Em campo: Messi em grande forma – O valor de Ronaldo para Portugal
A tensão antes do Mundial-2026 na América do Norte é palpável, e os dois gigantes do futebol mundial estão a entrar definitivamente na reta final das suas carreiras internacionais. Lionel Messi (38 anos) e Cristiano Ronaldo (41) estão prestes a entrar para a história ao participarem, cada um, no seu sexto Mundial – um feito que, este verão, apenas partilham com o guarda-redes mexicano Guillermo Ochoa.
Enquanto o mundo do futebol sonha com o cenário ideal – um confronto direto nos quartos de final, caso ambos vençam os respetivos grupos –, nem a concorrência consegue ficar indiferente. Até Kylian Mbappé entrou recentemente na eterna discussão através do TikTok: previu que ambos estarão entre os melhores marcadores do torneio, mas colocou CR7 à frente no duelo direto – simplesmente porque Ronaldo é, segundo ele, um verdadeiro avançado. (Que Mbappé se tenha colocado a si próprio, com modéstia, como número um, já era de esperar).
Olhando para os mais recentes jogos de preparação, percebe-se que a preparação desportiva de ambos foi marcada por sinais distintos. Lionel Messi esteve recentemente a contas com uma sobrecarga muscular na coxa esquerda, que o afetou desde a sua saída precoce do Inter Miami a 24 de maio.
Após um treino individual de recuperação em Kansas City, regressou em grande na noite de terça-feira, na vitória por 3-0 frente à Islândia em Auburn, Alabama: entrou aos 70 minutos e, no seu primeiro toque, fez um passe magistral para Lautaro Martínez, que conquistou o penálti que ele próprio, dois minutos depois, converteu com frieza para debaixo da barra. Foi o seu 117.º golo pela seleção, tornando-o no mais velho marcador da história da federação argentina.
Messi não chega ao torneio na sua melhor forma física absoluta, mas parece libertado de qualquer peso histórico após o tão desejado título mundial conquistado no Catar. Num sistema argentino renovado, onde Julián Álvarez e Lautaro Martínez dividem as responsabilidades, Messi é mais do que nunca o cérebro da equipa de Lionel Scaloni, sendo fundamental para colmatar a saída de Ángel Di María.
O cenário é bem diferente no seio da seleção portuguesa. Cristiano Ronaldo, que fez uma época notável com 28 golos em 30 jogos pelo Al-Nassr, foi titular na vitória por 2-1 em Lisboa frente ao Chile, mas viveu uma autêntica montanha-russa. Um vídeo em que falha um cabeceamento isolado, enviando a bola muito por cima, tornou-se viral e alimentou ainda mais o debate aceso em Portugal.
Enquanto o selecionador Roberto Martínez não se cansa de defender o fenómeno Ronaldo – recordando insistentemente os seus 25 golos nos últimos 31 jogos pela seleção e a sua postura profissional –, comentadores como James Tyler, da ESPN, dizem que CR7 é bênção e maldição ao mesmo tempo. Os críticos questionam se Ronaldo não estará a travar a evolução de uma geração repleta de talento, como Bruno Fernandes – até porque as maiores goleadas de Portugal sob Martínez aconteceram sem ele em campo.
Apesar de tudo: a vontade do melhor marcador de sempre (143 golos em 227 jogos pela seleção) mantém-se inabalável. Se marcar neste Mundial, será o primeiro jogador da história a marcar em seis Mundiais diferentes. No comparativo histórico de golos em Mundiais, Messi leva vantagem com 13-8 e tem ainda o recorde absoluto de Miroslav Klose (16 golos) bem à vista.

Após análise dos últimos sete dias, o GOAT-o-Meter inclina-se ligeiramente para o lado do génio argentino. Messi recuperou a tempo da lesão, marcou logo após entrar e é o centro indiscutível e harmonioso da sua equipa. Ronaldo, por sua vez, manteve o empenho habitual, mas viaja para o outro lado do Atlântico com debates internos ruidosos sobre o sistema e um falhanço viral na bagagem.
Fora de campo: Marca dos mil milhões, rotinas geladas e lendas da TV ofendidas
Fora das quatro linhas, os dois astros voltaram a ultrapassar, na última semana, os limites financeiros do imaginável. Segundo a Forbes, Lionel Messi atingiu finalmente a marca mágica de mil milhões de dólares de património líquido (atualmente estimado em 1,1 mil milhões) – sobretudo graças aos seus avultados rendimentos e à participação no capital do Inter Miami.
Cristiano Ronaldo, no entanto, distanciou-se ainda mais financeiramente: graças ao seu salário XXL isento de impostos na Arábia Saudita, tornou-se o primeiro atleta em atividade a ultrapassar os 2 mil milhões de dólares em receitas de carreira. Este império empresarial foi recentemente reforçado com uma nova campanha global da Nike ao lado da lenda do basquetebol LeBron James para o novo modelo "Mind Slide".
Mas o dinheiro não protege de orgulho ferido. A lenda da apresentação britânica Gary Lineker revelou num podcast uma história curiosa: CR7 deixou de lhe falar completamente depois de Lineker ter dito publicamente que considerava Messi o melhor futebolista. Os adeptos de Ronaldo e o próprio reagiram de tal forma que Lineker soube, por terceiros, que passou a estar na lista negra do português.
Apesar da sua riqueza incalculável, Ronaldo manteve-se, no fundo, um colega acessível, como revelou o seu antigo companheiro Danilo (atualmente no Flamengo e convocado para o Mundial pelo Brasil). Em entrevista ao The Athletic, Danilo tentou desmistificar o "mito do extraterrestre": "As pessoas pensam que o Cristiano é como um extraterrestre, mas ele era um tipo perfeitamente normal, que se ria e gostava de passar tempo com a família."
Ao mesmo tempo, Danilo destacou também o profissionalismo obsessivo de Ronaldo. Prova disso foi um vídeo viral nas redes sociais, no primeiro fim de semana de junho, em que Ronaldo desmistificou a ideia de que duches frios e banhos de gelo provocam febre. "A verdade é o contrário. Quanto mais vezes fizeres isso, menos vezes ficas doente", explicou o craque de 41 anos sobre a sua preferência por banhos de gelo a temperaturas até -20°C.
O ex-treinador Carlo Ancelotti confirmou esta obsessão com uma história: mesmo quando a equipa regressava de madrugada de um jogo fora para a Liga dos Campeões, Ronaldo dispensava o sono e ia diretamente para o centro de treinos para se submeter à crioterapia.

