Recorde as incidências da partida
Na flash interview
Surpresas no onze, com Schjelderup e Lukebakio: "Em relação ao Lukebakio, tentámos dar mais largura e que a nossa construção fosse mais a quatro. Em relação ao outro corredor, teve a ver com querermos a largura do Andreas e esse foi o objetivo das duas alterações".
Entrada de Echeverri para a 2.ª parte: "Queríamos alguma inspiração. Claramente não foi uma noite inspirada para nós. Não jogámos como gostamos de jogar e foi muito de coração, mas sem a qualidade que gostamos de ter. Falhámos muitos passes sem oposição. Foi uma noite desinspirada da nossa parte. Quanto ao Echeverri, tentámos que ele nos desse mais qualidade entrelinhas. O lance do penálti é um exemplo disso. Mas errámos muito no último terço na 1.ª parte e temos de ter a capacidade de rodar o jogo mais rapidamente neste tipo de jogo em que está tudo congestionado".
Pouca tranquilidade da equipa: "Os jogadores do Alverca muitas vezes saltaram em jogadores sem bola e não tínhamos de querer acelerar. Temos de levar o jogo para onde queremos. Senti também a equipa intranquila sem razão para tal. Fica um jogo sem golos sofridos e mais uma vitória".
Na sala de imprensa
Echeverri ao intervalo, Rafa aos 70' e o resto depois dos 90': "Foi quase de certeza, a vez que mexemos mais tarde, ou o número de substituições que fizemos, pelo menos até ao minuto 70. Mas nem sempre tem de se fazer as alterações todas. É óbvio que a alteração ao intervalo era necessária. Nós estávamos com... e olhando um pouco de uma forma geral para o jogo, uma vitória muito importante para nós, mais três pontos, uma vitória justa também, mas muito difícil. Em termos de exibição, não foi a exibição que nós normalmente temos e que gostamos de... da forma como gostamos de o fazer, mas faz parte. E hoje não foi uma noite desinspirada da nossa parte... em muitos momentos muito coração e pouco equilíbrio para tomarmos as decisões mais acertadas que o jogo pedia. Forçámos muitas vezes no corredor que estava fechado, porque o adversário fechava bem, e faltou-nos jogar com mais velocidade para que possamos depois abrir os espaços que queremos abrir."
Estratégia definida: "Com uma equipa que, mesmo tentando em alguns momentos praticamente mais na primeira parte até — porque depois acabámos por fazer o golo e o jogo abriu um pouco mais —, mas na primeira parte defendia com muita gente em cima da sua área, praticamente com uma linha de cinco e uma linha de quatro toda muito junta, em que talvez o jogador que tinha mais um pouco de espaço era o Pavlidis... Mas há sempre alguns perigos quando não há espaços entre linhas para ligar no avançado. Faltou-nos, mesmo quando ligávamos no Pavlidis, depois, quando a bola vinha para uma zona mais atrasada, ou para o João (Palhinha) ou para o Fredrik (Aursnes), movimentos de rutura naquele momento para começarmos a abrir os espaços. Mesmo com pouco espaço nas costas, abrir os espaços que pretendíamos abrir e deveríamos ter conseguido. Não o fizemos, daí eu dizer que foi uma noite desinspirada da nossa equipa em termos dos jogadores mais criativos, porque neste tipo de jogos também precisas da criatividade da equipa. E isso não aconteceu. Depois começámos a querer fazer tudo muito rápido, e quando começamos a fazer tudo muito rápido, normalmente leva a perdas de bola e à tomada de decisões que, mesmo com o adversário fechado, não é normal na nossa equipa. Hoje acabou por acontecer mais do que uma vez. E por isso mesmo nós tínhamos de fazer alguma coisa ao intervalo: queríamos um jogador um pouco mais criativo naquele meio espaço, colocar o Prestianni à esquerda para nos dar aquilo que normalmente nos dá também naquele corredor, tirá-lo um pouco da zona central que estava muito congestionada. Mas mesmo assim ele na primeira parte foi o jogador que conseguiu virar-se muitas vezes para a linha defensiva do adversário, e o objetivo era dar largura com ele e depois colocar o Echeverri — que também faz isso muito bem em espaços mais curtos —, jogar entre linhas, aproveitar os espaços que nós sabíamos que, pela irreverência do Echeverri no um-para-um, nos ia dar e abrir esses espaços para outros jogadores. Foi um pouco assim que aconteceu o lance que deu o penálti e que deu o golo."
