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Rui Borges: "Contestação? É normal que se sintam assim, estamos numa equipa grande"

Atualizado
Rui Borges com Geny Catamo no final do Sporting-Arouca
Rui Borges com Geny Catamo no final do Sporting-AroucaMIGUEL A. LOPES / EPA / Profimedia

Leia abaixo as declarações de Rui Borges, treinador do Sporting, após o empate a dois golos diante do Arouca, no Estádio José Alvalade, em jogo da 7.ª jornada da Liga Portugal.

Recorde as incidências da partida

Na flash interview

Sporting descontrolou-se na segunda parte? "Não se trata de ser a segunda parte. Há um jogo até à expulsão e há um jogo depois da expulsão, é tão simples quanto isso. Até à expulsão controlámos o jogo, fomos pressionantes, tentámos ser sempre pressionantes sobre o Arouca. Fizemos dois golos, podíamos ter feito mais. Na segunda parte entrámos muito bem no jogo, muito bem mesmo; podíamos ter aumentado o resultado, mas não conseguimos. Após a expulsão, muda o jogo. A expulsão muda logo o jogo. Tínhamos de saber sofrer ali um pouco. O Arouca é bastante dinâmico naquilo que é o seu processo ofensivo e acaba por entrar no jogo com o penálti. Até aí, nós estávamos com o bloco mais baixo, mas a controlar o jogo, sem termos tanta posse de bola, como é lógico. Com menos um jogador contra uma equipa que gosta de ter bola e consegue ter muito bem a bola, o penálti mete o Arouca no jogo e depois acabam por ser felizes no empate, no 2-2".

Substituições não recuaram demasiado a equipa e demasiado cedo? "Nós com dez não podíamos ser tão pressionantes como éramos, nem nada parecido. É tão simples quanto isso. Não tem a ver com tração atrás; tentámos meter jogadores que nos dessem alguma condução, alguma saída, qualidade com bola e de condução também, e refrescar a equipa, acima de tudo. É natural que não tivéssemos tanta bola e que não fôssemos tão pressionantes, porque estávamos com menos um jogador a jogar contra uma boa equipa quando tem a posse, ainda para mais com mais um elemento. É tão simples quanto isso. De resto, não tem a ver com as substituições termos empatado o jogo ou não."

Contestação dos adeptos. Como reage? "Com naturalidade. É normal que se sintam assim, é natural que não estejam felizes nem contentes. Estamos numa equipa grande, queremos ganhar os jogos, queremos lutar pelo campeonato. O que é certo é que já perdemos seis pontos e é natural a insatisfação, tanto dos adeptos como a nossa. É de todos."

Incomodado com notícias de treinadores para o Sporting? "Incomodam mais as vossas perguntas e, às vezes, as vossas leituras. Vocês levam a parte da humildade do Rui Borges por ser uma pessoa de Trás-os-Montes, por ser uma pessoa que está sempre a dizer que é de Mirandela... Não, não me sinto incomodado. Sinto-me muito honrado com aquilo que sou, com a pessoa que sou, com o treinador que sou e feliz com o trabalho que tem sido feito pela nossa equipa técnica."

Pausa para as seleções chega na melhor altura? "Não, na pausa fico sem jogadores."

Na sala de imprensa

Análise ao encontro: "É simples: há um jogo até à expulsão. Um bom jogo da nossa parte, bem conseguido. Chegámos a golos, podíamos ter feito mais golos mesmo na primeira parte. Depois entrámos muito bem na segunda parte, muito bem mesmo; o Arouca nem conseguia sair do meio-campo, do meio-campo defensivo deles. A expulsão muda tudo. Obriga-nos a ir para um momento defensivo onde fomos minimamente competentes até ao momento do penálti. O penálti acaba por meter o Arouca no jogo, fá-los acreditar... E nós tínhamos de ser ainda mais agressivos naquilo que era a defesa da baliza. Sabíamos que ia haver muitos cruzamentos, acabámos por sofrer golo num cruzamento. Uma equipa que depois... É uma equipa que toca bem a bola, que tem muita mobilidade no processo ofensivo. Com mais um jogador, era natural que nós não consigamos ser tão pressionantes como fomos durante o tempo que estivemos com 11 jogadores em campo, onde fomos e tentámos ser sempre pressionantes. E acabam por ser felizes."

Sente condições para continuar no comando técnico do Sporting? "O único sentimento que tenho é tristeza, porque empatei o jogo. De resto, a contestação é natural dos adeptos, é naturalíssimo. Estamos num grande clube onde a exigência é máxima, mesmo quando ganhamos — já disse isso várias vezes —, por isso entendo a contestação. É algo natural no futebol, temos de saber viver sobre isso e com isso nos momentos menos bons".

