“Para mim, nesta altura da minha carreira, a vitória é o que me importa. Se ganhar uma medalha, vou ficar contente, como é óbvio. Mas, para mim, o meu objetivo é mesmo ganhar”, confessou o palmelense de 34 anos.
O ciclista da Anicolor-Campicarn aterrou na cidade italiana de Taranto apenas três dias depois de completar a Volta a Portugal, desta vez sem a clássica vitória no prólogo, reconhecendo que o estatuto de campeão em título dá “uma motivação extra para tentar renovar” o cetro conquistado há quatro anos em Oran, na Argélia.
“É uma competição muito importante. Estamos a representar o país e temos de ter essa responsabilidade. É a terceira vez (que Portugal participa), mas as coisas têm corrido bem sempre. Em Tarragona, também correu bem, o Domingos Gonçalves ganhou uma medalha (de prata, no contrarrelógio). O ciclismo tem dado visibilidade em Portugal aos Jogos do Mediterrâneo”, realçou.
Rafael Reis revela que prometeu ao selecionador nacional, Valter Sousa, que iria dar o seu melhor e tentar “conseguir ganhar” o contrarrelógio agendado para sábado, o que seria “muito bom” para a carreira do maior especialista na luta contra o cronómetro do pelotão nacional.
O campeão nacional de contrarrelógio de 2022 sente que o título conquistado há quatro anos em Oran lhe deu visibilidade, porque os Jogos do Mediterrâneo são “uma organização muito grande”.
“Foi muito bom. E mesmo no pódio e tudo: o hino, a bandeira e essas coisas. Aquilo é mesmo diferente. Sentires aquilo ali ou ganhares uma corrida em Portugal é uma coisa diferente. Estás a representar o país. É uma responsabilidade diferente. Sentes que cumpriste e isso é muito bom. É um privilégio. E são vitórias diferentes, mesmo a nível de sentimento”, distinguiu o vencedor de 11 etapas na Volta a Portugal.
Por isso, e embora a viagem para a cidade dos dois mares implique estar ainda mais tempo fora de casa e perder fases importantes do crescimento do filho mais novo, que tem pouco mais de um ano, ‘Rafa’ nem hesitou em participar pela segunda vez nos Jogos do Mediterrâneo, uma vez que “é um orgulho, um privilégio ir defender o título”.
Recordando a subida ao pódio como o momento alto de Oran-2022, o corredor luso destaca ainda o convívio com atletas de outras modalidades e as muitas perguntas que fez na altura, nomeadamente sobre a temática da nutrição.
“Quando estás na sala de recuperação, falas com uns e com outros, quando vamos jantar também sentamos na mesa com outros desportos e até com outras nacionalidades. Dá para teres contacto com muita gente”, contou à Lusa.
Para Reis, a experiência nos Jogos do Mediterrâneo deverá assemelhar-se à de uns Jogos Olímpicos, nos quais nunca participou.
“(Estive) em Singapura, que foram os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, e eu acho que a dimensão daqueles jogos foi a dimensão de uns Jogos (Olímpicos). Ou seja, as memórias que eu tenho daquilo é que foi mesmo muito à grande. Era gigantesco, era uma cena enorme”, recordou, aludindo à edição de 2010 dessa competição.
Depois de estar em Oran-2022, o palmelense nota que a dimensão dos Jogos do Mediterrâneo “é mais pequena”, mas acaba por ser igual aos Jogos Olímpicos da Juventude.
Surpreendido pela Aldeia Mediterrânea estar instalada num navio cruzeiro, Reis só espera que “o barco não abane muito”.
A 20.ª edição dos Jogos do Mediterrâneo decorre entre sexta-feira e 03 de setembro, reunindo em Taranto cerca de 3.800 atletas de 26 países que são tocados pelo mar Mediterrâneo.
A dupla campeã de Oran-2022 começa a competir nestes Jogos do Mediterrâneo no sábado, nas séries dos 200 metros costas.