Postura depois do golo: "Faltou-nos depois mais continuidade neste tipo de ações, quer num lado quer no outro, para que possamos ter oportunidades para fazer o 2-0 e praticamente matar o jogo. Não tivemos muitas; tivemos uma ou outra, lembro-me de uma do Gianluca, mas não tivemos muitas. A realidade é que o Alverca tem algumas aproximações, mas tem aquele livre que acaba por dar o golo anulado, a bola que o Samu defende para o poste, depois não tem mais nenhuma oportunidade de golo também, independentemente das aproximações que teve à nossa área e que acreditou até ao fim. Quando estás a ganhar só 1-0 este tipo de situações acontecem. Mas de uma forma geral, não tirando mérito nenhum àquilo que foi a exibição do Alverca, olhando muito mais para nós, não foi uma exibição ao nível do que temos tido. É importante para nós analisarmos, mas ao mesmo tempo, quando não tens jogos a um nível exibicional bom da nossa equipa, é importante ganhar. É importante, e torna-se muito mais importante não sofrer golos neste tipo de jogos porque, marcando, acabas por ganhar o jogo. Hoje foi um bom exemplo disso mesmo. Agora, como fizemos e vamos continuar a fazer: analisar com os jogadores, fazê-los entender o porquê de em termos exibicionais não ter sido a melhor exibição da nossa parte ou não termos tomado as boas decisões. Porque hoje o número de passes errados, mesmo sem os jogadores do Alverca forçarem o erro, foi muito grande na nossa equipa, o que não é normal. Mas torno a referir: uma vitória justa, uma vitória importante para nós. Realçar também, num jogo não bem conseguido, o apoio dos adeptos. Naquele minuto 70 percebeu-se claramente: perceberam que a equipa não estava numa boa noite em termos exibicionais e começaram a puxar pela equipa, a empurrar a equipa para a frente. Isso é de realçar mais uma vez o apoio deles, e conseguimos juntos uma vitória. Em relação à substituição, o Prestianni acabou por dar em muitos momentos aquilo que nós pretendíamos, um jogador com a sua qualidade e naqueles espaços que eram importantes para nós."
"Rui Borges sabe muito bem aquilo que deve fazer"
Saída de Rui Borges do Sporting: "Não vou comentar. Não vou fazer nenhum comentário. Aproveito, até porque é uma pessoa que eu conheço muito bem, mandar um abraço ao Rui (Borges). Ele sabe muito bem aquilo que tem de fazer para a sua carreira, é uma pessoa muito inteligente, mandar-lhe um abraço. Nunca é bom quando acontece com algum colega de profissão, não tem a ver com o clube A, B ou C. Só enviar-lhe um abraço. Faz parte, e nós enquanto colegas, é o que temos de fazer, nada mais. Não fazer nenhum comentário. Nós temos de falar do Benfica, temos de falar do jogo de hoje, temos de falar do Benfica-Alverca. As outras coisas não são importantes para mim, peço-lhe desculpa por isso."
Preocupação com dependência da inspiração individual de certos jogadores? "Em termos coletivos não é fácil desmontar equipas. Os adversários percebem como jogamos e nós temos sido muito fortes a desmontar blocos que se colocam bem mais baixos. Hoje, o Alverca esteve em muitos momentos praticamente plantado com dez jogadores à volta da sua área. Temos de ter capacidade coletiva para lá chegar, sobretudo com velocidade no nosso jogo — que em muitos momentos não tivemos —, e objetividade. Mesmo com o adversário fechado em algumas zonas, tentámos forçar quando não era para forçar. Acima de tudo, temos de tomar melhores decisões, tentar jogar mais rápido, mas mantendo o equilíbrio necessário para não perder bolas. Quando perdes bolas, começas naturalmente a perder alguma confiança e surgem dúvidas. Foi um bocado o espelho do jogo de hoje. Não tem a ver com intensidade, agressividade no bom sentido ou vontade de jogar para a frente; em muitos momentos até jogámos em demasia e acabámos por perder bolas que não devíamos. Tem muito mais a ver com questões coletivas em que temos de continuar a trabalhar para dar esses caminhos aos jogadores. Não há a menor dúvida de que o futebol, independentemente da ideia e da identidade que queres dar, continua a ser muito dos jogadores e da inspiração. Por isso mesmo é que temos jogadores com estas características na nossa frente de ataque, e isso para nós é importante, para além da ideia coletiva. É fundamental que estejam num bom dia. Quando vários jogadores não estão numa boa noite, como aconteceu hoje, temos de ter a capacidade de encontrar soluções vindas do banco — como já aconteceu outras vezes, sendo que hoje o jogador saído do banco voltou a ser decisivo — ou através de alterações táticas que ofereçam à equipa outros caminhos para vencer jogos, mesmo quando a exibição não é perfeita."
