Viram-se cachecóis erguidos, muitos aplausos, mas também houve abraços demorados e algumas lágrimas, especialmente quando Gustavo, Daniel e Érica, líderes do Salvar o Boavista, procederam à entrega simbólica da primeira camisola do movimento.
A cerimónia decorreu na loja do clube, onde a primeira camisola foi entregue a Jorge Lopes, sócio n.º 305 do Boavista, com colaboração em movimentos anteriores de apoio ao clube.
Uma centena de camisolas já foram produzidas, ainda assim um número muito inferior às mais de 1.500 encomendas, e cada uma tem um custo de 50 euros, começando a ser entregues oficialmente a partir da próxima segunda-feira.
“Apresentámos ainda ontem (sexta-feira) à direção do Boavista um plano de quotas que garantirá, acreditamos nós, receitas correntes até ao final da época”, explicou, no final, Gustavo Santos aos jornalistas.
O líder deste movimento disse ter consciência da dimensão do problema, avaliado em cerca de 150 milhões de euros de dívida, mas sem perder a esperança num final feliz.
“Precisamos de 50 a 55 mil euros mensais e, em apenas três dias, conseguimos essa verba, que rapidamente chegou aos 80 mil. Aceitamos todo o tipo de donativos, que nos chegam do país, incluindo de adeptos de outros clubes, e até do estrangeiro. O mínimo são 50 cêntimos”, acrescentou o responsável pelo movimento, de 39 anos, os últimos 13 a viver nos Açores.
Para Gustavo Santos, “não era possível ficar no sofá e ver o Boavista definhar e morrer”.
“Vamos tentar tudo para que o clube subsista. Estamos preparados para ficar sem futebol sénior por muitos anos, mas o Boavista não é apenas futebol, tem mais de 1.500 praticantes em representação de 31 modalidades”, referiu.
O movimento Salvar o Boavista conta com mais de 100 elementos e exemplifica aquela ideia ouvida hoje no estádio do Bessa de que “o Boavista está vivo”.
Fernanda e Joaquim, nonagenários, com mais meio século de ligação ao clube, a tudo assistiram e, entre a prudência recomendada pela idade, não tiveram dúvidas em aplaudir a iniciativa dos mais novos, subscrevendo tudo o que possa ser feito para salvar o clube, posição partilhada pelo ‘cobrador Moutinho’, ainda no ativo aos 84 anos e o mais antigo em Portugal, que os abraçou demoradamente.
“Só nós, os mais velhos, é que vamos com os pés juntos para a cova (sorriu). O clube vai continuar”, sentenciou, de costas para a tarja pendurada numa das paredes do estádio, com a inscrição: “Até ao último homem. 1903”.
