Mundial-2026: Zeki Amdouni, o "Messi suíço" que se prepara para defrontar o seu ídolo

Zeki Amdouni em ação pela Suíça
Zeki Amdouni em ação pela SuíçaPhoto par SONA MALETEROVA / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

No sábado, em Kansas City, a Suíça defronta a Argentina nos quartos de final do Mundial. Para Zeki Amdouni, este duelo histórico tem um sabor especial: o avançado está prestes a cruzar-se com Lionel Messi, o jogador que moldou a sua vocação. Um verdadeiro volte-face do destino para quem é apelidado de "Messi suíço" devido ao seu estilo de jogo.

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"Vou jogar contra o Messi. Wow, está feito, posso deixar o futebol." A mensagem, publicada no Snapchat na intimidade do balneário suíço após a qualificação frente à Colômbia, resume por si só quase vinte anos de fascínio. No sábado, em Kansas City, Zeki Amdouni vai defrontar nos quartos de final do Mundial o homem que moldou a sua vocação de futebolista: Lionel Messi.

Esta publicação, meio séria meio irónica, revela uma admiração antiga e genuína. Questionado pelo Blick em janeiro passado sobre o seu modelo, o avançado recordava a viragem que aconteceu na adolescência. Em criança, idolatrava Cristiano Ronaldo, "pelo penteado, pelos ténis, pelo estilo". Depois, aos 13 anos, tudo mudou: "Quando percebi verdadeiramente o futebol, só havia um jogador para mim: Lionel Messi." Quando lhe perguntaram se algum dia poderia cruzar-se com o seu ídolo num Mundial, já respondia, sem hesitar: "Seria um sonho." Esse sonho, que parecia distante, está prestes a concretizar-se. Após a vitória nos penáltis frente à Colômbia, a emoção foi imediata na sua reação ao microfone da RTS: "É um sonho jogar contra ele."

No entanto, a mensagem publicada no Snapchat não agradou a todos. Parte do público suíço considerou-a despropositada na véspera de uns quartos de final do Mundial, entendendo que tal entusiasmo pelo adversário não deveria ter lugar nesta fase da competição. Amdouni fez questão de tranquilizar os adeptos da Nati nos comentários, prometendo mostrar "zero piedade" por Messi e pela Argentina no dia do jogo.

O "Messi suíço"

Esta admiração assumida não é apenas uma curiosidade: alimentou, desde o início da sua carreira profissional, uma comparação que acompanha Amdouni. Em 2023, a consultora de análise StatsBomb procurava os jogadores europeus com menos de 24 anos mais estatisticamente próximos de Lionel Messi. Dois nomes destacaram-se: Xavi Simons, formado na La Masia, e Zeki Amdouni, então no Basileia. No momento da sua transferência para o Burnley no verão seguinte, o jornal espanhol Marca recuperava a alcunha num título que ficou célebre: "Burnley contrata o Messi suíço". Uma comparação que teria parecido absurda quatro anos antes, quando Amdouni ainda jogava na quarta divisão helvética.

O que justifica o paralelismo, para além dos números, é um estilo de jogo inconfundível: um falso número 9 técnico, mais virado para a construção e o último passe do que para o jogo físico. "Em pequeno, fui sempre avançado porque era bom finalizador, mas nunca fui aquele ponta-de-lança forte que só toca cinco vezes na bola por parte", explicava à UEFA.com. "Sempre fui um jogador técnico. Gosto de participar no jogo, de estar em contacto com a bola e de fazer assistências. Ainda é isso que faço, mas agora, se puder marcar eu próprio, ainda melhor." Vincent Kompany, que o foi buscar ao Basileia por 18,6 milhões de euros quando treinava o Burnley, descrevia-o à chegada como um jogador completo: "É um grande talento que seguimos há muito tempo. Representa uma enorme ameaça ofensiva: tem qualidade no último passe e pode marcar sozinho. É um jogador muito inteligente, tecnicamente dotado e que trabalha imenso."