Em que momentos sentiu a intranquilidade da equipa? "Há coisas que são naturais, mesmo que não as queiramos. É muito importante termos sempre um equilíbrio emocional muito grande na forma como queremos jogar, como enfrentamos os nossos adversários e como eles nos colocam alguns problemas para resolver. Além da qualidade e da intensidade, o equilíbrio emocional é fundamental, e os jogadores sentem-no. É normal que, mesmo depois do 1-0 e em vantagem — nós normalmente somos uma equipa muito acutilante e vamos à procura do segundo golo, como hoje também tentámos fazer —, os jogadores tenham sentido que muitos deles não estavam num bom momento. O jogo não estava a ser tão fluído como costuma ser e cometemos erros não forçados num número muito elevado, o que gera alguma intranquilidade e desconfiança. Foi isso que acabou por acontecer: foram muito mais as nossas próprias ações a criar essa intranquilidade na equipa. É aí que temos de continuar a trabalhar, corrigir e fazer os jogadores entender isso."
"No Estádio da Luz foi de certeza"
Jogo menos conseguido do Benfica na Liga? "É difícil avaliar, mas, no Estádio da Luz, é de certeza. Não tenho a menor dúvida de que no Estádio da Luz foi de certeza. Senti isso mesmo dos jogadores. Ganhámos o jogo e em alguns momentos parecia que não estavam felizes, porque sabem perfeitamente o que somos capazes de fazer e oferecer. Mas não vai ser sempre assim; tenho vindo a avisar que não será sempre dessa forma, independentemente de eu querer muito e de os jogadores quererem muito também. Não há que esconder: pelo menos em casa, de certeza absoluta."
Mudança de atitude de Lukebakio: "Não sei se mudou algo ou o que mudou, porque não estava cá no ano passado; não posso fazer comparações nem tenho esse termo comparativo. Posso falar desde que cheguei ao Benfica. Todos os jogadores, independentemente das características individuais que tenham — e que são diferentes; basta olhar para os nossos quatro ou cinco alas, com o Rafa a jogar muitas vezes no corredor —, são atletas com perfis distintos. Eles sabem qual é a identidade que queremos para a equipa. É óbvio que nunca vamos dar ao Lukebakio, ao Prestianni ou ao próprio Rafa características de agressividade como têm o Bah ou o João (Palhinha). Isso é impossível, seria pensar em milagres e eles não acontecem. O que os jogadores sabem é que temos uma identidade clara. Queremos que com bola toda a gente a compreenda e sem bola também a compreendam e a executem. Não vou estar a comparar com o ano passado. O termo comparativo para mim existe desde o primeiro dia em que chegámos e baseia-se naquilo que tentamos incutir nos jogadores."
Ligação entre Prestianni e Schjelderup: "Nós já tivemos excelentes momentos com eles. Lembro-me do jogo com o Vitória aqui, do jogo com o Gil Vicente, não o da Taça da Liga, o anterior, do jogo com o Moreirense fora e em muitos momentos de jogos, como a segunda parte com o Marítimo. São tantos os bons momentos que já tiveram durante este princípio de época. Os dois jogando juntos, o Prestianni tem tido grandes momentos por fora e grandes momentos por dentro. Hoje a primeira parte foi, de uma forma geral, difícil para encontrarmos espaço e termos inspiração. Não foi só essa ligação entre os dois, até porque não podemos depender apenas da ligação entre dois jogadores, temos de ser muito mais do que isso. Ainda assim, durante a primeira parte o Prestianni foi o jogador que se conseguiu virar, receber bolas entrelinhas e encarar a linha adversária. Claramente foi um dos jogadores que o conseguiu fazer. De uma forma geral, a primeira parte não correu bem à equipa, independentemente de termos defrontado um adversário que defendeu em cima da sua linha praticamente a primeira parte toda. Eles conseguiram, em alguns momentos de ligação direta ao avançado, criar-nos algumas indefinições. Ganhavam a segunda bola e tentavam atacar, mas praticamente tiveram aquele lance de livre e nada mais. Compete-nos olhar para aquilo em que não estivemos tão bem. Em momentos em que estivemos muito bem, fizemo-lo, e agora vamos fazer da mesma forma: analisar com os jogadores e preparar o próximo jogo, que está à porta. Jogamos praticamente de três em três dias e é importante percebermos como estão para apresentar a equipa o mais fresca possível para quinta-feira."

