O italiano de 24 anos, que procurava completar o Grand Slam de carreira na terra batida parisiense, liderava por 5-2 e servia para fechar o encontro no terceiro set, após ter vencido os dois primeiros, quando começou a sentir problemas físicos, tendo mesmo de sentar-se nas laterais do Court Philippe-Chatrier, por não ser capaz de se mover.
Desta vez, Sinner não foi bafejado pela sorte como no último Open da Austrália, quando pararam o seu encontro da terceira ronda, num momento em que sofria igualmente de cãibras – os tenistas não podem ser assistidos quando enfrentam este problema físico -, para fecharem o teto da Rod Laver Arena devido ao calor.
Foram novamente as recorrentes cãibras a derrotarem o número um mundial, que inexplicavelmente continua a não conseguir contrariar aquele que é claramente o seu maior ponto fraco, e hoje acabou eliminado pelo banal Juan Manuel Cerundolo (56.º), por 3-6, 2-6, 7-5, 6-1 e 6-1, em três horas e 36 minutos.
“Hoje, não tinha energia. Pode acontecer, ninguém é um robot”, salientou o finalista da passada edição e vencedor de quatro Grand Slams (Open da Austrália, em 2024 e 2025, Open dos Estados Unidos, em 2024, e Wimbledon, no ano passado), que é frequentemente comparado a um autómato.
Único favorito à conquista do título, dada a ausência do bicampeão Carlos Alcaraz por lesão, Sinner viu interrompida uma série de 30 triunfos consecutivos, numa época em que se tornou no primeiro tenista a conquistar os primeiros cinco Masters 1.000 da temporada.
“Sentia-me mal, a cabeça girava. Estava quente mas não assim tanto. As condições eram boas para se poder jogar, por isso não tenho nada a dizer do calor”, concedeu.
A escandalosa eliminação do primeiro cabeça de série, que não perdia na segunda ronda de um major desde que caiu nessa mesma fase na catedral da terra batida em 2023, deixa Roland Garros sem um claro candidato ao cetro masculino, com a parte de cima do quadro, onde está Jaime Faria, completamente em aberto.
O jovem lisboeta de 22 anos continua imparável na terra batida parisiense, tendo somado hoje o seu quinto triunfo consecutivo – venceu três rondas na qualificação – frente ao alemão Jan-Lennard Struff (80.º), que bateu com os parciais de 7-5, 7-6 (7-1) e 6-2.
Depois de se apurar pela primeira vez na carreira para a terceira ronda de um Grand Slam, o número dois português e 115.º classificado do ranking ATP vai defrontar o norte-americano Frances Tiafoe, o 19.º cabeça de série.
Big Foe, que no ano passado chegou aos quartos na capital francesa, travou hoje uma dura batalha com o polaco Hubert Hurkacz (99.º), que durou quase cinco horas, impondo-se por 6-7 (5-7), 7-6 (7-5), 6-4, 6-7 (1-7) e 6-4.
A parte de cima do quadro ficou ainda mais em aberto, depois de o norte-americano Ben Shelton (quinto) ser surpreendido pelo belga Raphael Collignon (62.º), por 6-4, 7-5 e 6-4.
Na jornada em que Nuno Borges e Francisco Cabral foram eliminados na primeira ronda de pares, para a terceira ronda de singulares avançaram também o canadiano Felix Auger-Aliassime, sexto jogador mundial, e a sensação francesa Moise Kouamé.
Com apenas 17 anos, e ainda fora do top 300 mundial, tornou-se hoje no jogador masculino mais jovem a chegar à terceira ronda em Paris desde 1988, ao vencer o duelo frente ao paraguaio Dani Vallejo (71.º), por 6-3, 7-5, 3-6, 2-6 e 7-6 (10-8).
“No ano passado, assisti a uma final em que Carlos Alcaraz salvou três ‘match-points’. Ele disse que, quando os enfrentou, nunca deixou de acreditar”, recordou, referindo-se ao facto de ter estado a perder por 5-3 no quinto set, com um break contra.
Enquanto do lado masculino a jornada foi de emoções fortes, do feminino foi business as usual para Aryna Sabalenka e para Coco Gauff.
A bielorrussa, líder do ranking mundial, bateu a francesa Elsa Jacquemot (67.ª), por 7-5 e 6-2, enquanto a campeã em título afastou a qualifier egípcia Mayar Sherif.
Quarta tenista da hierarquia WTA, Gauff derrotou a 129.ª jogadora mundial, por 6-3 e 6-2.
