Assim anunciou a entidade madridista, cumprindo o que o seu presidente já tinha afirmado publicamente. O objetivo é que o organismo máximo do futebol europeu disponha de toda a informação possível sobre este caso, no qual o Barcelona é acusado de ter pago milhões de euros àquele que foi o número dois dos árbitros espanhóis enquanto desempenhava esse cargo.
Enquanto a entidade blaugrana afirma que esses montantes pagos a Enríquez Negreira (ou ao seu filho) estavam justificados na elaboração de relatórios de arbitragem, o Real Madrid, como acusação particular neste processo judicial, considera que foi prejudicado e que lhe "roubaram" vários títulos de Liga.
Declarações que levaram o Barcelona a apresentar uma queixa contra Florentino Pérez por calúnias no passado dia 12 de junho.
Comunicado do Real Madrid
"O Real Madrid C. F. comunica que, relativamente ao denominado 'Caso Negreira', apresentou à UEFA um documento dirigido aos seus órgãos disciplinares.
Nesse documento, o clube deu conhecimento à UEFA da existência de provas relevantes que reforçam de forma conclusiva os indícios já conhecidos desde o início sobre a existência de pagamentos prolongados no tempo, opacos e sem qualquer justificação verificável, realizados pelo F. C. Barcelona a quem foi vice-presidente do Comité Técnico de Árbitros da Real Federação Espanhola de Futebol, José María Enríquez Negreira, através de diferentes estruturas societárias.
O Real Madrid sublinha que estes factos configuram, do ponto de vista do direito disciplinar desportivo, um risco sistémico de máxima gravidade para a integridade das competições, ao evidenciar a existência de uma estrutura de influência indevida sobre o setor da arbitragem, incompatível com os princípios essenciais de igualdade competitiva, neutralidade, imparcialidade e imprevisibilidade do resultado desportivo.
Neste contexto, o Real Madrid instou a reabertura imediata do processo disciplinar instaurado na altura pela UEFA, considerando inaceitável que esta situação se tenha prolongado no tempo, já que a sua persistência compromete seriamente a credibilidade do futebol, das suas instituições e dos seus dirigentes, pelo que exige uma resposta firme, exemplar e imediata no âmbito desportivo, independente do desenrolar dos processos judiciais em curso.
Por isso, o nosso clube solicita à UEFA que, no exercício das suas competências próprias, autónomas e independentes, adote as medidas disciplinares e restauradoras que sejam adequadas, de modo a garantir a integridade, a transparência e o correto funcionamento das competições, sem que isso implique, em caso algum, substituir a função dos órgãos jurisdicionais do Estado nem antecipar uma qualificação penal dos factos. Neste sentido, o Real Madrid, constituído assistente no processo penal em curso como acusação particular, exercerá, tal como tem feito desde o início, as ações que sejam adequadas em cada momento processual.
O Real Madrid reafirma o seu compromisso com a defesa dos valores essenciais do desporto e continuará a promover todas as ações necessárias para garantir que factos desta natureza não fiquem impunes".
