“Está tudo em aberto. Poderá ser um Seis Nações B, através de convites, mas as quatro federações estamos juntas. Tudo depende do que acontecer nos próximos dias”, revelou Carlos Amado da Silva, em declarações à agência Lusa, por telefone, a partir de Tiblíssi.
As federações de râguebi de Portugal, Geórgia, Roménia e Espanha assinaram esta sexta-feira, na capital georgiana, um protocolo que formaliza a criação da Four Nations Aliance, “uma cooperação estratégica entre as quatro federações de topo europeias que não integram o torneio das Seis Nações”, anunciaram em comunicado.
A iniciativa “nasceu quando a Rugby Europe veio propor que o Europe Championship continuasse a ser disputado por oito seleções”, quando as principais federações da competição tinham acordado com o organismo, por altura da final deste ano, quando Portugal se sagrou campeão, “voltar ao formato de seis equipas”.
“O atual formato não nos interessa. Temos visto, por experiência própria, que não temos evoluído nada ao longo dos anos. Este modelo prejudica-nos imenso financeira e desportivamente. Temos de mudar radicalmente esta situação”, apontou Amado da Silva.
Nesse sentido, as quatro federações têm mantido, ao longo dos últimos dias, reuniões “com a Rugby Europe, com a World Rugby” e até mesmo “com o Seis Nações”.
A ideia é “aproveitar os seus conhecimentos” no desenvolvimento desta pareceria que vai “defender os interesses comuns dos seus membros em matérias como competições, calendário, financiamento e governação através de uma ação coordenada” entre as quatro federações.
Questionado pela agência Lusa sobre se a aliança poderia começar por dar origem a um torneio das Quatro Nações, privado, à imagem do Seis Nações, Amado da Silva assegurou que “não vão ser cometidos os mesmos erros do Seis Nações”, que não permite o acesso a outras seleções para além de Escócia, França, Inglaterra, Irlanda, Itália e País de Gales.
“Poderá ser um Seis Nações B com estas quatro seleções e por convites. Nós vamos ajudar os países que estão abaixo de nós (no ranking mundial), mas vamos querer disputar uma competição a sério entre nós, abrindo portas aos outros. Não podemos é continuar a ser sistematicamente prejudicados com competições que não nos interessam”, vincou.
Para já, a parceria vai alargar as atuais competições entre franquias da Europa e África do Sul, a Toyota Cup e a Allianz Cup, a quatro equipas europeias e quatro sul-africanas: aos Lusitanos XV, de Portugal, aos Black Lions (Geórgia) e aos Castilla y León Iberians (Espanha) irá juntar-se uma equipa romena e mais uma sul-africana.
As competições passarão a ser disputadas alternadamente entre África do Sul e cada um dos quatro países europeus envolvidos.
A Four Nations Aliance pretende, ainda, “estender a cooperação às seleções nacionais de sub-18, sub-20 e feminina”, acrescentou o líder da FPR.
As “áreas de trabalho” conjuntas apontadas pelas quatro federações, em comunicado, incluem “cooperação nas áreas do alto rendimento, formação de treinadores e râguebi de formação”, o “estudo de novos formatos” competitivos de nível superior e a exploração de “oportunidades comerciais conjuntas”, para além da tomada de “posições coordenadas nos organismos internacionais”.
A Four Nations Aliance será liderada por um Comité Diretivo com presidência rotativa entre as quatro federações.
Portugal (14.º classificado no ranking da World Rugby), Geórigia (13.º), Espanha (17.º) e Roménia (21.º) são, tradicionalmente, as quatro seleções mais fortes do Rugby Europe Championship, desde a exclusão da Rússia, em 2022, após a invasão daquele país à Ucrânia.
Dos quatro, só a Espanha nunca venceu o Europeu, sendo a Geórgia a seleção com mais títulos (17), seguida por Roménia (cinco) e Portugal (dois).
Este ano, Portugal venceu a Géorgia, pela primeira vez em 21 anos, na final disputada em Madrid e colocou um ponto final numa série de oito títulos consecutivos dos lelos.
