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Reportagem: Ausência de Ronaldo passa quase ao lado dos adeptos no Parken

Os adeptos expectantes para ver Portugal
Os adeptos expectantes para ver PortugalReuters

A ausência de Cristiano Ronaldo do Dinamarca-Portugal parece só afetar os adeptos mais novos que se deslocaram ao Estádio Parken, com o apoio à seleção lusa em Copenhaga a ser praticamente inexistente perante a mancha vermelha e branca.

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Ainda o recinto, que tem capacidade para cerca de 40 mil pessoas, não estava aberto e já muitos adeptos se juntavam no parque bem verde e de largas dimensões que existe ao lado, onde foram montadas, como é habitual em dias de jogos (de acordo com os adeptos locais), cerca de duas dezenas de barracas e tendas com bebidas, sobretudo cerveja, e comida, sobretudo a smorrebrod, a famosa sanduíche dinamarquesa.

Aqui foi quase impossível encontrar as cores da seleção nacional, só nos cachecóis fabricados para esta partida, com os adeptos dinamarqueses a passarem um pouco ao lado do súbito abandono de Cristiano Ronaldo do estágio de Portugal.

“Acho que é mais um comportamento de menino mimado. É um grande jogador, mas toda a carreira se portou assim. Nunca um jogador pode ser maior que um país. Nunca. E, sinceramente, nem ficamos chateados por não jogar”, disse Lars Pedersen, de 24 anos, à Lusa.

O seu irmão Soren, dois anos mais velho, considerou mesmo que a Dinamarca só tem a perder com a ausência de Cristiano Ronaldo desta partida.

“Há um ano, a Dinamarca ganhou aqui com Ronaldo em campo e a exibição que ele fez foi muito má. Mal conseguia correr ou disputar qualquer lance. Por isso, sinceramente até tenho pena que ele não jogue”, confessou.

Entre os milhares que já se juntavam no local, lá foi possível encontrar alguns adeptos com a mítica camisola 7 de Ronaldo, umas de Portugal, outras do Real Madrid ou do Al Nassr, mas todas no corpo de crianças ou adolescentes.

“Era a primeira vez que ia ver Ronaldo. Fiquei muito triste quando soube que não iria jogar. Foi uma grande desilusão”, disse o pequeno Morten Lund, de apenas nove anos, que estava acompanhado do pai.

“Na nossa família, nem somos grandes adeptos de futebol, mas o meu filho queria muito ver o Ronaldo. É maluco por ele. Por isso, é uma grande desilusão”, confirmou Niels Lund.

Bem mais inconformado estava Umur Demir e o seu grupo de amigos, que passaram na quarta-feira o dia à porta do hotel em que a comitiva lusa está instalada em Copenhaga e que passaram as últimas semanas a contar os dias para ver ao vivo Ronaldo.

“Gastámos muito dinheiro nos bilhetes. Quando soubemos que ele se tinha ido embora, não queríamos acreditar. Estamos aqui e ainda temos esperança que ele apareça. É um pesadelo. Só comprámos bilhetes para ver Ronaldo”, desabafou o adepto de 17 anos.

Já nas bancadas do Parken, que vai ter lotação esgotada, realmente é difícil encontrar alguma presença de Cristiano Ronaldo, com o apoio à Dinamarca, como já seria de esperar, a ser avassalador, perante uma muito pequena bancada com adeptos lusos, que deram uma imagem de grande fair-play ainda antes do apito final.

O antigo guarda-redes Kasper Schmeichel, que acabou a carreira há poucos meses devido a lesão, foi homenageado no relvado perante um enorme ovação do público, também com pequena participação portuguesa.

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Na quarta-feira, o capitão Cristiano Ronaldo abandonou, por decisão própria, o estágio de Portugal em Copenhaga, pouco depois de ter voltado a ser tema dominante na conferência de imprensa do selecionador Jorge Jesus.

Em Oslo, no último domingo, Ronaldo não saiu do banco frente à Noruega, apesar de ter estado a aquecer grande parte da segunda parte, e abandonou o relvado insatisfeito logo após o apito final, tendo falhado todos os treinos que se seguiram.

Nas suas redes sociais, Ronaldo confirmou ter falado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, antes de abandonar o estágio, deixando a garantia de que “a seu tempo” dirá “a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram” a decisão de abandonar a comitiva.

A FPF confirmou, sem adiantar qualquer explicação, a saída do jogador que tem um recorde mundial de 234 internacionalizações, além de 146 golos pela seleção principal de Portugal, com a qual conquistou o Euro-2016 e as Ligas das Nações de 2019 e 2025.

Tudo sobre o caso Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo abandonou a 30 de setembro o estágio da seleção portuguesa, na véspera do jogo com a Dinamarca, para a Liga das Nações. "A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses", prometeu o avançado de 41 anos, depois da bomba que caiu sobre o futebol português.

Recorde todas as polémicas de CR7 com Portugal, saiba o castigo que arrisca o capitão de Portugal e veja toda a cronologia da crise.

O adeus de Ronaldo à seleção
O adeus de Ronaldo à seleçãoGetty Images via AFP
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