“Um dos dois (nonos lugares) é de um estreante, de um atleta (Bernardo Tralhão) que abriu agora uma categoria de peso, que são os -60 kg, e de uma outra atleta (Joana Crisóstomo) que, se a memória não me falha, terá sido o segundo Mundial que fez, e que foi uma aposta”, começou por dizer o presidente da Federação Portuguesa de Judo (FPJ), Sérgio Pina.
Em jeito de balanço, o dirigente reconhece, porém, que os Mundiais não foram totalmente positivos, mas acabaram por ter algo de bom: “ganhámos para o projeto e para os hipotéticos grupos de atletas que poderão ir aos Jogos Los Angeles-2028, ganhámos dois atletas”.
“Desde que vieram para este nível de competição têm mostrado que querem ter resultados, que querem fazer mais e melhor. E, portanto - e das conversas que tenho tido também com os treinadores nacionais –, tudo indica que começamos a criar aqui um núcleo duro, se posso dizer assim, dos atletas que vão começar a querer criar o núcleo do projeto olímpico para Los Angeles-28”, adiantou.
Num grupo de nove judocas que competiu desde o passado domingo até sábado em Baku, o presidente da FPJ não deixou também de referenciar o quinto lugar de Patrícia Sampaio (-78 kg), num ano particularmente difícil para a judoca de Tomar.
“Temos, no entanto, de nos lembrar que a Patrícia vem de uma lesão grave (rotura de ligamentos de um joelho), de um tempo longo em que não competiu, e, portanto, temos os níveis de confiança, os níveis de preparação que não estão no auge, que não estão no ponto que toda a gente queria. No entanto, é óbvio, Patrícia vai ser Patrícia… “, disse ainda, em relação às expectativas colocadas na judoca medalhada olímpica, com o bronze em Paris-2024.
O dirigente antecipa que a judoca tomarense vai voltar aos pódios, que tem conquistado com regularidade, e que dá todas as garantias para isso, enfrentando um tempo de “preparação mais específica” e de “planificação”.
Em relação aos olímpicos Catarina Costa (-48 kg), nona classificada, e Jorge Fonseca (-100 kg), eliminado na primeira ronda, o presidente da FPJ admitiu a ingratidão do sorteio – com a judoca da Académica a cruzar com a francesa Shirine Boukli -, e quando os portugueses não eram cabeças de série.
Portugal terminou no sábado a participação nos Mundiais em Baku, com o quinto lugar de Sampaio, que perdeu na sexta-feira na luta pelo bronze, e três nonos lugares (Catarina Costa, Bernardo Tralhão e Joana Crisóstomo).
Miguel Gago (-66 kg) ainda disputou dois combates, até aos 16 avos de final (uma vitória e uma derrota), e Jorge Fonseca (-100 kg), bicampeão mundial em 2019 e 2021 e bronze olímpico em Tóquio-2020, perdeu na estreia, com o canadiano Kyle Reyes.
Pelo primeiro combate ficaram também Taís Pina (-70 kg), a mais jovem da seleção, com 21 anos, que cruzou com a russa Madina Taimazova (bronze nos Mundiais), Otari Kvantidze (-73 kg), que perdeu na estreia com o japonês Ryuga Tanaka (campeão mundial) e Rochele Nunes (+78 kg), que encerrou a participação lusa, no sábado, ao ser derrotada pela chinesa Jinesinuer Ayiman.