Por detrás da etiqueta elogiosa, o percurso de Amdouni é, no entanto, o de um jogador de rua, formado longe dos centros de formação tradicionais. Nascido em Saint-Julien-en-Genevois, na vizinha França, filho de pai turco que tinha um quiosque perto do hospital de Genebra e de mãe tunisina, cresceu em condições familiares modestas. Aos 13 anos, uma grave lesão no pé afastou-o do Servette, o seu clube do coração. "Disseram-me primeiro que não iam pôr ninguém na rua por estar lesionado. Mas acabei por ter de sair", recordaria, com a ferida ainda aberta anos depois. Os pais preferiam que continuasse os estudos: "A minha família queria que eu continuasse a estudar, mas no fim aceitaram a minha decisão."

Uma rotura dos ligamentos cruzados e dúvidas para o Mundial

Acabou por relançar-se no Meyrin FC, onde passou duas épocas antes de integrar as camadas jovens do Étoile Carouge, clube da quarta divisão suíça, aos 15 anos, onde foi descoberto por Jean-Michel Aeby, então treinador da equipa principal na 1.ª liga e à procura de reforços ofensivos. Estreou-se pela equipa principal a 4 de novembro de 2017, com 16 anos, e nunca mais saiu. "Tem uma qualidade incrível, é um futebolista quase completo. É bom com os dois pés, de cabeça, é um bom preparador, um verdadeiro jogador de equipa", entusiasmava-se Aeby, que também destacava o seu temperamento: "O Zeki é um tipo bastante reservado, muito discreto, mas isso é uma qualidade, porque não se deixa abalar nem nas situações mais agitadas."

Em junho de 2021, a jovem promessa genebrina assinou pelo FC Lausanne-Sport. O Servette, clube onde se formou, teria gostado de recuperar o seu menino prodígio, mas Amdouni optou por juntar-se ao rival local, onde marcou o seu primeiro hat-trick da carreira frente aos Grenat. Seguiu-se o Basileia, onde explodiu na época 2022/23: 22 golos e cinco assistências em 52 jogos, conquistando o título de melhor marcador da Liga Conferência.

Os números de Amdouni
Os números de AmdouniFlashscore

Esta ascensão meteórica levou-o ao Burnley, mas a sua progressão foi abruptamente interrompida no verão de 2025 por uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho direito, em plena pré-época, pouco depois de regressar de um empréstimo bem-sucedido ao Benfica, onde tinha marcado nove golos. O golpe foi duro para Murat Yakin, que o tinha tornado titular após o Euro-2024, mas o selecionador nunca cortou o contacto: visitou-o em Inglaterra e convidou-o para o estágio de março em Basileia, mesmo quando Amdouni ainda não estava apto fisicamente. "Claro que o Mundial esteve sempre presente no meu pensamento, mas depois de uma lesão destas, nove meses de ausência, a minha prioridade era sobretudo voltar ao relvado", explicou à Keystone-ATS. Só a 1 de maio regressou à Premier League. Bastaram algumas entradas em campo para convencer Yakin a levá-lo para a América do Norte.

A aposta compensou. Entrou aos 103 minutos dos oitavos de final frente à Colômbia e converteu com frieza o seu penálti na decisão (4-3), ao lado de Granit Xhaka, Cedric Itten e Ruben Vargas, sendo apenas Manuel Akanji a falhar a sua tentativa. Explicou o seu método sem rodeios à RTS: "É um exercício em que me sinto confortável. Já o tinha mostrado no Euro." Espera até ao último momento, observa o guarda-redes e remata para o lado oposto ao do apoio. Esta execução levou a Suíça aos quartos de final do Mundial pela primeira vez desde 1954, ano em que organizou o torneio, e proporcionou-lhe, de imediato, o encontro com que sonhava desde criança.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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