Mudança de sistema para um 4x3x3: "Não se trata de grandes adaptações, trata-se, sim, de uma ou outra dinâmica, não fugindo daquilo que nós somos, com jogadores diferentes, características diferentes. Tentámos ter dois homens de corredor, fortes no um para um, verticais, com o Geny e com o Nes (Irankunda). Tentar prender os dois médios do Arouca nos nossos dois médios ofensivos, digamos, os nossos médios interiores, e conseguirmos desbloquear a pressão deles num três para dois, num primeiro momento, e depois sim conseguirmos encaixar num espaço mais à frente, ter mais calma nesse sentido. Na primeira parte poderíamos ter tido aqui ou ali um bocadinho mais de calma e tranquilidade quando chegávamos às zonas do último terço. Queríamos acelerar a toda a hora, víamos sempre um colega livre, tentámos sempre... Fomos falhando ali um ou outro passe que não tínhamos essa necessidade. Mas a equipa interpretou muito bem aquilo que tínhamos planeado para aquilo que era o jogo. Uma primeira parte muito boa, um início de segunda parte fantástico, muito boa mesmo, a equipa muito dinâmica, muito ligada, a conseguir criar situações de finalização na baliza do Arouca. E a expulsão muda tudo."

Falta maturidade dentro de campo? "Eu já disse que falta alguma maturidade, mas não se trata disso. Olhem para o jogo e olhem para o que acontece no jogo. Ficámos com 10; é impossível sermos pressionantes como somos. Por mais que sejamos uma grande equipa, por mais que tivéssemos maturidade, sabíamos que íamos ter de sofrer ali em alguns momentos, e fomos controlando até ao penálti. O penálti mete o Arouca no jogo, porque, sinceramente, acho que se não existisse o penálti não iríamos estar aqui a falar de um empate. Mesmo nós com um bloco mais baixo — o que é natural, porque tínhamos de defender a baliza —, é uma equipa que procura corredores, muitos cruzamentos, e nós tínhamos de saber defender a área. Acabaram por ser fortes num lance de cruzamento, de ataque à área, e fazer o 2-2 nesse sentido"

Conversa com Gonçalo Inácio: "Estava com algumas dificuldades, eu estava-lhe a perguntar se tinha de sair ou não e ele disse-me que aguentava. Foi só isso quando o cumprimentei."

Compreende as desatenções dos centrais do Sporting? "Não se trata de compreender ou não; são coisas que acontecem no jogo. Tenho que saber lidar com elas: sou treinador, fazê-los crescer individualmente naquilo que é o seu comportamento e naquilo que são as suas decisões dentro de campo. Mas jamais vou culpar aqui alguém pelo empate ou não. Em relação àquilo que foi o jogo e em relação ao afundamento: bloco mais baixo, natural. Jogámos contra uma equipa que com bola é muito dinâmica, tem muita mobilidade. Era impossível, como eu disse. Nós sabemos naquilo que somos bons e em alguns momentos menos bons. Temos clara a visão daquilo que somos enquanto equipa. Não conseguimos ser pressionantes com dez como gostamos e como estávamos a ser; não conseguimos, tão simples quanto isso. Por mais que a tática que eu pusesse ali... Não íamos conseguir ser pressionantes nesse sentido e sabíamos que tínhamos de estar num bloco mais baixo. Faltou-nos alguma saída, é certo, em alguns momentos. Mas é algo que, lá está, é algo que não controlámos e temos de saber crescer também nesse sentido. Perdemos um elemento ali importante, obrigou-nos a mexer de forma diferente. Tentámos refrescar, ter gente que nos desse saída, que nos desse transporte..."

Plantel que foi renovado pode ser agora um problema? "Não mudava nada em relação àquilo que foi a pré-época ou aquilo que foi a escolha de plantel, não mudava absolutamente nada, independentemente dos resultados ou dos três empates que temos até ao momento. Por isso, em relação aos adeptos: natural, já disse isso. Estou preocupado, sim, naquilo que é o nosso trabalho para crescer enquanto equipa do Sporting e conseguir dar uma resposta diferente, porque temos que a dar, porque estamos numa grande instituição, num grande clube onde a exigência, já disse, é máxima, mesmo quando ganhamos. Por isso, não ganhámos, a exigência ainda é maior."

Mostrou preocupação com estado anímico da equipa na véspera: "Não mostrei nenhuma preocupação. Não mostrei preocupação, não digam coisas que eu disse... que eu não disse, digo. Eu não disse, não mostrei nenhuma preocupação nenhuma. Eu disse que era importante..."

Mas falou na importância que era ganhar este jogo antes da pausa: "Não falei em preocupação. Era importante ganhar para a equipa ir confiante para a pausa, não falei em preocupação nenhuma. Claro que nós temos sempre a obrigação de mais e melhor, independentemente do Arouca ou de outra equipa qualquer — seja o primeiro classificado, seja o último. A nossa obrigação e a nossa exigência é máxima, e temos a obrigação sempre de fazer mais. Por isso, é perceber as circunstâncias de cada jogo e de que forma é que perdemos os pontos."

Leia a crónica do Flashscore

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