Stefanos Tsitsipas na primeira ronda, Jiří Lehečka ou Tomáš Macháč, Ben Shelton nos oitavos, Carlos Alcaraz nos quartos, Novak Djokovic nas meias-finais e Alexander Zverev na final. Um verdadeiro percurso de combate: é isto que pode esperar Arthur Fils no caminho para um grande resultado no US Open.
Obviamente, para vencer um torneio do Grand Slam, é preciso derrotar todos os adversários. Mas será que estamos realmente a falar de vencer um torneio do Grand Slam? Seria lógico para um jogador que conquistou o último Masters 1000 antes do US Open. Só que estamos a falar de um jogador que, até agora, só atingiu uma vez os oitavos de final num torneio major (Wimbledon 2024).
No entanto, este primeiro título em Masters 1000 representa claramente um salto de qualidade. Há muito que se esperava que Arthur Fils jogasse ao nível que lhe era atribuído. Desde que tinha arrasado em Hamburgo Casper Ruud, dois meses depois da segunda final do norueguês em Roland-Garros. E em terra batida, 6-0, 6-4, nada menos.

Três anos e várias lesões depois, o francês conquistou finalmente um grande título. O Masters 1000 de Cincinnati, portanto, cuja importância muitos tentaram desvalorizar devido à ausência de Jannik Sinner e Carlos Alcaraz. Um erro, sem dúvida: um título é sempre um título. Arthur Fils venceu os encontros que tinha de vencer, traçando o seu caminho sem olhar para trás: é isso que se espera de um campeão.
No entanto, esta vitória, naturalmente, coloca uma aura de pressão sobre o ténis francês, sedento de grandes resultados. Um primeiro título masculino em Masters 1000 ao fim de 12 anos faz de Arthur Fils um dos outsiders de luxo para o US Open. Sinner está fora, Alcaraz regressa agora de uma lesão no pulso, a digressão americana de Zverev tem sido desastrosa, Djokovic parece estar no limite: há uma oportunidade.
Arthur Fils, um caminho sinuoso
Mas este sorteio é um obstáculo inesperado. A primeira ronda frente a um Tsitsipas capaz de tudo cheira claramente a armadilha. Lehečka e Macháč podem vencer qualquer adversário. E só de pensar numa sequência Shelton - Alcaraz - Djokovic - Zverev já dá arrepios.
E nem sequer é esse o maior problema: a pressão é o principal adversário de Arthur Fils. A pressão de tentar o duplo Cincinnati - US Open, quando esse feito só foi alcançado pela elite do ténis no século XXI: Roger Federer (2005, 2007), Rafael Nadal (2013), Novak Djokovic (2018, 2023), Jannik Sinner (2024), Carlos Alcaraz (2025). É este o desafio do francês: missão de nível lendário.
Sem esquecer o aspeto físico, que continua a ser uma fonte constante de dúvidas. Desde que desistiu em Roma, o que levou à sua ausência em Roland-Garros, não voltou a ter problemas nas costas. Mas, inevitavelmente, essa sombra paira sempre sobre si. Será maior do que a sombra de uma primeira vitória francesa masculina em Grand Slam desde 1983? A resposta está para breve…
