardiolaReuters/Lee Smith

Reações no estrangeiro

No estrangeiro, o caso está a ser seguido com interesse, mas também com alguma ironia. Em Inglaterra, a ESPN nota que Guardiola já declarou publicamente que vai apoiar os ingleses no Mundial - "vivo aqui há anos, faço parte deste país"-, mas sem qualquer ambiguidade subjacente, uma vez que a porta da seleção de Tuchel, com o atual treinador com contrato até 2028, está vedada.

Mesmo em Espanha, o país de origem do treinador, o tom é bastante distante, com a imprensa a tratar a notícia como um sonho italiano, lembrando também que Guardiola nunca poderia treinar a Roja por razões "políticas", uma vez que as suas posições sobre a independência da Catalunha tornam tudo muito difícil, como confirmou Martí Perarnau, o jornalista que melhor o conhece: "Seria provocar um conflito inútil, nem a federação pensaria nisso".

Os outros candidatos

Antonio Conte
Antonio ConteREUTERS/Ciro De Luca

Guardiola como treinador da Azzurra parece, em última análise, um sonho italiano destinado a permanecer assim, servindo mais para proporcionar algum alívio num momento de desânimo coletivo. Os verdadeiros candidatos continuam a ser Antonio Conte, que também é o favorito das casas de apostas e que não excluiu a sua própria candidatura.

"Se eu fosse o presidente da federação, considerava-me. Representar o nosso país é algo de belo", afirmou. Há ainda Allegri, especialmente se Malagò vencesse as eleições para presidente.

Hoje, Ranieri também voltou ao ativo, depois de se ter despedido da Roma como conselheiro, e poderá estar de volta à corrida, uma vez que já tinha tido uma proposta, renunciando a ela pelo seu amor aos Giallorossi. Mais desprendidos, Mancini e Pioli. Guardiola, no entanto, após as palavras de Bonucci, deu um grande salto nas probabilidades, passando do impossível ou quase 75 no início de abril para um improvável 25. Um salto considerável, mas que dificilmente o colocará no banco da Azzurra.

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