Carlos Cassinelli é um dos muitos profissionais ouvidos no julgamento, iniciado há 4 meses em San Isidro. O seu testemunho tem peso, pois fazia parte da imponente Comissão Médica Interdisciplinar (22 membros) criada em 2021 pela justiça para o caso Maradona. E foi um dos peritos que realizou a autópsia.
"Havia sinais de alarme: edema dos membros inferiores, edema dos dedos, ressonar, falta de ar, indícios de hipertensão ou taquicardia", enumerou o Dr. Cassinelli.
"Ninguém foi ver do que se tratava" com este inchaço generalizado, apesar de representar "um risco vital", acusou. "O desfecho final foi a morte. Considera-se que estes sinais de alarme não foram tidos em conta pelos médicos, pois a (sua) atitude não mudou".
O Dr. Cassinelli apresentou um dos testemunhos até agora mais acusatórios sobre a falta de atenção em torno de Maradona, durante a sua convalescença pós-operatória de duas semanas em novembro de 2020, numa residência alugada para o efeito em Tigre (norte de Buenos Aires).
"A degradação foi progressiva. Desde a sua saída do hospital até ao seu falecimento. Pelo menos uma dezena de dias (antes da morte). O alerta poderia ter sido dado", insistiu.
Tal como numa declaração anterior, recordou que a comissão médica considera que "a fase agónica de Maradona durou cerca de 12 horas" – um período que até agora não reuniu consenso no julgamento.
O Dr. Cassinelli descreveu-a como "uma fase entre a vida e a morte durante a qual as funções se vão perdendo pouco a pouco. Uma fase em que a passagem para a morte é irreversível".
Várias outras testemunhas – um segurança, um massagista –, nas audiências das últimas semanas, coincidiram na descrição de uma atenção negligente em torno da estrela, nos seus últimos dias. Foi encontrado morto na sua cama por volta do meio-dia, a 25 de novembro, com 60 anos, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória associada a um edema pulmonar.
Os sete profissionais de saúde julgados (médico, psiquiatra, psicólogo, enfermeiros) arriscam até 25 anos de prisão, mas negam qualquer responsabilidade. A maioria invoca a sua especialidade, o seu papel segmentado, sem ligação direta às causas clínicas da morte. O julgamento deverá prolongar-se para além de agosto.
