Recorde aqui as incidências do encontro
Como da noite para o dia, irreconhecível se compararmos com a exibição exuberante frente à Croácia na estreia. A Inglaterra passou por grandes dificuldades diante do Gana. Muito apática, incapaz de desequilibrar pelas alas, especialmente pela esquerda, onde o novo jogador do Barcelona Gordon voltou a desiludir, os comandados de Tuchel pareceram uns Três Leões sem dentes nem garras. Perdidos na posse, como a Espanha frente a Cabo Verde, foram bloqueados pelo mecanismo defensivo montado por Queiroz.

O Gana, confiando que em algum momento Semenyo, Ayew e Iñaki Williams conseguissem sair em contra-ataque, abdicou da bola e não fez nada nem correu o mínimo risco para incomodar Pickford. O seu único objetivo era manter a baliza inviolada e aplicou-se como se a vida dependesse disso. Rice, num lance de bola parada, foi o primeiro a tentar quebrar o equilíbrio. Muitos minutos depois, voltou a tentar a sua sorte, de cabeça, no primeiro e único cruzamento de Madueke pela direita. De Bellingham e Kane, nem sinal. Vontade, toda. Eficácia, nenhuma.
Ao intervalo chegou-se com a impotência estampada nos rostos dos ingleses, com um desentendimento entre Bellingham e Carlos Queiroz, e com a celebração ganesa depois de até três dos seus terem conseguido bloquear, com sucesso, a única vez que Kane conseguiu armar o remate.

Tuchel não fez alterações ao intervalo e o guião manteve-se igual. Bem, não totalmente. Porque numa má ação defensiva de Gordon, Senaya deixou Inglaterra com o coração nas mãos. Se não fosse Spence... Um sério aviso que serviu para o próprio Gordon se aplicar mais e tentar a sua sorte de fora da área, mas o remate saiu ao centro e fácil para Asare. Foram 70 milhões pagos pelo Barça? Também Anderson tentou em dois cabeceamentos. Nada feito.

Os minutos iam passando e chegaram as substituições. Entre outros, saíram Iñaki Williams e Gordon. Obviamente, Kane ficou em campo e aproveitou uma perda de bola de Thomas Partey para, finalmente, obrigar Asare a uma grande defesa com o seu primeiro remate enquadrado já depois da hora de jogo. A Inglaterra continuou a trocar a bola, à procura de soluções para sair do labirinto, mas sem um gps para encontrar a saída.
Ouvem-se os uis, não os golos
Até as estrelas negras tiveram uma oportunidade em contra-ataque, mas Prince Adu resolveu de forma desastrosa perante Pickford. A melhor ocasião de todo o jogo até então.
Isso abriu o apetite, pois a Inglaterra respondeu com três oportunidades seguidas, cada uma mais clara do que a anterior. A primeira foi salva por Asare com uma grande defesa a remate de Saka. A segunda, um cabeceamento de O'Reilly devolvido pela barra. E a terceira, Kane, a quem sobrou o ressalto do ferro, falhou a finalização a cinco metros da baliza. Incrível como o Gana escapou ao golo.
Já nos descontos, mais uma bola aérea ganha pelos britânicos foi afastada em cima da linha por Kojo Peprah. O que não pode ser, já se sabe, não pode ser e além disso é impossível. O 0-0 foi um grande prémio para o Gana e um enorme castigo para a Inglaterra.
Melhor em campo Flashscore: Guéhi (Inglaterra).

