Roberto Martínez: "A ideia não é ganhar 5-0, é ter um adversário difícil"

Roberto Martínez com João Cancelo no Portugal-Nigéria
Roberto Martínez com João Cancelo no Portugal-NigériaREUTERS/Rodrigo Antunes

Leia abaixo as declarações de Roberto Martínez, selecionador de Portugal, depois da vitória por 2-1 diante da Nigéria, no último jogo de preparação para o Mundial-2026, disputado esta quarta-feira no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria.

Recorde as incidências da partida

Mensagem inicial: "Quero começar por lamentar a morte de um adepto. É uma triste notícia e quero mandar sentimentos à família e dizer que vamos tentar ganhar o primeiro jogo do Mundial para a família."

Análise ao jogo: "Foi um particular com muito significado, jogar contra uma equipa africana. Estamos muito habituados a isso e será muito semelhante à RD Congo. Jogadores atacantes muito fortes, que utilizam os duelos muito bem. É importante ganhar e melhorar. Na 1.ª parte tivemos grandes oportunidades, e a Nigéria também acabou por ter algumas com o espaço dado por nós. A RD Congo também faz isso. Depois fizemos substituições e acrescentámos nível. A Nigéria não tem um remate enquadrado na 2.ª parte. Controlámos o jogo e estou muito satisfeito. Utilizámos 26 jogadores em dois jogos e estão todos prontos para o Mundial. Acho que foi um jogo muito bom para nós. A ideia não é ganhar 5-0, não é fazer um jogo brilhante, é ter um adversário difícil e contra o qual pudéssemos testar alguns aspetos."

Cristiano Ronaldo fez 64 minutos: "O plano que tínhamos para o Cristiano, com a informação que temos, era jogar 45 ou 60 minutos. O Nuno Mendes também tinha um plano individual de 30 minutos, o Gonçalo Ramos também, o Vitinha e o João Neves de 45. O importante é trabalhar o aspeto individual, mas ter uma equipa que consegue terminar o jogo mais forte do que começou. E isso mostra o trabalho bem feito, o foco, a clareza na execução dos conceitos. Estamos muito mais bem preparados".

Onze para a estreia no Mundial: "Não tenho onze ainda. Temos muita clareza no que queremos. Há muitos jogadores a um bom nível e que podem fazer a mesma função e trabalho no relvado. O onze é consequência do trabalho até ao último dia e trabalhámos assim nos últimos três anos e meio. Tenho essa experiência e isso ajuda muito. A seleção não trabalha com um onze, mas sim com jogadores que lutam para lá estar".

O que mais o preocupou para a RD Congo? "Não é aspeto de preocupação, precisamos de trabalhar, alinhar conceitos para todos os adversários. A Nigéria mostrou o que a RD Congo pode fazer, arriscam muito nos duelos. É dar ou criar uma oportunidade. Antecipar o que pode acontecer num duelo é importante para a RD Congo. Mas foi executar aspetos de bola corrida, de bola parada. Sinto que a equipa está preparada, a situação perfeita precisa de chegar depois dos primeiros três jogos."

O que falta melhorar? "Precisamos melhorar o que faz parte de uma seleção, sincronizar aspetos. As decisões são coletivas, melhorar muito as chegadas aos duelos. Os aspetos que sejam de um grupo, que agora estão no balneário a ser trabalhados de forma incrível. Fico muito contente. Os jogadores estão frescos. É o começo da época, não tenho a sensação que estão no fim da época. Mas falta a ligação, a intuição do que o colega vai fazer. É o processo que temos de melhorar."

Comparação da Nigéria com a RD Congo: "Jogaram com losango e dois pontas de lança, não há muitas equipas na Europa que joguem assim. Temos jogadores com bola que, sem dúvidas, vamos ter situações de marcar ao homem, e hoje tínhamos de experimentar linhas de passe, criar superioridade. O teste foi perfeito pela forma como arriscaram no bloco médio."

Sensações diferentes antes da partida para o Mundial: "Sem dúvida. Todos são diferentes. Fico satisfeito por ver o entusiasmo e a atitude. Fiquem tranquilos, estamos muito bem representados. Este grupo merece tudo."

Onze mais claro ou ainda mais dúvidas: "Continuo a dizer, sou muito chato. Não há um onze inicial. No futebol moderno há 26 que podem ajudar. As ideias de como jogar contra a RD Congo são muito claras e há vários que as podem executar. É um erro pensar que tenho um onze, depois em quatro ou cinco dias vejo que há jogadores em melhor forma. Trabalhamos sempre com clareza no relvado, é uma valência. Não posso limitar o talento a onze jogadores. É um erro que não vou fazer. Temos jogadores de campo preparados para ajudar. Os que começam não quer dizer que vão começar todos os jogos. Precisamos de aproveitar bem o nosso talento."

Dificuldades em contra-ataque: "Hoje era jogo para arriscar em pressão alta. Em geral é afinar a sincronização, ter melhor entendimento entre os jogadores. Não há um aspeto muito fraco. Precisamos melhorar em tudo, que é treino, jogo... Uma equipa que faz nove substituições e aumento ritmo de jogo e desempenho revela a qualidade do trabalho que estamos a fazer."

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