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Maradona vivia num "apartamento cheio de urina", diz testemunha no julgamento pela sua morte

Uma bandeira de Maradona, sempre presente no Mundial
Uma bandeira de Maradona, sempre presente no MundialREUTERS/Carolina Herrera

Diego Maradona estava "blindado" pelo seu círculo próximo na casa onde passou pela internamento domiciliário antes da sua morte, afirmou esta quinta-feira uma testemunha no julgamento que decorre na Argentina pelo falecimento do ídolo.

"Para mim o Diego estava blindado, não deixavam que as pessoas se aproximassem. Diziam-me: 'Tenta ficar mais afastado'", afirmou Alejandro Cottaro, um dos acompanhantes terapêuticos que esteve alguns dias com Maradona durante o internamento domiciliário que antecedeu a sua morte em novembro de 2020.

A testemunha relatou uma ocasião em que os assistentes de Maradona lhe pediram explicitamente para não falar mais com ele.

"Perguntei-lhe: 'A quem amas?' Nesse momento, os olhos encheram-se-lhe de lágrimas e respondeu-me: 'À Roma (a sua neta), ao meu neto'. Então chega alguém que me tira dali e diz para deixar de falar com o Diego", contou.

Na passada terça-feira, outra testemunha já tinha referido que o círculo do eterno 10 o manipulava e apontou para Maximiliano Pomargo, secretário pessoal de Maradona.

Pomargo não está acusado no julgamento, que procura apurar responsabilidades de sete profissionais de saúde que acompanharam o ex-futebolista durante um internamento domiciliário, cuja pertinência e condições estão a ser questionadas.

Cottaro começou a trabalhar com Maradona nos dias seguintes a uma neurocirurgia a que foi submetido a 3 de novembro de 2020. No dia 11, o ex-jogador foi transferido para uma casa em Tigre, a norte de Buenos Aires, onde faleceu no dia 25.

"Quando cheguei a Tigre, impressionou-me ver todo o chão cheio de urina", disse Cottaro. Outras testemunhas também garantiram que a casa estava suja e não tinha equipamento médico adequado para um internamento.

Sete profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e um psicólogo, enfrentam acusações de homicídio com dolo eventual, uma figura que implica que tinham consciência de que as suas ações podiam causar a morte do ex-futebolista. Uma oitava arguida, enfermeira, enfrentará um julgamento separado por júri.

Com estratégias diferentes, todos os arguidos clamam inocência perante a acusação, num julgamento que se prevê que dure pelo menos até julho.