A seleção portuguesa, que compete em Baku desde domingo, com uma equipa de nove judocas, tinha legítimas aspirações para este penúltimo dia, apesar de ser um ano difícil para os mais consagrados, ambos com muito tempo de paragem devido a lesões.
Patrícia Sampaio, indiscutivelmente o maior nome do judo português na atualidade, medalha de bronze olímpica em Paris-2024 e nos Mundiais Budapeste-2025 e campeã europeia em 2025, nunca escondeu a ambição de ser campeã mundial.
Não será desta vez. Na Arena Nacional de Ginástica, em Baku, a judoca, que compete em -78 kg, não foi o dinamite que costuma ser, talvez a ressentir-se da grave rotura de ligamentos que a obrigou a parar seis meses, desde março.
Com uma entrada muito difícil em competição, já na segunda ronda, a judoca sofreu para se impor à jovem turca Tuana Gulenay, medalha de ouro nos Jogos do Mediterrâneo e que hoje levou o combate com Sampaio até ao prolongamento.
Num combate empatado em yukos (vantagem mínima), Patrícia Sampaio conseguiu um waza-ari aos 01.17 (05.17 no total) do golden score para seguir para os oitavos de final e, aí, parecia ter de volta a sua imagem de marca.
Bastaram 37 segundos para a portuguesa projetar a belga Vicky Verschaere e, já nos quartos de final, eliminar a brasileira Beatriz Freitas, também por ippon ainda pouco antes do combate chegar à sua metade (01.57).
Com o caminho para as medalhas em aberto, ou perdia nas meias e era relegada para a luta pelo bronze ou entrava na final – algo inédito num Mundial na sua carreira -, foi o cenário menos agradável que se apresentou.
No seu quarto combate na capital azeri, frente a Yelizaveta Lytvynenko, judoca de origem ucraniana, mas que compete pelos Emirados Árabes Unidos, Patrícia Sampaio não foi feliz.
A portuguesa, que até já tinha vencido nas três ocasiões em que lutaram, entre 2022 e 2023, procurou movimentos de ataque, mas faltou-lhe explosão frente a uma oponente defensiva, numa estratégia que lhe deu resultados.
Sampaio, desgastada, teve dois castigos na primeira metade do combate, e Lytvynenko um, por passividade, mas foi esta, a aproveitar um ataque da portuguesa, para na ação subsequente lhe fazer uma chave de braço (juji gatame) e garantir um ippon.
Relegada para a luta pelo bronze, tal como em Budapeste-2025, Sampaio irá agora encontrar-se, a partir das 18:00 locais (15:00 em Lisboa) com a japonesa Kurena Ikeda, quarta cabeça de série e a quem nunca venceu, em dois combates nos Grand Slam de Tóquio de 2024 e 2025.
Mais cedo, no quarto combate da manhã no tatami 2, o bicampeão mundial de -100 kg em 2019 e 2021, o português Jorge Fonseca, também num ano a meio gás, após fratura num dedo do pé em março, foi eliminado na primeira ronda.
O judoca, de 33 anos, que tinha recentemente conquistado a prata no Grand Slam de Budapeste, partia fora dos favoritos, face a um ranking mais baixo, e frente ao canadiano Kyle Reyes, a quem também tinha vencido sempre, cedeu no prolongamento.
Fonseca, bronze nos Jogos Olímpicos Tóquio-2020, foi derrotado com um yuko, a pontuação mais baixa do judo, depois de Reyes, conseguir, com um movimento de pernas, projetar o português com uma ligeira lateralidade, pontuável com a reintrodução nas regras do judo.
