Menšík triunfou no ano passado no Masters de Miami e tornou-se um dos jogadores mais seguidos do circuito. No entanto, desde então conquistou apenas um título – num torneio de menor expressão em Auckland. O apuramento para os quartos de final de um Grand Slam é, por isso, um dos seus maiores feitos.
"Para o Jakub é realmente um grande marco. E tenho de ser sincero, não acreditava que fosse precisamente em Paris que pudesse ter tanto sucesso," afirma o antigo tenista Dušan Lojda.
Depois de ter subido ao top 20 no ano passado, Menšík acabou por estagnar e teve dificuldades na época de terra batida. Os seus dramas bem-sucedidos em Paris são, na verdade, uma surpresa. O jovem checo não convenceu nem em Hamburgo nem em Roma. "Ele até disse que gosta de terra batida, que cresceu a jogar nela. Mas tiro-lhe o chapéu pela forma como está a lidar com tudo isto em Paris, sobretudo a nível mental", acrescenta Lojda.
- O percurso de Menšík até aos oito melhores parece ter sido uma grande luta. O que acha das suas exibições? Depois da segunda ronda, nem conseguia levantar-se do court, mas agora voltou a disputar brilhantemente outro duelo à melhor de cinco sets.
- Todo o Roland Garros é fisicamente exigente e todos estão, naturalmente, muito bem preparados. O calor pode apanhar-vos desprevenidos, o Jakub passou por um momento muito difícil, mas vimos que nem Sinner é imbatível. Mas gosto da forma como ele está a gerir tudo. Teve mesmo uma segunda ronda extremamente difícil contra Mariano Navone, depois defrontou um De Minaur fresco. Nota-se que, sobretudo a nível táctico e mental, está acima dos outros.
- Superou Alex De Minaur, com quem tinha perdido os cinco encontros anteriores…
- E perdeu com ele por 0-6 no primeiro set... Mas depois mudou tudo. Não o deixou jogar o seu ténis e encurtou muito bem os pontos. Usou muitos amortis, serviu de forma excelente. No fundo, não deu qualquer hipótese a um adversário que nunca tinha vencido.
- E contra Rubljov? Houve um momento em que pareceu ter perdido o controlo do encontro…
- Foi mais um duelo extremo à melhor de cinco sets. Jogou muito bem e de forma agressiva nos dois primeiros sets. Depois pareceu que lhe faltou energia, o que é compreensível tendo em conta os encontros anteriores.
- Ficou claro que pode confiar no seu retorno de backhand…
- Não é segredo que o backhand é o melhor golpe do Jakub. Conseguiu vários pontos diretos com ele contra o primeiro serviço. Esteve excelente na resposta. Mas o importante era ser agressivo na resposta. Porque se derem um pouco de espaço ao Rubljov, ele coloca-vos logo na defensiva. Sobretudo nos dois primeiros sets e depois no final do quinto, jogou de forma muito ativa e isso acabou por compensar.
- O ténis de Menšík mudou recentemente? Qual é agora a sua maior arma?
- Já falámos da cabeça. Mas no court é também a tal atividade, o facto de ir à procura dos winners. No final contra o Rubljov mostrou isso, esteve agressivo com o forehand, sem esperar pelo erro do adversário. E se comparar o seu jogo com o do ano passado, penso que há um ano jogava muito atrás da linha de fundo. Este ano, pelo contrário – e certamente foi algo trabalhado – está mais perto da linha de base. Está mais presente no jogo, não tem receio de subir à rede. Esse jogo mais agressivo favorece-o e é também a tendência do ténis atual. Em Paris, tem o maior número de winners de todos os jogadores.
- Como é possível que isto funcione também em terra batida, uma superfície que, pelas suas características físicas, não deveria favorecer tanto o seu jogo?
- Na terra batida é preciso movimentar-se bem e o Jakub tem uma movimentação muito boa. E depois penso que, paradoxalmente, o clima está a ajudá-lo. Em Paris está muito calor, por vezes até 35 graus Celsius, o que por um lado é extremamente exigente, mas também traz a vantagem de as bolas voarem mais rápido. E ele sabe tirar partido do serviço.
- O ténis em terra batida está a mudar? Entre os tenistas nos quartos de final já há três jogadores com quase dois metros de altura. Zverev, Jodar, Menšík...
- O ténis, como tudo, está a tornar-se mais rápido. Já não é como antigamente, quando jogadores como Diego Schwartzmann conseguiam manter-se entre os melhores. Hoje, provavelmente, não estaria entre os dez primeiros. Todos servem muito bem e há cada vez menos jogadores que trocam quinze bolas por cima da rede. Embora De Minaur ou Ruud ainda consigam impor o seu jogo. Não penso que seja possível conquistar o título em Roland Garros apenas com o primeiro serviço, continuará a ser uma questão de jogo intermédio. Mas claro que ter um bom serviço e o primeiro golpe forte, permitindo ditar o ritmo, é uma vantagem decisiva. O sucesso depende mais da iniciativa.
- Agora terá pela frente João Fonseca. Que hipóteses tem Menšík de seguir em frente?
- Para ambos é uma oportunidade única de chegar às meias-finais. Os dois são novos neste patamar, jovens. João Fonseca está a jogar de forma incrível, venceu o Djoković e depois também o Ruud de forma convincente. Gustavo Kuerten veio vê-lo, é um momento muito emotivo para ele. Mas eu, sinceramente, acredito no Menšík. Na minha opinião, é um pouco mais experiente, já disputou alguns grandes encontros. Vai ser um duelo aberto.