Messi, por sua vez, encara esta fase final da carreira de forma mais descontraída, mas sem perder o estilo. A sua esposa, Antonela Roccuzzo, encantou as redes sociais com uma publicação no Instagram, onde exibe uma camisola exclusiva da coleção "Kith & Messi". O destaque: Messi sorridente, com o rosto emoldurado por mãos cheias de anéis – símbolo dos seus inúmeros troféus.
Enquanto Cristiano mantém o corpo imaculado, sem tatuagens, e (também devido à morte prematura do pai por alcoolismo) vive em total abstinência, o "clã Messi" cultiva a imagem do pai de família acessível e humilde. O Inter Miami chega ao ponto de organizar os jogos do filho de Messi nos campos da academia do clube, para que o astro possa assistir tranquilamente, longe do alvoroço.
Futuro: O Santo Graal sob o signo de "27+1"
O foco está agora inevitavelmente no grande duelo em solo norte-americano. Para ambos os superastros, os próximos dias serão dedicados às últimas viagens para os jogos de estreia. A equipa argentina começa a 16 de junho no Arrowhead Stadium, em Kansas City, frente à Argélia, na missão de defender o título. Seguem-se os restantes jogos do Grupo J frente à Áustria (22 de junho) e Jordânia (27 de junho) em Arlington, Texas.
Para Messi, cada passo tem um sabor agridoce. Mesmo sem anunciar oficialmente o fim da carreira internacional, é um segredo mal guardado na Argentina que este será o seu último grande torneio. Já em setembro passado, após o jogo de qualifying frente à Venezuela no Monumental, deixou escapar, em lágrimas, que tinha disputado o seu último jogo oficial em casa. O selecionador Scaloni resume com emoção: "Prefiro pensar apenas no presente, senão fico logo triste."

No campo português, a carga emocional é igualmente intensa, mas marcada por um trauma mais profundo. Antes da partida para os EUA, a 12 de junho, a equipa foi despedida solenemente pelo Presidente da República, António José Seguro, na Cidade do Futebol. Seguro entregou a Ronaldo, capitão, uma bandeira nacional com a ordem simbólica e clara de a levar para o relvado após a final de 19 de julho: "Tragam-nos o troféu que ainda nos falta!"
Particularmente emotivo: a equipa viaja oficialmente com 27 jogadores, mas adota internamente o lema "27+1". Trata-se de uma homenagem explícita ao antigo avançado do Liverpool, Diogo Jota, falecido tragicamente num acidente de viação em julho de 2025. "Joguem e trabalhem também em memória do nosso Diogo", pediu o Presidente aos jogadores antes da viagem para Palm Beach, Florida, onde Portugal vai instalar o seu quartel-general para o Mundial.
Após um último jogo de preparação frente à Nigéria na quarta-feira à noite (21h45/DAZN), a caminhada da Seleção no Grupo K do Mundial começa a 17 de junho em Houston, frente à RD Congo, seguindo-se Usbequistão (23 de junho) e o potencial duelo decisivo do grupo frente à Colômbia a 27 de junho em Miami – um jogo para o qual o Presidente da República já confirmou presença.
Enquanto a estrela do desporto norte-americano Kay Adams deixou um aviso aos céticos na televisão ("Estão todos loucos por não gostarem do Ronaldo – isto é puro espírito Tampa Bay Tom Brady para 'One Last Ride'"), o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, já olha para o futuro com realismo. Questionado sobre os sonhos dos adeptos de ver Ronaldo jogar no Mundial de 2030 em Portugal, Espanha e Marrocos, com 45 anos, Proença respondeu de forma pragmática: "Fisicamente, isso seria uma enorme surpresa."
As próximas semanas na América do Norte serão, provavelmente, a última oportunidade para assistir ao duelo mais épico da história do desporto moderno no maior palco de todos.
